Economia ensaia retomada a partir da segunda-feira

PACTO FIRMADO – Lençóis Paulista aderiu ao Pacto Regional, união entre as cidades para traçar estratégias para retornarem às atividades normais

As Prefeituras Municipais de Lençóis Paulista, Borebi, Macatuba e de outras 36 cidades da Região Administrativa de Bauru assinaram na última terça-feira (26) o Pacto Regional, uma união para traçar estratégias de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). O Pacto busca preparar os municípios, tendo como estratégia a implantação de protocolos, ações e processos de monitoramento que permitirão a criação de cenários para a retomada das atividades econômicas, por meio de dados científicos e epidemiológicos. Areiópolis, que também integra a região de circulação do Jornal O ECO, não assinou o referido Pacto por fazer parte de outra Região Administrativa, a de Sorocaba.
A propositura assinada pelos municípios que integram a Região Administrativa de Bauru estabelece e estrutura a retomada das atividades por meio de três eixos: Vida e trabalho (normas e conduta), Cidade Preparada (Ações) e Município Seguro (Monitoramento). Os cenários vão de lockdown (1), passando por atividade essencial (2), abertura parcial (3), abertura quase total (4) e retomada à normalidade (5). Os critérios analisados para determinar qual cenário as cidades se encaixam são estatísticos, científicos e epidemiológicos. 
Todas as medidas e decisões serão validadas por meio de decretos editados pelos respectivos prefeitos dos municípios que integram o Pacto. O prefeito de Lençóis Paulista, Anderson Prado de Lima (DEM), lembra que todas as decisões e medidas serão adotadas de forma colegiada pelos prefeitos. “É importante dizer que as cidades serão fiscalizadas e monitoradas para o estabelecimento do regramento para o avanço ou retrocesso em cada cenário de abertura”, esclarece. “Todas as medidas e decisões serão validadas por meio de decretos editados pelos respectivos chefes do Poder Executivo dos municípios que integram o Pacto. É uma união de formas, uma construção coletiva”, completa.
Prado de Lima também faz questão de ressaltar a união entre os prefeitos, que tem sido essencial para o retorno gradativo das atividades econômicas. “Caberá a cada município ter muita responsabilidade diante desta flexibilização, mas vale a pena lembrar que, sem o apoio da comunidade, não há Pacto Regional que prospere. E é diante deste compromisso que, no dia 1 de junho, estaremos, de forma gradativa, estabelecendo a vida como ela era, com barreiras sanitárias e respeitando níveis de isolamento”, destaca o prefeito lençoense.
Marcos Olivatto (PL), prefeito de Macatuba, garante que a cidade seguirá o Pacto à risca. “Eu considero positiva a flexibilização, diante das exigências sanitárias e da margem de segurança dos índices. E, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Macatuba está bem abaixo em número de casos”, pontua Olivatto, que também fala do empenho dos municípios para que este momento se consolidasse. “Com certeza, a união deu segurança para os prefeitos e municípios. Foi uma decisão em conjunto, na qual todos trabalharam para isso. Nos fortalecemos, gerando uma retaguarda para tomar as decisões e influenciar na retomada das atividades de forma setorizada no estado. Inclusive, acredito que deveria ter funcionado desta maneira antes, desde o início da pandemia, sem ter fechado tudo de uma só vez”, avalia.
O prefeito de Borebi, Antônio Carlos Vaca (PSDB), está internado no Hospital da Unimed de Bauru desde o final de semana passado e, por isso, não pôde se posicionar a respeito do assunto. Ele foi diagnosticado com Covid-19 e está respirando com o auxílio de aparelhos desde o início da semana. Segundo uma fonte consultada pela reportagem, seu quadro de saúde seria estável, mas grave. A Prefeitura Municipal da cidade vizinha tem se negado a dar detalhes sobre o caso, mesmo se tratando de uma pessoa pública.
Entenda o Plano São Paulo
O Pacto Regional foi encaminhado ao Palácio dos Bandeirantes e à equipe do governador João Doria (PSDB), que já havia sinalizado pela flexibilização da quarentena. Tal tendência se confirmou na quarta-feira (27), quando Doria anunciou o chamado Plano São Paulo, que prevê a reabertura de setores da economia durante a quarentena de enfrentamento ao coronavírus. A partir da segunda-feira (1), índices de ocupação hospitalar e de evolução de casos em 17 regiões do estado vão definir cinco níveis restritivos de retomada produtiva segundo critérios médicos e epidemiológicos para que o sistema de saúde continue em pleno funcionamento.
As normas do estado autorizam prefeitos de cidades a conduzir e fiscalizar a flexibilização de setores segundo as características dos cenários locais. Os pré-requisitos para a retomada são adesão aos protocolos estaduais de testagem e apresentação de fundamentação científica para liberação das atividades autorizadas no Plano São Paulo.
As cinco fases do programa vão do nível máximo de restrição de atividades não essenciais (vermelho) a etapas identificadas como controle (laranja), flexibilização (amarelo), abertura parcial (verde) e normal controlado (azul). O objetivo da classificação é assegurar atendimento de saúde à população e garantir que a disseminação do coronavírus em níveis seguros para modular as ações de isolamento.
As fases são determinadas pelo acompanhamento semanal da média da taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) exclusivas para pacientes contaminados pelo coronavírus e o número de novas internações no mesmo período. Uma região só poderá passar a uma reclassificação de etapa – com restrição menor ou maior – após 14 dias da fase inicial, mantendo os indicadores de saúde estáveis.
Nenhuma das 17 regiões do estado de São Paulo está na zona azul, que prevê a liberação de todas as atividades econômicas, nem na verde, na qual os municípios poderão atenuar as restrições ao funcionamento de todos os setores da fase amarela. Academias de ginástica e centros de prática esportiva também voltarão a receber frequentadores, desde que respeitados limites de redução de atendimento e as regras sanitárias definidas para o setor.
Em todos os 645 municípios, a indústria e a construção civil seguem funcionando normalmente. A interdição total de espaços públicos, teatros, cinemas e eventos que geram aglomerações – festas, shows, campeonatos etc. – permanece por tempo indeterminado. A retomada de aulas presenciais no setor de educação e o retorno da capacidade total das frotas de transportes seguem sem previsão. 
Lençóis Paulista, Borebi e Macatuba, que fazem parte da Região Administrativa de Bauru, se encontram na fase amarela, na qual haverá reabertura total de serviços imobiliários, escritórios e concessionárias segundo protocolos sanitários. Comércio de rua, shoppings e salões de beleza, além de bares, restaurantes e similares, poderão funcionar com restrições de horário e fluxo de clientes.
Areiópolis, que pertence à Região Administrativa de Sorocaba, foi classificada como etapa laranja, que prevê retomada com restrições a comércio de rua, shoppings, escritórios, concessionárias e atividades imobiliárias. Os demais serviços não essenciais continuam fechados. O Jornal O ECO enviou ao prefeito de Areiópolis, Antonio Marcos Dos Santos, o Toni Cadete (PL), uma série de questionamentos a respeito do assunto, mas o chefe do Executivo não retornou o contato até o fechamento desta edição.
O decreto que dispões sobre as regras e critérios que deverão ser seguidos para a reabertura em Lençóis Paulista deve ser publicado neste sábado (30). Nas demais cidades da microrregião a expectativa é que as publicações sejam feitas na segunda-feira (1).

destaques