Urologista reforça importância da prevenção ao câncer de próstata

Recomendação é que homens comecem a realizar exames a partir dos 45 anos de idade

O câncer de próstata é o segundo tipo mais frequente de câncer entre os homens brasileiros, estando atrás apenas do câncer de pele, de acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer). A doença, que atinge milhões de indivíduos em todo o mundo, impulsionou até mesmo a criação do Novembro Azul, campanha dedicada à conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce.

De acordo com o Dr. Kleber José Soares Melo, médico urologista, não existe uma explicação a respeito do surgimento da doença ou uma causa absoluta que defina o tumor. O que se sabe com certeza é que o câncer de próstata está diretamente relacionado à idade. “É praticamente impossível encontrar um paciente com câncer de próstata antes dos 40 anos de idade, mas ele se torna extremamente comum nos extremos da vida. Por isso, os médicos recomendam que a prevenção aconteça a partir dos 45. Qualquer homem com idade acima disso precisa realizar os exames”, explica.

O especialista reforça que, no caso daqueles que possuem histórico familiar, ou seja, casos de câncer de próstata diagnosticados em parentes próximos, como pai, irmãos, tios e avôs, devem começar a realizar os exames preventivos mais cedo, com 40 anos de idade.

Os exames essenciais são o PSA (Antígeno Prostático Específico), um exame de sangue que identifica uma enzima produzida pelas células da próstata cujo aumento da concentração pode indicar alterações, como prostatite, hipertrofia benigna ou o câncer, e o exame de toque retal, que permite que o médico sinta a próstata através da parede do intestino, identificando possíveis anormalidades.

“O câncer de próstata não tem sintomas específicos. Eles podem se manifestar de maneiras diferentes para cada paciente, e aparecem depois que a doença já avançou de estágio. Por isso, não se pode esperar o surgimento de algum sintoma para procurar um médico. É preciso fazer os exames preventivos todos os anos”, ressalta Dr. Kleber.

O médico completa que a prevenção é sempre a melhor resposta e afirma que o Novembro Azul foi criado para que as pessoas entendessem a necessidade do diagnóstico precoce e do tratamento contra a doença, mas acrescenta que os homens não devem procurar os consultórios apenas em novembro.

“O câncer de próstata não é só tratável, ele é curável. A diferença de descobrir a doença no estágio inicial e no final é imensa. Depois de deixar o câncer passar para o segundo estágio, a doença fica localmente espalhada dentro da pelve e pode ser necessária uma cirurgia e radioterapia. O indivíduo pode viver muito bem com o tratamento, mas a doença pode não ser curável. Já no terceiro estágio, o câncer se espalha por metástase (formação de uma nova lesão tumoral a partir de outra), cujo tratamento é o bloqueio hormonal. Nesse caso, a medicação é administrada e o paciente precisa torcer para a doença não evoluir”, conta.

Dr. Kleber reforça que o câncer de próstata possui uma neoplasia (crescimento do tumor a partir do número de células) lenta, e, para chegar ao terceiro estágio mencionado, é necessária uma negligência de sete a oito anos. “Mesmo quando um paciente deixa a doença passar do ponto, o que é lamentável, não significa o fim. A qualidade de vida dele com o tratamento ainda pode ser muito boa”, acrescenta.

Em relação ao preconceito e ao tabu ainda existentes quando se fala sobre o exame de toque retal, o médico acredita que as gerações mais novas têm mais acesso à informação e não possuem mais tanto receio. “O preconceito está se tornando cada vez menor e, atualmente, apenas as pessoas realmente idosas deixam a doença chegar ao terceiro estágio. É incomum encontrar uma pessoa com menos de 60 anos que não faz os exames. Claro, elas existem, mas vejo como exceções”, pontua.


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