Número de casos de Covid-19 dispara após confraternizações

Infectologista alerta para importância das medidas de prevenção como complemento da vacina

Como já era esperado, o número de casos de infecção pelo novo coronavírus (Covid-19) voltou a subir significativamente nos últimos dias, deixando as autoridades sanitárias de Lençóis Paulista em estado de alerta. Por conta das confraternizações de final de ano realizadas por empresas e grupos de amigos, além dos encontros familiares no Natal e no Ano Novo, a tendência é de que 2022 comece com alta nos índices. Em razão disso, a recomendação é para que todos redobrem os cuidados.

Segundo dados da Vigilância Epidemiológica do município, publicados diariamente nos canais oficiais da Prefeitura Municipal, o número de casos ativos saltou de 0 para 67 em apenas nove dias, com 27 infecções confirmadas somente entre a terça-feira (28) e a quarta-feira (29). De acordo com pesquisa feita pela reportagem de O ECO, um aumento como este não era registrado desde o início de julho, quando foram diagnosticados 26 casos entre os dias 2 e 3, elevando o total de 236 para 263.


Naquela época, 27.016 pessoas haviam recebido pelo menos uma dose da vacina, o que representava 50,5% de cobertura primária, enquanto que apenas 7.805 (11,3% da população) estavam com o ciclo completo – sem a dose de reforço que começou a ser aplicada em setembro. Em contrapartida, na quarta-feira, havia 82,0% de cobertura com primeira dose (56.594 pessoas), 77,4% com segunda dose ou dose única (53.402 pessoas) e 17,7% com a dose de reforço (12.237 pessoas).

O boletim da terça-feira é um sinal de alerta, pois revela cenários similares para contextos bem distintos. É de conhecimento geral que nenhuma vacina garante 100% de imunidade e, por isso, é extremamente necessária a atenção às demais medidas de prevenção ao contágio, como uso de máscaras, higienização com álcool em gel e distanciamento pessoal. No entanto, o aumento de casos mesmo com o avanço substancial da vacinação sugere que a população tem descumprido as recomendações.

ALÉM DA VACINA

Dra. Geovana Momo Nogueira de Lima, médica infectologista que atua na linha de frente do combate à pandemia, destaca que o avanço da vacinação foi fundamental para a diminuição dos casos de Covid-19, principalmente dos mais graves, que levaram a rede hospitalar ao colapso entre os meses de março e abril. Entretanto, a especialista alerta que ignorar as medidas de prevenção ao contágio pode resultar em uma nova escalada de infecções, mesmo com a maior parte da população vacinada.

“A vacinação é uma ferramenta indispensável no combate à pandemia. Toda vez que vacinamos um paciente, estamos prevenindo, sobretudo os casos graves. Sabemos que a transmissão da Covid-19 é principalmente respiratória, portanto, é preciso manter o uso da máscara e evitar grandes aglomerações. Ainda é preciso ter precaução e, como temos pessoas que ainda não foram vacinadas, há um risco maior de o vírus circular e provocar pequenos surtos ou uma pandemia dos não vacinados”, alerta.

FESTAS E VIAGEM

Preocupada sobre um possível aumento de casos, como ocorreu após as festas de final de ano de 2020, a médica reforça a importância dos cuidados. “Ainda há o risco de contaminação pelo vírus, então, mesmo as pessoas vacinadas devem evitar um contato muito próximo. Quem for realizar confraternizações, deve dar preferência para locais abertos que deixem o ar circular. Isso é o ideal, temos que manter os cuidados para não voltarmos a ter um aumento no número de casos”, acrescenta.

Dra. Geovana também alerta para o perigo das viagens, já que muitas pessoas optam por passar o Ano Novo no litoral ou em outros locais de grande fluxo de turistas. Segundo ela, existe um grande risco de que esses deslocamentos façam com que a variante Ômicron, já identificada em diversas cidades do país, passe a circular em Lençóis Paulista e demais cidades da microrregião. Apesar de, aparentemente, se manifestar com menos intensidade, a nova cepa tem transmissão muito mais rápida.

INFLUENZA

Aproveitando o gancho, a infectologista também faz um alerta para os perigos da influenza, que já tem inúmeros casos confirmados em diversos estados do país. O vírus H3N2, que tem o mesmo modo de transmissão da Covid-19, tem uma nova cepa (Darwin) em circulação, para a qual a vacina aplicada neste ano não garante imunidade. O receio é de que, sem vacina, o período de festas também faça com que o vírus se espalhe rapidamente pelo interior, o que pode causar um grande surto de gripe.

“Neste ano, vimos a chegada das vacinas com esperança e estamos colhendo os frutos dessa imunização em massa. Este final de ano é um momento de renascimento de uma pandemia que ainda não terminou, então, quem for se reunir não pode deixar de lado o uso da máscara e do álcool em gel, além de manter distâncias seguras. Também é importante que as pessoas que apresentarem sintomas gripais não frequentem nenhuma reunião para que isso não se multiplique em outras pessoas”, finaliza. 


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