Redução de casos de Covid-19 traz falsa sensação de segurança

Desde agosto, Lençóis Paulista segue com queda nos números da pandemia, mas infectologista alerta para o perigo do descuido

Apesar das oscilações diárias nos números da pandemia, ao analisar o histórico da evolução do novo coronavírus (Covid-19) em Lençóis Paulista, dados coletados a partir de julho apontam baixa nos registros de casos e de pacientes sintomáticos em fase de transmissão da doença, bem como na taxa de ocupação hospitalar e no número de óbitos ocorridos em decorrência de complicações clínicas. No entanto, para profissionais que acompanham o cenário desde o início, a aparente estabilização pode causar uma falsa sensação de segurança.

Mesmo com um quadro geral que aponta para maior controle da Covid-19 na cidade, o secretário de Saúde, Ricardo Conti Barbeiro, alerta que o descumprimento das regras, que estão sendo flexibilizadas aos poucos pelo Governo do Estado no âmbito do Plano São Paulo, pode mudar o cenário – para pior – a qualquer momento. Prova contundente disso é a diferença no número de casos ativos registrados nos últimos dias. De 19 pacientes sintomáticos em fase de transmissão na quarta-feira (16), o número saltou para 41 uma semana depois.

“Existe o risco de repique se não houver a colaboração de todos”, pontua Barbeiro, que enfatiza que o momento não é de aglomerações, o que é corroborado pela infectologista Geovana Momo Nogueira de Lima, integrante do comitê local de enfrentamento à Covid-19. “Essa sensação de que a epidemia já passou é falsa. Ainda temos pessoas adoecendo. Estamos vendo essa queda dos números, mas se a população não mantiver o distanciamento, a utilização da máscara e o uso do álcool em gel, provavelmente, teremos novos casos. É o que estamos vendo na Espanha”, exemplifica.

Sobre a hipótese de uma vacina contra a Covid-19 contribuir para evitar novos contágios, a médica é cautelosa. “Chamo a atenção, porque a vacina está sendo testada em pacientes adultos e profissionais da saúde. Idosos e crianças devem vir depois, mas, para crianças, por exemplo, a gente não tem nada a caminho”, diz. Para ela, em contrapartida, a eficácia da imunização pode ser superior à imaginada inicialmente. “Hoje, sabemos mais da Covid-19, acredito que o vírus sofra uma mutação mais lenta que o vírus da Influenza e isso vai ser um grande alento. Mas nem tudo a gente sabe ainda, por isso, a importância em manter os cuidados”, completa.

COMPARATIVO

Em julho, 847 pessoas testaram positivo para a Covid-19, média de 27,32 por dia. No final daquele mês, 79 seguiam na fase de transmissão e 20 estavam hospitalizados. Entre os que receberam cuidados médicos, quatro estavam na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que representava 33% da taxa de ocupação em relação aos 12 leitos disponíveis no Hospital Nossa Senhora da Piedade. Outros quatro pacientes estavam na enfermaria e 12 em hospitais da região. Julho também teve alto índice de óbitos, 13 no total.

Na comparação com julho, agosto mostrou alguns sinais de melhora, com 519 pessoas diagnosticadas com Covid-19, média diária de 16,74 novos casos (-38,72%). O mês terminou com 69 pacientes sintomáticos em fase de transmissão (-12,66%). O número de mortes também caiu, de 13 para oito casos (-38,46%). Em relação às internações, houve redução geral, de 20 para 17 (-15%), mas os casos que necessitaram de terapia intensiva aumentaram, de quatro para sete (+75%). Outros dois pacientes estavam na enfermaria e oito em hospitais da região.

O cenário de queda segue em setembro. Até a quarta-feira (23), 229 pacientes haviam contraído a Covid-19, média de 9,96 por dia (-55,88% em relação a agosto). O número de casos ativos, que chegou a cair para 19, subiu para 41, mas se manteve bem abaixo do mês anterior (-40,58%). Das 15 pessoas internadas (-11,76), apenas uma estava sobe cuidados de UTI (-85,71%). Outras oito estavam na enfermaria do Hospital Piedade e seis em unidades da região. O número de mortes também despencou, com três registros desde o início do mês (-62,5%).

“Tivemos uma diminuição de óbitos e estamos vendo uma diminuição na taxa de ocupação que é um indicador de que a doença está começando a ficar controlada. Há menos mortes porque os pacientes estão chegando mais cedo ao serviço de saúde, o corpo médico sabe manejar melhor a doença e sabemos que drogas como a cloroquina, ivermectina e azitromicina não têm impacto nenhuma na Covid-19”, explica Dra. Geovana.

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