Doação da Bracell alivia estoque de medicamentos do kit intubação

Investimento de R$ 1 milhão é suficiente para garantir atendimento por um mês, no entanto, médico enfatiza que cenário pode mudar

Lençóis Paulista enfrentou dias de caos entre o final de março e o início de abril, com o número de internações de pacientes com quadros mais graves de Covid-19 acima da capacidade hospitalar, além da escassez de medicamentos do chamado kit intubação, indispensáveis para o tratamento. Ao longo das últimas semanas, a situação foi amenizada graças a doações de hospitais da região e à chegada de remessas do Governo do Estado de São Paulo, que chegou a ser acionado judicialmente para normalizar o fornecimento. Nesta semana, quem também aderiu à causa foi a Bracell.

De acordo com nota divulgada pela assessoria de imprensa da empresa, ao tomar conhecimento do problema, a multinacional, que tem prestado um auxílio fundamental ao município no enfrentamento à pandemia, passou a estudar formas de auxiliar, mobilizando parte de sua equipe de suprimentos na tentativa de adquirir os insumos tanto no mercado interno quanto no exterior. O esforço surtiu efeito e, na quinta-feira (29), foi oficializada a doação de mais de 14 mil ampolas de sedativos e bloqueadores neuromusculares do chamado kit intubação, com investimento de R$ 1 milhão.

A doação foi feita diretamente ao Hospital Nossa Senhora da Piedade, que tem contrato firmado com a Prefeitura Municipal de Lençóis Paulista para a administração do PAC-19 (Pronto Atendimento à Covid-19), que, vale citar, também foi implantado, equipado e ampliado com o auxílio de recursos destinados pela Bracell. A entrega de parte dos medicamentos, que devem ter outras remessas nas próximas semanas de acordo com a disponibilidade dos fornecedores, foi feita por Pedro Stefanini, diretor-geral da empresa, a João José Dutra, provedor do Hospital Piedade.

Na nota, o diretor da Bracell, que já direcionou mais R$ 15 milhões ao enfrentamento à Covid-19, em doações feitas a Lençóis Paulista, outras cidades da região e ao Governo do Estado de São Paulo, reitera o compromisso da empresa. “O olhar cuidadoso às pessoas das comunidades próximas às nossas operações é um valor da Bracell e, diante de uma situação como essa, nossa atuação não poderia ser diferente. Com a doação, acreditamos que estamos contribuindo para que os profissionais da saúde possam continuar a luta por salvar vidas”, destaca Stefanini.

UM MÊS NO CENÁRIO ATUAL

Procurado pela reportagem de O ECO, Dr. Antonio Celso Barros Filho, diretor-técnico do Hospital Piedade, que atua UTI (Unidade de Terapia Intensiva) desde o início da pandemia, confirma que a doação alivia bastante a pressão sobre o estoque, que enfrentou problemas de abastecimento há algumas semanas, o que resultou na falta de alguns medicamentos e, consequentemente, obrigou a utilização de outros da mesma classe que estavam disponíveis. As doações são suficientes para 30 dias, mas ele enfatiza que isso se refere ao contexto atual, que pode mudar.

“Tudo depende da quantidade e do perfil dos pacientes que estão internados. Baseando na situação atual (dessa sexta-feira), se mantivermos o consumo como está, temos medicamentos para 30 dias. Obviamente, se o perfil mudar, os pacientes ficarem em estado mais grave e precisarmos utilizar mais medicamentos, isso diminui. Pode durar mais ou menos, pois tudo pode mudar de uma hora para outra de acordo com a gravidade dos casos. Se todos os pacientes da UTI precisarem de bloqueador neuromuscular ou de doses maiores de sedativos, é outra situação”, explica.

NEGOCIAÇÃO DO ESTADO

Ricardo Conti Barbeiro, secretário de Saúde do município e membro do comitê local de enfrentamento à Covid-19, espera que, em breve, o risco de falta de medicamentos do kit intubação seja reduzido ainda mais. Segundo ele, há uma negociação em andamento entre o Governo do Estado de São Paulo e fornecedores internacionais que pode contribuir para normalizar a situação, que trouxe muitos problemas não só para Lençóis Paulista como a diversas cidades do país, principalmente no início do mês passado.

“Houve uma grande compra internacional que a Secretaria Estadual de Saúde estima que seja suficiente para suprir a demanda dos hospitais por cerca de dois meses. No entanto, isso ainda está em andamento e não temos nenhuma previsão de quando esses medicamentos chegam ao país para que a distribuição seja feita aos municípios. Esperamos que essa questão seja tratada com celeridade, pois poderemos ter uma estabilização em relação aos sedativos e bloqueadores neuromusculares do kit intubação. Estamos aguardando um posicionamento”, completa.

destaques