Ocorrências aumentaram 60% neste ano

Estiagem prolongada, baixa umidade do ar e alta temperatura, aliadas à imprudência, foram alguns dos fatores para a elevação

As recentes ocorrências de queimadas observadas em diversas regiões do país, principalmente no Pantanal e na Amazônia, continuam deixado grandes rastros de destruição ambiental e patrimonial e também seguem colocando a vida de muitas pessoas em risco. Mas não são apenas essas localidades que têm sofrido com este problema. Os incêndios em regiões de mata também aumentaram consideravelmente neste ano em Lençóis Paulista e região.

O Corpo de Bombeiros local, que também cobre Macatuba e Borebi, revela que, entre os meses de maio e setembro, o número de ocorrências do tipo teve crescimento de cerca de 60% em comparação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o sargento Tadeu Bergamasco Urréa, comandante da base local, a estiagem prolongada, a baixa umidade relativa do ar e as altas temperaturas, aliadas à imprudência, foram os principais fatores para a elevação.

Na semana passada, por exemplo, uma extensa área de mata nativa localizada em uma fazenda de Macatuba, foi consumida pelo fogo, que levou mais de cinco horas para ser controlado pelos bombeiros com o auxílio de equipes da Defesa Civil e uma empresa agrícola do município. Segundo Bergamasco, a corporação sempre atua para minimizar, ao máximo, o impacto das ocorrências, dando sempre preferência à preservação da vida.

“Em primeiro lugar, vem a vida. Portanto, damos maior atenção a incêndios em residências, ao lado de rodovias, indústrias, escolas, etc. Em seguida, vem o meio ambiente, ocorrências voltadas à APP (Áreas de Preservação Permanente), reservas florestais e nascentes, que vão prejudicar o ecossistema. Em terceiro lugar nessa escala, vem o patrimônio, ou seja, um incêndio em um terreno ou mesmo em uma plantação de cana-de-açúcar, que vão se regenerar em pouco tempo”, destaca.

Bergamasco ainda reforça as principais medidas para evitar incêndios. “É importante manter os terrenos sempre limpos, capinados e sem o acúmulo de lixo. Se isso não ocorrer, a baixa umidade relativa do ar, as temperaturas elevadas e a ventilação fazem com que uma pequena quantidade de energia seja necessária para que aquele material aqueça e libere gases combustíveis. Por isso, a negligência é o principal fator para o início de um incêndio”, completa.

Fumaça tóxica deixa o corpo mais suscetível a doenças respiratórias

O número alto de queimadas registradas neste ano tem tirado o sono de muita gente. E não é à toa, afinal, além dos severos danos ao meio ambiente, ao patrimônio, elas podem trazer muitas implicações para a saúde das pessoas, já que a fumaça ocasionada pelos incêndios é extremamente tóxica e pode causar muitas complicações dependendo da maior ou menor exposição, principalmente para quem sofre com problemas respiratórios.

Segundo o clínico geral Sérgio Jordan, a fumaça das queimadas, combinada com as altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar, deixa o corpo mais suscetível a doenças, principalmente as que afetam o sistema respiratório, como asma e rinite. “É muito importante não esquecer de beber água, lavar as narinas com soro fisiológico, umedecer o ar (utilizando um umidificador de ambiente ou uma bacia de água nos cômodos) e evitar atividades físicas nas horas mais quentes do dia”, destaca o médico.

Nesta época de pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19), é importante procurar ajuda médica logo que os primeiros sintomas de desidratação e inflamação causada pela poluição das queimadas aparecerem. São eles: boca seca e pegajosa, pele seca, dores de cabeça, sonolência ou cansaço, tosse e dificuldade respiratória. “Todos estes sintomas podem se agravar na presença de uma infecção por vírus ou bactéria”, finaliza Jordan.

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