“Vamos sempre seguir em busca do melhor de cada um de nós”, diz Toni

Prefeito de Areiópolis faz um balanço do enfrentamento à pandemia e do início de seu segundo mandato às vésperas das comemorações pelos 62 anos da cidade

A vizinha Areiópolis começou a se formar no final do século XIX, com a ocupação de terras que deram origem à Vila Areia Branca, às margens do rio de mesmo nome, entre Lençóis Paulista, São Manuel e Igaraçu do Tietê. Elevada à categoria de distrito em 1917, vinculada ao município de São Manuel, assim permaneceu até 1959, quando ganhou autonomia político-administrativa por força da Lei Estadual nº 5285.

Na segunda-feira (3), a cidade completa 62 anos de história, que, mais uma vez, não podem ser celebrados com festa em razão da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que tem trazido inúmeras dificuldades e desafios ao Poder Público e também à população em geral, não apenas no que diz respeito à saúde pública, mas também na economia, na assistência social e muitas outras áreas.

Para o prefeito Antonio Marcos dos Santos, o Toni (PL), que exerce seu segundo mandato, o maior desafio dos próximos meses é encontrar um meio termo entre a retomada das atividades econômicas e o enfrentamento à pandemia, o que requer a colaboração de todos. Em entrevista concedida à reportagem de O ECO, ele comenta sobre este e outros assuntos. Confira os principais trechos.

O ECO – Como é comemorar o aniversário da cidade em um tempo tão difícil de pandemia, que requer vários esforços da Administração Pública?

Toni – Pelo segundo ano consecutivo, comemoramos o aniversário de Areiópolis de uma forma diferente, sem o contato com o povo. É difícil, mas necessário. Diante de tanta dificuldade, o que nos resta é acreditar no trabalho de nossos profissionais da saúde, todos que estão inseridos no combate à Covid-19. Tenho esperança não só na medicina, mas na ciência, na vacina que tem trazido um pouco de alento e já demonstra resultado entre a população vacinada. Temos conseguido cumprir o cronograma estabelecido pelo Plano Nacional de Imunização, andando até alguns passos à frente, vacinando os idosos em casa e evitando que eles precisem se expor.

O ECO – Essa estratégia deve ser mantida conforme a vacinação for avançando para outras faixas etárias ou vocês planejam abrir um local fixo para a aplicação das doses?

Toni – Pretendemos fazer a vacinação de casa em casa apenas nos grupos de risco. Posteriormente, vamos montar pontos de vacinação com drive-thru, pois, conforme a faixa etária vai diminuindo, o número de pessoas aumenta, o que inviabiliza a manutenção deste formato.

O ECO – Mudando de assunto, a Prefeitura Municipal entrou com uma ação judicial contra a Sabesp por conta de problemas no fornecimento de água. O que tem ocorrido exatamente?

Toni – A Sabesp não tem cumprido o que está no contrato de concessão do serviço. Em defesa do munícipe, que não pode ser lesado por conta disso, ingressamos com uma ação para que a empresa garanta o fornecimento de água e a coleta de esgoto. Temos tido muitos problemas de falta de água nos últimos meses e isso prejudica muito os moradores em horários de pico, na hora que as pessoas chegam do trabalho.

O ECO – Isso tem acontecido em locais específicos ou é um problema geral?

Toni – São problemas que ocorrem mais na parte alta da cidade, em bairros como Cohab, Plínio Targa, Vila Cremer, Jardim Karina, Parque Lourenção e Bem Viver, que são abastecidos pelos reservatórios localizados na Cohab. A Sabesp anunciou a perfuração de um novo poço para poder atender a demanda, mas não é só o fornecimento de água que tem sido prejudicado. Os serviços de manutenção também estão deixando muito a desejar.

O ECO – Já houve um retorno da Justiça?

Toni – Ainda não. Ingressamos com a ação nesta semana – na terça-feira (27) – e estamos aguardando uma resposta.

O ECO – Você tem ido bastante a São Paulo para tratar de diversos assuntos de interesse do município, inclusive nessa quarta-feira (28). O que foi tratado?

Toni – Estive no Palácio dos Bandeirantes, em uma audiência com o senhor Fernando Fernandes, subsecretário da Secretaria do Desenvolvimento Regional, para tratar da liberação de recursos para a revitalização da Rua Dr. Pereira de Resende, a Rua do Comércio. É um local que não recebe nenhum tipo de investimento há muitos anos, cuja revitalização vai beneficiar tanto os comerciantes quanto a população que utiliza a área para suas compras. Também fiz um pedido de doação do prédio da Casa da Agricultura, que é do Governo do Estado e está fechado. Pretendemos utilizar o espaço para a implantação de serviços à população, como um Poupatempo, por exemplo.

O ECO – Recentemente, você também esteve na capital para discutir assuntos referentes ao conjunto habitacional que a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) vai implantar em Areiópolis. Quais as novidades?

Toni – A CDHU assumiu a execução das obras, que antes eram de responsabilidade da Caixa Econômica Federal. São 73 unidades que se somam a outras 100 que entregamos no ano passado. O sorteio já foi feito, também no ano passado, e agora aguardamos o início das obras. A CDHU já está com a licitação em andamento para contratar a empresa que vai fazer a parte de infraestrutura do loteamento, que é um complemento do Conjunto Habitacional Geraldo Cavalheiro. A previsão é de que essa parte seja concluída ainda neste ano. Depois, é preciso fazer outra licitação para contratar a empresa que vai construir as casas. Também fiz a solicitação para a construção de mais 34 unidades na Rua João Paulo II, a última rua do bairro Nosso Teto. O local já tem toda a infraestrutura e os lotes pertencem ao município. Fomos recebidos pelo secretário de Habitação, Flávio Amary, que sinalizou positivamente. Estou confiante que conseguiremos mais essas unidades.

O ECO – Seu segundo mandato acaba de completar quatro meses. Qual a sua avaliação em relação a este início de governo?

Toni – Faço um balanço positivo da parte administrativa e financeira. A Prefeitura Municipal de Areiópolis tem uma situação financeira melhor e, administrativamente, está melhor gerida, mais organizada. Conseguimos superar os problemas que tínhamos há quatro anos, honrando os compromissos firmados. Estamos até acima das expectativas, pois acreditávamos que precisaríamos de uns 10 anos para acertar as finanças, mas acredito que conseguiremos zerar todos os problemas em um prazo bem menor.

O ECO – Em relação à pandemia, qual o balanço do enfrentamento até aqui?

Toni – O principal problema deste início de ano é a pandemia. Tivemos mais do que o dobro de mortes em relação ao ano passado (na verdade, as nove mortes registradas em 2021 representam o triplo das três ocorridas em 2020). Isso gera uma tristeza muito grande, porque, infelizmente, perdemos amigos, familiares. Não são números, são pessoas, vidas, amores perdidos. Enfrentamos tudo de cabeça erguida, colocando toda nossa equipe de saúde à disposição, ampliando o atendimento de segunda a segunda. Criamos uma ala de enfermaria, mantida exclusivamente com recursos do município, já que não estamos recebendo recursos da União. No período em que os hospitais da região estavam com 100% de ocupação, mantivemos pacientes aqui, tratamos e curamos aqui. Com bastante dificuldade, estamos trabalhando para preservar a vida da população, empregando nossos recursos e energias para cuidar do nosso povo. Os casos têm diminuído razoavelmente, mas não podemos afrouxar. A pandemia não acabou e precisamos manter os cuidados para que as contaminações não voltem a subir e os hospitais tenham como receber nossos pacientes.

O ECO – Diante do contexto atual, qual a perspectiva para os próximos meses?

Toni – Nosso maior desafio é conseguir encontrar um meio termo entre a retomada da atividade econômica e o enfrentamento à pandemia. Acredito que é possível fazer as duas coisas, com critério e respeito às recomendações das autoridades sanitárias. É um desafio de todos, do Poder Público e da população. Precisamos gerar oportunidades para as pessoas que perderam seus empregos e necessitam retornar ao mercado de trabalho. Temos buscado recursos e negociado parcerias. A cidade está se desenvolvendo, buscando seu espaço. Um grande problema é que a população perdeu seu poder de compra, pois o salário não acompanhou a inflação. Podemos dizer que a população empobreceu no Brasil. O pai e a mãe de família, que vão ao supermercado, ao posto de combustível, tem sentido no bolso. Mas temos esperança em dias melhores.

O ECO – Para encerrar, qual mensagem você deixa para a população areiopolitana?

Toni – Agradeço a Deus pela oportunidade de comemorar mais um aniversário como prefeito de Areiópolis, cidade de um povo guerreiro e trabalhador. Deixo aqui o meu carinho e meu amor por essa terra, por essa gente que tanto luta pelo desenvolvimento de nosso município. Vamos sempre seguir em busca do melhor de cada um de nós. Pelos 62 anos de Areiópolis, deixo os parabéns a todos os moradores que ajudam a construir uma cidade cada vez melhor.

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