Lençóis tem 140 pessoas vivendo com HIV, diz Secretaria de Saúde

Médica Infectologista explica como age o vírus e fala sobre prevenção e tratamento da doença, que atinge cerca de 920 mil brasileiros

A última terça-feira (1) foi marcada pelo Dia Mundial da Luta Contra a Aids. A data foi instituída no Brasil e outros países como forma de conscientizar as pessoas sobre a necessidade de prevenção da doença. De acordo com o Ministério da Saúde, há cerca de 920 mil pessoas vivendo com HIV no Brasil. A faixa etária com a maior incidência de casos é a de jovens de 25 a 39 anos, com 492,8 mil infectados. 

Segundo a médica infectologista Geovana Momo Nogueira de Lima, o vírus HIV (causador da Aids) entra no organismo via corrente sanguínea e ataca diretamente uma célula de defesa do corpo humano, que é chamada de linfócito. Isso causa uma diminuição na imunidade do indivíduo, o que pode vir a causar outras doenças.

“Uma vez que o paciente é portador do vírus HIV ou já tem a doença Aids, ele está propenso a desenvolver doenças oportunistas, que são doenças que se manifestam em pessoas com a imunidade baixa. As principais são a tuberculose e a neurotoxoplasmose. Toda vez que essas doenças se manifestam, a pessoa precisa investigar o motivo”, orienta a médica. 

O vírus é transmitido, principalmente, através de relações sexuais sem o uso de preservativo, mas esse não é o único meio de contaminação. Existe a transmissão no momento do parto, quando a mãe infectada acaba passando a doença para a criança, e a transmissão através de materiais cortantes contaminados. “Para evitar o contágio, é fundamental o uso do preservativo. A prática do sexo seguro é a principal maneira de se proteger”, afirma a especialista.

O HIV e a Aids, apesar de estarem relacionados, não são a mesma coisa. A Aids é o estágio mais avançado da infecção do vírus HIV e surge apenas quando o indivíduo começa a apresentar as doenças oportunistas. Segundo dados da Secretaria de Saúde, atualmente 140 pessoas infectadas com o HIV fazem tratamento em Lençóis Paulista.

Dra. Geovana atribui o grande número na faixa etária mais jovem devido à falta de consciência da gravidade da doença. “Com a evolução dos medicamentos, não costumamos conhecer atualmente pessoas que adoecem pelo HIV, a não ser por aquelas que se recusam a receber o tratamento”, pontua.

A infectologista acredita que é necessário realizar mais campanhas de conscientização da doença. “É preciso trabalhar com o público jovem não somente no carnaval, quando surgem várias campanhas. Essa conscientização tem que ser duradoura, ocorrendo o ano todo. É preciso, também, conscientizar os alunos desde a escola, para que esse jovem tenha um sexo seguro e consciente em respeito dele e do parceiro”, afirma a médica, que acredita que realizar testes rápidos também pode ser uma forma de prevenir a contaminação de outras pessoas, porque o diagnóstico é essencial para evitar a proliferação da doença.

A especialista declara que o mundo apresentou uma evolução no conhecimento da doença. Essa evolução permitiu que indivíduos contaminados pudessem viver com a Aids, realizando todos os tratamentos necessários para uma vida normal. “Hoje, em 2020, vemos um avanço muito grande dos métodos de diagnóstico. É possível, com um teste rápido, receber um resultado em menos de dez minutos. A medicação é gratuita e pode-se fazer um acompanhamento especializado da doença. Com esse avanço, a mortalidade da Aids na nossa sociedade diminuiu significativamente”, completa.

CAMPANHA FIQUE SABENDO

Este mês é conhecido como Dezembro Vermelho e é marcado pela Campanha Fique Sabendo, iniciativa nacional cujo objetivo é a testagem de doenças sexualmente transmissíveis e a conscientização acerca das medidas de prevenção, assistência e proteção contra o vírus do HIV e outras IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis). Em Lençóis Paulista, a campanha e segue até na segunda-feira (7).

Os testes estão sendo realizados mediante agendamento de horário em todas as Unidades de Saúde da cidade, com exceção das unidades ESF Antonio Benedetti, no Jardim Monte Azul e Dr. João Paccola Primo, no Núcleo Habitacional Luiz Zillo, que estão atendendo exclusivamente casos de síndrome gripal, que podem estar relacionados à Covid-19. Os interessados devem entrar em contato com a unidade de saúde mais próxima para o agendamento.

CONFIRA OS ENDEREÇOS, CONTATOS E HORÁRIOS DE ATENDIMENTO:

– Ambulatório de Especialidades Dr. Antônio Tedesco, Avenida Brasil, 686, Centro | (14) 3269-1970

– ESF Victório Boso, Rua Bento Ribeiro, 29, Alfredo Guedes | (14) 3264-4332

– ESF Dr. Luiz Fernando Lelis Andrade, Rua João Coneglian, 340, Jardim do Caju | (14) 3264-9933

– UBS Dr. Antônio Leão Tocci, Rua Dias Gomes, 37, Núcleo Habitacional João Zillo | (14) 3264-4040

– ESF Dr. José Nege, Rua Bahia, 294, Jardim Cruzeiro | (14) 3264-3505

– ESF Winter Malatrasi, Rua Manoel Duarte Moreira, 150, Conjunto Habitacional Maestro Júlio Ferrari | (14) 3264-5040

– ESF Vereador Carlos Alberto Baptistella, Rua Ana Neri, 124, Vila Maria Cristina | (14) 3263-2562

– ESF Dra. Irene Alcídia da Costa Andrade, Avenida das Araras, 530, Jardim das Nações | (14) 3264-1007

– UBS Dr. José Antônio Garrido, Avenida Marechal Dutra, 895, Jardim Ubirama | (14) 3263-6251

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