Anaísa Portes Ramos é pioneira na cirurgia robótica no interior

Natural de Lençóis Paulista, médica atua no Hospital Vera Cruz, em Campinas

Primeira cirurgiã robótica no interior do estado de São Paulo, a médica Anaísa Portes Ramos, nascida em Lençóis Paulista, é formada em Medicina pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Atuando no Hospital Vera Cruz, em Campinas, ela participou, em agosto, do processo de certificação em cirurgia robótica e passou a ser a primeira cirurgiã do estado a possuir este tipo de certificação.

A médica, com residência em cirurgia geral, do aparelho digestivo e transplante hepático pela Unicamp e fellowship em cirurgia minimamente invasiva pelo Hospital do Câncer de Barretos, explica que para ser um cirurgião robótico é necessário passar várias horas em simuladores e treinamentos, percorrer todas as etapas de formação cirúrgica e ter experiência em outras formas de cirurgias minimamente invasivas.

Com vasto conhecimento na área, a cirurgiã fala sobre o avanço tecnológico no campo da medicina. “A plataforma robótica ganha ainda mais espaço quando relacionado a procedimentos complexos que exigem muitas horas de dedicação da equipe médica. O robô trouxe ergonomia para o médico, que consegue realizar movimentos impossíveis de serem reproduzidos por mãos humanas. Além disso, possui visão de alta definição em 3D e braços mecânicos que eliminam possibilidades de tremor, que poderiam surgir em cirurgias com muitas horas de realização”, comenta.

A cirurgia robótica teve início com a criação do Da Vinci, nome dado ao primeiro robô desenvolvido para auxiliar em operações, em 1999. A ideia, em princípio, era que ele ajudasse em procedimentos à distância. O primeiro teste do Da Vinci aconteceu em 2006, na Califórnia, com um médico controlando o robô em Seattle. No Brasil, o procedimento inaugural foi realizado em 2008, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Atualmente, cerca de 60% das cirurgias feitas com auxílio do robô são de urologia. A segunda categoria mais comum é a cirurgia geral (aparelho digestivo) e, em terceiro, a ginecologia.

“O sistema robótico tem possibilitado aos pacientes alternativas positivas para o tratamento, de maior eficiência quando comparada com os métodos tradicionais, cortes menores, menos dor e desconforto no pós-operatório, diminuição da perda de sangue e hemorragias durante a cirurgia, possibilitando ao paciente um retorno mais rápido às atividades do dia a dia”, comenta a médica.

A área conta, inclusive, com a entidade Sobracil (Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica). Porém, a prática ainda é limitada, restringindo-se a uma pequena parcela dos mais renomados hospitais brasileiros.

A cirurgia robótica caracteriza-se por ser um tipo de cirurgia minimamente invasiva. Na prática, pode ser considerada uma evolução da cirurgia laparoscópica. No procedimento, também são feitas pequenas incisões. Além da câmera, entram em cena braços do robô com instrumentos cirúrgicos. As pinças conectadas aos braços robóticos simulam o punho humano, com rotação de 540 graus (punho humano gira 360 graus) o que facilita dissecções dos tecidos e suturas, resultando em menos sangramento e menor trauma cirúrgico.

É preciso sempre lembrar: o robô não funciona sozinho. Todos os movimentos executados pela tecnologia são realizados pelo cirurgião responsável a partir do console. O procedimento robótico conta ainda com alguns mecanismos de segurança extra que agem no sentido de conter ações imprevistas feitas pelo médico. Nesse caso, o robô trava a máquina momentaneamente.

“Toda cirurgia que pode ser feita via laparoscopia também pode ser realizada por meio da plataforma robótica, inclusive cirurgias para tratamento de cânceres como esofagectomia, gastrectomia, hepatectomias, pancreatectomia, colectomias, além de cirurgia bariátrica e cirurgias da parede abdominal (hérnias)”, explica a médica Anaísa Portes Ramos.

VANTAGENS DA CIRURGIA ROBÓTICA

– Visualização de imagem em alta definição com ampliação de 10 vezes e visualização tridimensional

– Melhor detalhamento dos planos dos tecidos

– Movimento escalonado com filtração de tremor

– Melhor ergonomia para o cirurgião

– Uso de pequenas incisões

– Pinças que proporcionam movimentos delicados e facilitam suturas

– Recuperação mais rápida do paciente

– Menor tempo de hospitalização

– Menor perda de sangue e menor taxa de transfusão

– Redução da dor, já que a maioria dos pacientes não necessita de medicamento para controle da dor após a alta

– Menor risco de infecção

– Segurança

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