Após liberação, região aguarda vacinas para iniciar imunização

Com pouco mais de 1,3 milhão de doses, Governo de São Paulo pretende entregar primeiros lotes a todos os municípios ainda nesta semana

Desde que o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado no Brasil, no dia 26 de fevereiro de 2020, a população anseia pela chegada da vacina contra o novo coronavírus. Após quase um ano de expectativa, a espera começa a ficar cada vez mais próxima de terminar. O caminho para o início da imunização foi aberto no último domingo (17), com a liberação do uso emergencial de duas vacinas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Em reunião transmitida pela internet, os diretores aprovaram por unanimidade o uso emergencial de 8 milhões de doses: 6 milhões da CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório Sinovac, da China, e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan; além de outros 2 milhões de doses da vacina de Oxford, fruto da parceria entre a farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford, no Reino Unido, que será produzida pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Com eficácia global de 50,38%, a CoronaVac começou a ser distribuída aos estados na segunda-feira (18), a partir do lote de 6 milhões de doses que já havia sido importado da China pelo Butantan. A expectativa é de que na próxima semana seja liberado o uso de mais 4,8 milhões de doses produzidas em solo brasileiro. O Instituto deu entrada no novo pedido já na segunda-feira e a Anvisa deve deliberar sobre a autorização até na quarta-feira (27).

O início da imunização com a vacina de Oxford, que tem eficácia global de 70,42%, ainda não tem previsão, visto que houve atraso no envio das 2 milhões de doses adquiridas junto ao Instituto Serum, da Índia. Na semana passada, o Governo Federal chegou a preparar um voo para buscar a vacina, mas a operação foi cancelada após os indianos alegarem que não seria possível atender à demanda imediatamente, visto que a vacinação também se iniciaria no país.

Como a previsão de entrega dada pela Índia é de pelo menos duas semanas, tudo indica que a primeira etapa do cronograma de vacinação deva seguir apenas com a CoronaVac, já que a Fiocruz, que também tem contrato para produzir a vacina de Oxford no Brasil, aguarda o recebimento de insumos para o início da fabricação, mas vem esbarrando na dificuldade de agilizar o recebimento do IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) utilizado pela AstraZeneca.

Profissionais da linha de frente foram as primeiras vacinadas

Ainda na tarde do domingo (17), pouco depois da liberação pela Anvisa, o Governo do Estado de São Paulo organizou um evento para iniciar a imunização com a CoronaVac, com a presença do governador João Doria (PSDB). Ao todo, foram vacinados 112 profissionais da linha de frente do combate à Covid-19. A primeira vacinada foi a enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, que atua na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital.

Na segunda-feira (18), remessas da vacina foram enviadas a cinco cidades do interior, que abrigam centros de referência de saúde ligados a universidades: Botucatu, Campinas, Marília, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Em Botucatu, o caminhão com escolta da Polícia Militar chegou no final da tarde ao Hospital das Clínicas da Unesp. Também com a presença de Doria, a técnica de enfermagem Jacilene Rosa de Lima, de 40 anos, funcionária da UTI, foi a primeira imunizada.

De acordo com a assessoria de imprensa do Governo de São Paulo, até o final desta semana os 645 municípios receberão os primeiros lotes das vacinas a partir da distribuição das pouco mais de 1,3 milhão de unidade disponíveis para o estado. A previsão é de que as doses sejam encaminhadas diretamente às cidades com mais de 30 mil habitantes, como Lençóis Paulista. Já para as cidades menores, haverá uma triagem feita pelos GVE (Grupos de Vigilância Epidemiológica) regionais.

Do total de 6 milhões de doses da CoronaVac autorizadas pela Anvisa, pouco mais de 4,6 milhões foram encaminhadas aos outros 25 estados e Distrito Federal. A distribuição comandada pelo Ministério da Saúde teve início na manhã da segunda-feira (18), mas, devido a atrasos ocasionados por problemas de logística, só foi concluída na manhã dessa terça-feira (19). O último estado a receber a vacina foi Rondônia, que ficou com 49,4 mil doses.

Lençóis deve vacinar 340 pessoas na primeira etapa

À reportagem de O ECO, o secretário de Saúde de Lençóis Paulista, Ricardo Conti Barbeiro, revela que a cidade ainda não recebeu a confirmação de quando as primeiras doses serão recebidas, mas disse que espera que isso ocorra até na sexta-feira (22). Segundo ele, a previsão é de que sejam enviadas inicialmente 680 doses, que são suficientes para imunizar 340 profissionais da saúde, o que representa cerca de 28% do total de 1,2 mil trabalhadores.

Por conta disso, a Secretaria de Saúde elaborou um cronograma para a primeira etapa de imunização. “Como o número de doses será limitado, faremos a imunização em três frentes distintas. Inicialmente, serão vacinados os profissionais que estão na linha de frente no combate à pandemia, os servidores responsáveis pela aplicação das vacinas, além dos trabalhadores que atuam em ILPI (Instituições de Longa Permanência para Idosos) -”, explica o secretário.

Ainda de acordo com Barbeiro, como o público-alvo desta etapa de vacinação são apenas os profissionais da saúde, a aplicação das doses deve ocorrer internamente, nas próprias Unidades de Saúde. Para atender à demanda externa, uma equipe volante também deve percorrer instalações como o Hospital Nossa Senhora da Piedade, UPA (Unidade de Pronto Atendimento), CMU (Centro Médico Unimed) e as ILPI, como o Lar Nossa Senhora dos Desamparados e clínicas particulares.

Para evitar deslocamentos desnecessários de pessoas em busca da vacina, Barbeiro reforça que os idosos, que também serão imunizados na primeira etapa, mas apenas em um segundo momento, serão informados quando a vacina estiver disponível. “Pedimos que as pessoas não se dirijam às unidades. Assim que estiver tudo pronto para iniciar a aplicação nos demais grupos, de acordo com o cronograma, todos serão avisados por meio de nossos canais e imprensa”, orienta.

REGIÃO

As demais cidades da microrregião também aguardam ansiosas pelo recebimento das primeiras doses da CoronaVac. Conforme já citado, diferentemente do que ocorrerá em Lençóis Paulista e outras cidades com mais de 30 mil habitantes, Macatuba, Areiópolis e Borebi, como outros municípios menores, dependerão de triagens feitas pelos GVE (Grupos de Vigilância Epidemiológica). A unidade responsável pelo repasse na região é a de Bauru.

Em Macatuba, de acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal, a expectativa é de que o envio ocorra até nesta sexta-feira (22), mas o número de doses ainda não foi informado. Já Areiópolis e Borebi, segundo os prefeitos Antonio Marcos dos Santos, o Toni (PL), e Anderson Pinheiro de Goes, o Chiquinho (MDB), ainda não foram notificadas sobre quantidade de vacinas e previsão de recebimento. Todas as cidades informaram que estão preparadas para o início da imunização.

Anvisa pede confiança nas vacinas

Durante a reunião realizada no último domingo (17) para deliberar sobre o uso emergencial da CoronaVac e da vacina de Oxford, os diretores da Anvisa destacaram a importância dos imunizantes na ausência de alternativas inequivocadamente eficazes para prevenção e tratamento da Covid-19, diferentemente do que ocorre, por exemplo, com medicamentos como a Cloroquina e a Ivermectina, defendidos pelo Governo Federal, apesar de nenhuma comprovação científica.

Ao transmitir suas considerações acerca dos pedidos feitos, respectivamente, pelo Instituto Butantan e pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), a relatora Meiruze Sousa Freitas, que foi seguida por todos os colegas, enfatizou que a análise feita pela equipe foi guiada pela ciência e pelos dados apresentados e que os servidores, que trabalharam com dedicação integral devido à urgência da pauta, concluíram que os benefícios potenciais de ambas as vacinas superam os riscos conhecidos.

“Ressalvadas algumas incertezas ainda existentes pelo estágio de desenvolvimento das vacinas em apreço, os benéficos conhecidos e potenciais das duas candidatas superam os riscos potenciais trazido em cada uma delas. Entretanto, ambas atendem aos critérios de qualidade e segurança para uso emergencial”, disse Freitas, que, porém, condicionou a aprovação da CoronaVac ao envio dos dados complementares pelo Instituto Butantan.

A Anvisa questiona a ausência de informações sobre a imunogenicidade da CoronaVac, ou seja, a capacidade que a vacina tem de estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos contra o novo coronavírus. Para solucionar o entrave, foi firmado um termo de compromisso, no qual o Instituto Butantan se compromete a enviar os dados até o dia 28 de fevereiro. O documento foi publicado em edição extraordinária do Diário Oficial do Estado, ainda no domingo (17).

Em seu discurso, Antônio Barra Torres, diretor-presidente da Anvisa, reiterou a confiança nas vacinas e reforçou a importância de manter os protocolos sanitários. “A imunidade com a vacinação leva algum tempo para se estabelecer. Portanto, mesmo vacinado, use máscara, mantenha o distanciamento social e higienize suas mãos. Confie na Anvisa, confie nas vacinas que a Anvisa certificar e quando ela estiver ao seu alcance vá e se vacine”, concluiu Torres.

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