De saída do governo, prefeito de Macatuba avalia que fez um bom trabalho

Segundo Marcos Olivatto, Prefeitura Municipal fica com mais de R$ 8 milhões em caixa

Prestes a deixar o cargo que ocupou pelos últimos quatro anos, o prefeito de Macatuba, Marcos Donizetti Olivatto (PL), acredita que fez um bom trabalho na administração da cidade vizinha. Em sua avaliação, entrega a Prefeitura Municipal em condições muito melhores do que recebeu de seu antecessor, Tarcisio Mateus Abel (PTB), e garante que Anderson Ferreira (PODE), prefeito eleito que assume nesta sexta-feira (1), terá plenas condições de trabalhar com tranquilidade em seu início de gestão.

Eleito com apoio de 7.537 eleitores macatubenses (76,25% dos votos válidos) nas eleições de 2016, vencendo José Bento de Jesus, o Zé Buraco (PMB), com 1.810 votos (18,31%), e Leonildo Silverio, o Léo (PRB), com 537 votos (5,43%), Olivatto já havia disputado uma eleição como candidato a vice-prefeito na chapa de Coolidge Hercos Junior (MDB), em 2000, mas o vencedor daquele ano foi José Gino Pereira Neto (PDT).

Neste ano, tentou a reeleição novamente tendo como vice Amauri Antônio Bornello (PV), porém, com 2.986 votos (30,22%), acabou sendo superado por Anderson Ferreira, que obteve 3.493 votos (35,35%) ao lado de Claudinei Corrêa Leite de Moraes (PODE). Também concorreram as chapas formadas por Fabrício José Gino Pereira e Aline Mariana Ronque, ambos do PSD, com 1.818 votos (18,40%), e por Tarcisio Mateus Abel e Carlos Augusto Vanni, o Carlinhos (CIDA), com 1.585 votos (16,04%).

Com 53 anos de idade, Olivatto é casado e pai de duas filhas e, além de ser empresário (possui uma fábrica de vassouras), atua há 38 anos como servidor na Prefeitura Municipal, onde, após um período de férias, voltará a desempenhar suas funções. Na entrevista, inclusive, revela que já se colocou à disposição do próximo prefeito para contribuir no que for preciso. Também garante que seguirá trabalhando pelo bem da cidade, mesmo após aposentadoria. Confira os principais trechos:

O ECO – O que você pode dizer da experiência de ter sido prefeito de Macatuba nos últimos quatro anos?

Olivatto – Sem dúvida, é uma grande experiência. Vou levar essa bagagem para o resto da minha vida. Tivemos momentos difíceis no governo; como o mini ciclone que passou pela cidade no início de 2019, deixando um rastro de destruição para recuperarmos; como a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), situação nunca antes enfrentada pelo mundo. Fico satisfeito por termos conseguido passar por esses momentos difíceis mantendo a cidade ‘caminhando’.

O ECO – Você acredita que a pandemia foi o que mais marcou sua administração?

Olivatto – Com certeza.  Creio que todas as pessoas que estão governando vão carregar isso para sempre. A pandemia foi o que mais se destacou, porque a preocupação não foi apenas com a saúde, mas também com a economia, principalmente com o comércio, que foi o setor que mais sofreu. São dois lados, o do comerciante precisando trabalhar para honrar suas despesas e também o da segurança da população. Tivemos que achar um meio termo para as coisas avançarem, sem prejudicar ninguém. Foi preciso encontrar um ponto de equilíbrio e essa foi uma missão nada fácil. Demos todo o suporte ao comércio. Adequamos os horários de atendimento, fizemos campanhas, distribuímos máscara, álcool em gel. Garantimos as condições para que todos seguissem trabalhando e sobrevivendo. Tivemos que modificar tudo, nos reinventar na saúde, na educação, na assistência social. A pandemia exigiu o máximo de mim, como prefeito, e também de toda a equipe da Prefeitura Municipal, mas acredito que demos conta do recado. Investimos muito na saúde e isso deu muito resultado. Foi um trabalho muito bom. Fico satisfeito por termos conseguido passar por esses momentos difíceis. Falando em saúde, não posso deixar de comentar sobre a Santa Casa, que teve uma atenção especial no meu governo. Quando assumi, a preocupação da população era sobre um possível fechamento do hospital. Diante disso, aumentamos o repasse em 70%, reformamos e equipamos o Pronto-Socorro, aumentamos o número de médicos de plantão. Também fico feliz por tudo isso, porque todos, uma hora ou outra, dependem de lá.

O ECO – O que você pode dizer da participação da iniciativa privada no enfrentamento à pandemia?

Olivatto – Foi algo importantíssimo. Conseguimos arrecadar muita coisa, cestas básicas, equipamentos para a Santa Casa, álcool, álcool em gel, máscaras. A participação das empresas foi fundamental, não apenas na pandemia, como na época do ciclone.

O ECO – Nesses quatro anos, o que você elege como o ponto mais positivo. O que te deixa mais feliz em seu governo?

Olivatto – O que me deixa mais feliz são as obras que estamos conseguindo entregar. Na semana passada teve a entrega das chaves das 162 casas da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). Estive no bairro e pude sentir no olhar de cada morador a felicidade de ter a casa própria e sair do aluguel. Quando assumi, em 2017, o terreno já havia sido adquirido, mas foi necessário muito empenho para erguer essas casas, viabilizar a infraestrutura, iluminação, interligação dos bairros. Macatuba não recebia casas populares há 20 anos e me sinto feliz por ter entregue essas moradias.

O ECO – Além das moradias, o que mais você destaca nesta parte?

Olivatto – Também investimos muito nas praças esportivas. Fizemos dois campos society, reformamos e voltamos a iluminar o estádio municipal. Também tem a quadra de tênis que estamos fazendo no CART (Centro de Apoio e Recreação do Trabalhador), as piscinas olímpicas que não conseguiremos entregar, mas vão voltar a funcionar no próximo governo. Isso é motivo de orgulho para nós, de deixar a cidade bem melhor do que quando assumimos. Também tem o Parque da Figueira, que é uma aérea de lazer que acabou virando um cartão postal da cidade, com pista de caminhada, banheiros, parquinho para as crianças, lago para pesca, pomar com árvores frutíferas, algumas até já produzindo. Um local que até poderá ser utilizado para a educação ambiental quando voltarem as aulas presenciais. Ainda tem as reformas. As obras da Creche Santo Antonio entregaremos com uns 80% concluídos. Reformamos o Teatro Municipal e o Centro Cultural. Além de tudo isso, fizemos recape em muitas ruas da cidade.

O ECO – Um problema urgente da cidade era encontrar uma saída para a saturação do cemitério municipal. Você conseguiu avançar no projeto de construção de um novo local. Como está essa questão?

Olivatto – Vamos entregar (o novo cemitério) na terça-feira (ontem). Já saíram todas as licenças necessárias e, se for preciso, já será possível fazer sepultamentos lá. O velório também está sendo concluído. Investimos cerca de R$ 2 milhões, contando com o acesso, asfalto, iluminação. Entregaremos um cemitério parque que resolverá o problema por muitos anos. Nenhum prefeito gosta de fazer cemitério, mas é uma necessidade. Esse era um problema que me tirava o sono, porque o atual cemitério não tem mais capacidade.

O ECO – Em relação às finanças, como você entregará a Prefeitura Municipal? Seu governo deixará dinheiro em caixa?

Olivatto – Sim. Vou deixar um bom dinheiro em caixa. Ainda não tenho o valor exato, mas deve ser algo entre R$ 8 milhões e R$ 9 milhões, uma coisa que jamais um prefeito que passou por aqui fez. Assumi a administração com muita dificuldade, com as finanças comprometidas, a frota sucateada, sem estoque de nada. Não gosto de ficar falando, mas a verdade é essa. Ainda existem problemas, mas coloquei a casa em ordem. Também devo pagar o banco de horas dos servidores e antecipar o pagamento de janeiro para dezembro. Quero deixar tudo certo para o próximo prefeito sentar aqui e trabalhar com tranquilidade, diferente do que ocorreu comigo.

O ECO – Você avalia que entregará a Prefeitura Municipal de Macatuba nas melhores condições possíveis?

Olivatto – Com certeza. O próprio Anderson (Ferreira) comentou sobre isso. É claro que sempre fica uma pendência ou outra, mas a parte ‘grossa’ estará em condições. Com dinheiro em caixa, as coisas ficam mais fáceis. É possível dar atenção aos projetos. Além disso, também conseguimos fazer muita coisa e poderíamos ter feito mais se a pandemia não tivesse atrapalhado.

O ECO – Em entrevista recente ao jornal, o prefeito eleito, Anderson Ferreira, revelou que a transição de governo tem acontecido de forma tranquila, porque você tem sido muito prestativo e contribuído em todos os sentidos. O que você pode dizer desse processo pela visão de quem está saindo?

Olivatto – Ele tem vindo aqui (na Prefeitura Municipal) e temos conversado muito. A equipe dele também está indo nos departamentos para se inteirar sobre os assuntos necessários para iniciar o trabalho a partir do dia 2 de janeiro. Está sendo tudo tranquilo. Tenho procurado trabalhar com responsabilidade até o último dia para que o próximo governo tenha boas condições para administrar a cidade. Na semana passada, inclusive, juntamos e cadastramos toda a documentação referente a uma emenda de quase R$ 1 milhão, um recurso federal que ele poderá contar. Eu sei que todo início de governo não é fácil, requer tempo e muita conversa, mas estamos colaborando com tudo o que ele está precisando.

O ECO – Pela experiência de quem ocupa o cargo de prefeito há quatro anos, qual você acredita que será o maior desafio da próxima gestão?

Olivatto – Se não sair logo uma vacina contra o novo coronavírus (Covid-19), o maior desafio, certamente, continuará sendo a pandemia. Acredito que o Anderson (Ferreira) já começa com uma grande preocupação na área da saúde, como todos os prefeitos que assumem a partir de janeiro. Se der tudo certo com a vacina, as coisas vão amenizando, mas tudo ainda está muito incerto.

O ECO – Você é servidor de carreira da Prefeitura Municipal de Macatuba e também tem uma empresa na cidade. O que pretende fazer a partir de janeiro, quando deixar o cargo de prefeito?

Olivatto – Em quatro anos como prefeito, não me afastei. Trabalhei direto, sem descanso. Não que eu esteja reclamando, mas foi muito corrido, puxado. Então, primeiro vou tirar férias, descansar um pouco. Depois volto para a Prefeitura Municipal, onde sou servidor há 38 anos. Sou da parte administrativa e já conversei com o Anderson (Ferreira) para dizer que estarei à disposição para o que ele precisar. Minha aposentadoria não deve estar longe, mas vou continuar à disposição do município, ajudar no que puder com minha experiência de vida, de empresário e agora de prefeito. Tenho um amor muito grande por Macatuba e vou continuar fazendo o que estiver ao meu alcance. Talvez um dia eu vire nome de rua (risos).

O ECO – Para encerrar, qual mensagem você deixa à população macatubense?

Olivatto – De gratidão. Agradeço a todas as famílias macatubenses. Agradeço a todos os cidadãos que confiaram em mim há quatro anos. Agradeço aos que me deram seu voto em 2016 e nessa eleição. Também agradeço aos que não votaram. Agradeço a todas as pessoas da minha equipe. Agradeço a todos que me apoiaram nos momentos difíceis. Ser prefeito era um sonho e tenho orgulho de ter cumprido essa missão por quatro anos. Tive essa oportunidade e fiz o máximo para corresponder. Fico feliz, porque acredito que fiz um bom governo. Cumprirei meu juramento de trabalhar até o último dia e sairei de cabeça erguida. Desejo um feliz Ano Novo a todos de Macatuba, esta cidade onde eu nasci, que estará para sempre em meu coração.

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