Região de Bauru segue na Fase Vermelha

Restrições impostas no dia 22 de janeiro devem seguir pelo menos por mais 15 dias

A reclassificação das regiões no Plano São Paulo, anunciada no início da tarde dessa sexta-feira (19) pelo governador João Doria (PSDB), frustrou as expectativas dos prefeitos, comerciantes, prestadores de serviço e população das cidades da região de Bauru, que mais uma vez foi mantida da Fase Vermelha, a mais restritiva dentro do plano de retomada da economia. O mesmo ocorreu com a região de Araraquara, que também permaneceu com regras mais rígidas. Já as regiões de Barretos e Presidente Prudente foram rebaixadas da Fase Laranja.

Com a manutenção da classificação pela segunda vez consecutiva, desde o rebaixamento ocorrido no dia 22 de janeiro, a região do DRS (Departamento Regional de Saúde) de Bauru completará, pelo menos, 45 dias da Fase Vermelha, que permite apenas o funcionamento de atividades consideradas essenciais, como farmácias, supermercados e padarias, que devem seguir os rigorosos protocolos recomendados pelas autoridades sanitárias (uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento), além de respeitar a limitação de horários e acesso de clientes.

Na teoria, a classificação na Fase Vermelha implica no fechamento de bares, restaurantes e comércio em geral. Como houve no início da quarentena, ainda no primeiro semestre do ano passado, diversas cidades da região promoveram algumas flexibilizações tentando manter o fomento mínimo da economia. Entretanto, prestes a completar um mês sem atendimento direto ao público, comerciantes e profissionais do setor de serviços têm sentido duramente os impactos das imposições do governador João Doria, alvo frequente de manifestações.

É o que revela José Antonio Silva, o Neno, presidente da Acilpa (Associação Comercial e Industrial de Lençóis Paulista), que na última sexta-feira (12) coordenou uma manifestação com centenas de comerciantes locais, que realizaram uma carreata para cobrar a reabertura do comércio, além da implantação de mais leitos para o tratamento de pacientes de Covid-19. “Já são quase 11 meses nesse abre e fecha e ninguém aguenta mais. Muitos comerciantes não terão condições de reabrirem as portas, porque estão cada vez mais endividados, impedidos de trabalhar”, destaca.

Para o presidente da Acilpa, o agravamento do problema não está relacionado às atividades econômicas, mas a práticas que seguem ocorrendo ilegalmente. “Os comerciantes lençoenses sempre atuaram de acordo com os protocolos recomendados pelas autoridades sanitárias e não podem ser penalizados pela irresponsabilidade de outras pessoas. Estamos pagando um preço alto por algo que não causamos, enquanto continuamos vendo eventos clandestinos, festinhas e churrascos, que são o grande problema”, reclama Neno.

O presidente da Acilpa completa dizendo que espera que a pressão que tem sido feita pelos prefeitos da região surta efeito para a celeridade na implantação de mais leitos para o tratamento de pacientes com Covid-19 na região do DRS de Bauru. “Um dos pontos apontados para a manutenção de nossa região na Fase Vermelha é a ocupação hospitalar, mas até agora não vimos avanço em relação aos leitos que foram prometidos pelo Governo do Estado. Sabemos que uma oferta maior de vagas nos hospitais melhoraria a situação. Esperamos uma resposta”, conclui.

Prefeitos cobram agilidade na implantação de leitos
MARCHA DE PREFEITOS – Liderados por Prado e Pardini, grupo de prefeitos esteve em São Paulo na quarta-feira (17) (Foto: Divulgação)

Procurado pela reportagem de O ECO, o prefeito Anderson Prado de Lima (DEM), que na tarde da quarta-feira (17), ao lado de Mário Pardini (PSDB), prefeito de Botucatu, liderou uma marcha de prefeitos para São Paulo, foi suscinto em suas palavras, demonstrando bastante descontentamento com a questão. “Espero, sinceramente, que o Comitê de Contingência do Coronavírus avalie o pedido dos 47 prefeitos para compartilhar os leitos de UTI de todo o estado, conduzindo São Paulo a um faseamento único dentro o índice de ocupação global”, disse Prado.

No encontro, realizado no Palácio dos Bandeirantes com a participação de Rubens Cury e Marco Vinholi, secretários Executivo e de Desenvolvimento Regional do Governo do Estado, a principal cobrança foi justamente em relação à implantação dos mais de 200 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e enfermaria prometidos no início deste mês, com investimento na ordem de R$ 20 milhões, segundo o próprio governo. Falando em nome de 47 prefeitos da região, Prado e Pardini reivindicaram agilidade na condução da pauta.

Outra solicitação foi a revisão do modelo de avaliação do Plano São Paulo. Os prefeitos pedem o fim na classificação regional, que, para eles, estaria prejudicando as cidades do DRS de Bauru, que tem, na comparação com outras regiões, número inferior de leitos para cada 100 mil habitantes. Com 15,2 leitos para cada 100 mil habitantes, a região registrava, na tarde dessa sexta-feira (19), ocupação de 92,6% dos leitos de UTI e de 61,5% dos leitos de enfermaria, fator que contribuiu bastante para a manutenção na Fase Vermelha.

Anderson Ferreira, prefeito de Macatuba, que também esteve em São Paulo, seguiu a mesma linha. “Com esses novos leitos, tenho certeza que o cenário hospitalar vai melhorar e, assim, teremos mais possibilidades de avançar de fase no Plano São Paulo. Outra alternativa é considerar o índice geral das vagas de UTI no território paulista, algo que também solicitamos ao Governo do Estado. Enquanto nada disso ocorre, precisamos seguir as restrições impostas a nós, mesmo que elas possam parecer exageradas em alguns momentos”, disse.

Em nota, o Governo do Estado segue atento à demanda e tem procurado agir da forma mais eficiente possível, inclusive na região de Bauru. Afirmou que a Secretaria de Desenvolvimento Regional “[…] está debruçada na solução das demandas dos municípios e no compromisso firmado” e que a Secretaria de Saúde “[…] tem atuado para salvar vidas e combater a pandemia de Covid-19 e todas as aberturas de leitos estão sendo pactuadas com os municípios. A previsão dada aos prefeitos foi de que os leitos prometidos estejam em operação em março.

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