Descarte de 400 kg de feijão causa polêmica em Macatuba

Prefeitura diz que produtos foram entregues vencidos e estragados; Câmara cobra respostas

A semana foi marcada por uma polêmica envolvendo uma denúncia sobre descarte de uma grande quantidade de feijão pela Prefeitura Municipal de Macatuba. Os produtos, enviados pelo Governo do Estado de São Paulo ao Fundo Social de Solidariedade do município, deveriam ter sido incluídos na montagem de cestas básicas destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade social afetadas pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), mas acabaram sendo inutilizados.

O caso chegou ao conhecimento da Câmara Municipal local, que publicou uma nota na quinta-feira (13), após a situação ser verificada por alguns vereadores. De acordo com as informações, foi constatada a incineração de cerca de 400 quilos de feijão com data de validade vencida, além de uma pequena quantidade de farinha de trigo. O Poder Legislativo se manifestou dizendo que encaminhou um ofício solicitando esclarecimentos ao prefeito Anderson Ferreira (PODE).

“Nas fotos tiradas no local, constatou-se que alguns sacos de feijão haviam sido empacotados no dia 07/07/2021 e com vencimento no dia 07/01/2022. Portanto, a administração pública teria seis meses para realizar a entrega das cestas antes do vencimento. A incineração do produto vencido ocorreu nesta semana, no dia 12 de janeiro. Diante dos fatos, a Câmara Municipal protocolou na Prefeitura, na tarde do dia 12, um ofício pedindo informações ao prefeito”, diz a nota.

O ofício, assinado pelos vereadores Júlio Saes (PTB) Cristiano Mendes (PL) e Paulo Neves (MDB), ao qual a reportagem de O ECO teve acesso, faz diversos questionamentos. Entre outras coisas, os parlamentares querem saber quando os produtos foram recebidos; se houve conferência na data da entrega ao Fundo Social de Solidariedade; e o motivo de os alimentos não terem sido entregues antes do vencimento junto com as cestas básicas destinadas às famílias carentes.

Também por meio de nota, a Prefeitura Municipal disse que “O Fundo Social de Solidariedade de Macatuba recebeu no mês de julho cestas básicas do Governo do Estado de São Paulo. Ao fazer uma conferência de rotina, antes de repassar às famílias carentes do município […] verificou-se que muitas embalagens de feijão estavam estragadas e com larvas, vencidas ou com datas de vencimento muito próximas – total de 400 kg do produto impróprio para o consumo”.

O comunicado oficial também afirma que “Em contato com a Coordenadoria regional do Fundo Social do Estado de São Paulo, a orientação foi para que comprássemos o item e repuséssemos na cesta básica. Como o Fundo Social de Solidariedade de Macatuba conta com o produto em estoque por conta de campanhas realizadas durante o ano, o item foi trocado e as cestas básicas enviadas às famílias carentes em condições normais. Já o feijão vencido foi incinerado”.

Ainda de acordo com a nota, “O Fundo Social de Solidariedade de Macatuba entrou em contato com o Procon-SP para notificar a cerealista responsável pela marca do feijão e ficou constatado que a mesma teria decretado falência e fechado as portas”. A reportagem solicitou à assessoria de imprensa de Macatuba dados sobre a empresa citada e foi informada que trata-se da WMA Brasil Comércio de Alimentos Eireli, que fornecia o feijão da marca “Grão Ouro”.


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