Retirada da máscara foi precoce, afirma infectologista

Falta de proteção aliada à baixa procura pela vacina contra a Covid-19 tem feito número de casos ativos disparar em Lençóis Paulista

Depois da terceira onda de Covid-19, registrada entre os meses de janeiro a março, houve uma aparente tranquilidade em relação à pandemia e os índices de contaminação do vírus. O fim das restrições, aliado à liberação de eventos com maior concentração de pessoas e a não obrigatoriedade do uso das máscaras em quase todos os locais, deram abertura para um relaxamento dos cuidados sanitários, resultando em um novo aumento do número de casos do novo coronavírus.

A infectologista Geovana Momo, que trabalhou ativamente na linha de frente durante os picos mais altos de casos de Covid-19 em Lençóis Paulista, acredita que há dois motivos que influenciam o aumento de casos nesta época do ano. “As pessoas não estão mais completando o esquema vacinal e deixaram de usar máscara. Há dois pilares que sustentam isso: a estagnação da vacinação e a retirada precoce da máscara, por isso, precisamos estimular que todos voltem a se vacinar”, afirma.

Apesar da alta, a especialista diz que não se trata de uma quarta onda de Covid-19. “Também estamos com a circulação de outros vírus, como o adenovírus, rinovírus, Influenza A e B, então, não caracterizamos como quarta onda. Ainda estamos em um processo pandêmico, por isso, teremos alguns picos. Juntou o outono, a entrada do inverno na próxima semana, então, ainda registraremos aumento e diminuição de casos. Isso já é esperado dentro da epidemiologia”, ressalta.

Como outros especialistas da área, Dra. Geovana esclarece que a diminuição de hospitalizados está relacionada à vacinação, mas este não é o único fator. “Houve uma mudança de cepa. Em 2021, tivemos a circulação da variante Delta e, agora, nós estamos com a circulação, principalmente, da Ômicron. Ela tem característica de afetar as vias aéreas superiores, dando coriza, dor de cabeça, espirro e tosse mais persistente. Mas ela poupa o pulmão”, explica a médica, que frisa que esse fator não determina que o paciente não terá complicações se contrair o vírus.

A expectativa é de que os casos continuem nesta crescente até a metade de julho, por influência do período de temperaturas mais amenas. “Depois que estabilizar novamente, devemos voltar com os números que estávamos nos acostumando a ver. O vírus Sars – CoV-2, que causa a Covid-19, ainda vai conviver com a gente. A ideia é que ele se torne familiar ao ser humano, teremos a vacinação anual contra ele, assim como foi com o vírus da Influenza”, frisa a infectologista.

A orientação para prevenção do novo coronavírus continua a mesma. Dra. Geovana ressalta que aqueles que têm doenças imunossupressoras, comorbidades ou esquema vacinal incompleto, devem permanecer usando a máscara no dia a dia. “A Covid-19 é uma doença respiratória e o uso da máscara é a orientação principal. Quem estiver com dose em atraso, deve completar o esquema vacinal. E as pessoas que puderem tomar a segunda dose de reforço, devem procurar uma unidade de saúde para receber a vacina para começarmos a frear novamente a Covid-19”, finaliza.

Pela terceira semana consecutiva, Lençóis Paulista registra índices altos de casos ativos diário de Covid-19. De acordo com o último boletim epidemiológico, divulgado na quarta-feira (15), haviam 178 casos ativos na cidade. Seis pessoas estavam internadas em decorrência da Covid-19, sendo três com a vacinação em dia, um paciente com a vacinação incompleta, um paciente sem registro de vacinação e uma criança de dois anos. Até o momento, foram registrados 23.384 casos positivos e 201 óbitos no município.


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