Estudantes universitários reclamam de preço cobrado por transporte

A exemplo de Lençóis Paulista, o transporte universitário em Macatuba tem gerado reclamações por parte dos estudantes. Diferente daqui, onde os universitários contratam empresas que prestam o serviço e solicitam o auxílio-transporte à Prefeitura Municipal – benefício cancelado até o momento -, na cidade vizinha é a própria administração que fornece os veículos para o transporte e cobra dos estudantes uma parte dos custos, subsidiando o restante.
O valor cobrado este ano tem sido questionado por alguns estudantes, que entendem que ele está "fora da realidade" e reclamam ainda da falta de aviso prévio, como destaca Anderson Lima, estudante do 3ª ano de publicidade na Unip, em Bauru. "Nos outros anos já houve reajuste, mas os valores nem se comparam. Subia entre R$ 5 e R$ 10 por ano, mas desta vez os valores mais que dobraram em alguns casos. Isso é fora da realidade. Sequer fomos avisados com antecedência", reclama.
No ano passado, conforme apurou o Jornal O ECO, o valor cobrado era o mesmo para todos os estudantes, R$ 84. Este ano, alguns estão pagando R$ 197. A Prefeitura de Macatuba explicou por meio de sua assessoria de imprensa que o fato se deve a adoção de critérios para o cálculo dos valores, que levam em conta a quilometragem percorrida por cada estudante e a ocupação dos veículos de cada linha, o que, na prática, significa que cada usuário será cobrado com base no serviço utilizado.
A assessoria informou ainda, que existem os casos extremos, como o dos alunos da FIB, em Bauru – linha mais longa entre as existentes -, que tiveram um aumento maior (134%), mas também existem os alunos que foram beneficiados pela medida, como no caso dos alunos da Facol, em Lençóis – linha mais curta entre as existentes -, que tiveram redução de cerca de 10% no valor pago. A reportagem não conseguiu contato com estudantes de nenhuma das duas faculdades.
Na linha que vai até a FMR, em São Manuel, a reclamação é também em relação ao critério da lotação dos veículos. Com a demanda menor que nas outras faculdades, o valor pago pelos estudantes acaba sendo maior. "Percorremos uma distância menor do que quem estuda em Bauru, mas estamos pagando mais caro. O valor subiu de R$ 84 para R$ 182. Depois que reclamamos, baixaram para R$ 139, mas no primeiro semestre, ao invés de pagarmos cinco parcelas vamos pagar seis. Ficou na mesma", relata Aline Fernanda Jordão, estudante do 4º ano de direito.
Outro ponto destacado são as más condições dos veículos utilizados no transporte, que segundo alguns universitários, quebram com frequência, têm pneus estourados na pista, entre outros problemas. "Não é justo que a gente pague mais para utilizar veículos sem nenhuma estrutura, com estudantes viajando em pé até Bauru por conta de bancos quebrados, com água entrando no ônibus quando chove, sem ar-condicionado, sem nenhum conforto", ressalta André da Silva, estudante do 2º ano de design na USC, em Bauru.
Em relação às condições dos veículos, a assessoria disse que já está em andamento um processo de licitação para o conserto de dois ônibus que estão parados e substituirão os que circulam em caráter emergencial. Existe também o projeto para aquisição de um ônibus novo.
Sobre os valores questionados, foi informado que não existe previsão, a curto prazo, de que os critérios sejam revistos, já que o município sofre com a queda na arrecadação. Em Macatuba não existem critérios de renda para concessão do benefício e todos os estudantes têm direito ao transporte. Cerca de 500 utilizam o serviço. Em 2015, foram investidos R$ 1,3 milhão para subsidiar o transporte, enquanto, segundo a assessoria, os estudantes arcaram com R$ 350 mil, o que seria inviável com a atual situação econômica do município.
Na manhã de quinta-feira (18), um grupo de cerca de oito estudantes esteve reunido com o prefeito Tarcísio Abel para discutir o assunto. Insatisfeitos com as justificativas, eles organizaram uma manifestação para a tarde de ontem (19) na frente da Prefeitura Municipal.

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