Lixo que vira renda

DEMANDA-Adefilp precisou reduzir colaboradores por conta da pandemia, mas aponta aumento na quantidade de materiais recicláveis(Foto:Flávia Placideli)

Além do Dia Mundial do Meio Ambiente, essa sexta-feira (5) foi marcada pela comemoração do Dia Nacional da Reciclagem, fundamental para a preservação dos recursos naturais. Em Lençóis Paulista, esse importante trabalho é realizado pela Cooprelp (Cooperativa de Reciclagem de Lençóis Paulista) e pela Adefilp (Associação dos Deficientes Físicos de Lençóis Paulista), que se dividem entre a coleta e a triagem dos materiais recicláveis separados pela população e pelas empresas locais.
Recolhendo uma média de 100 toneladas de materiais por mês, principalmente papel e plástico, a Adefilp iniciou o ano batendo recordes. Segundo o presidente Edson Santiago dos Santos, os picos de produção foram em janeiro e março, com 187 e 195 toneladas processadas, respectivamente. A meta era atingir um volume de 200 toneladas mensais, porém, como na maioria das atividades, o cenário mudou em decorrência da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).
Nos últimos dois meses houve uma queda considerável na produção, que não passou de 140 toneladas. De acordo com Santos, a baixa tem relação direta com redução do quadro de colaboradores da entidade, que empregava 54 pessoas e prestava auxílio a cerca de 200 famílias, mas teve que reduzir a equipe para apenas 17 pessoas, já que muitos que integram o grupo de risco, como idosos e portadores de comorbidades, estão em casa, recebendo o auxílio emergencial do Governo Federal.
Em contrapartida, a demanda pela reciclagem não parou nesse período. Como a Adefilp é responsável pela coleta, triagem e destinação adequada dos materiais produzidos pelas empresas, enquanto que a Cooprelp faz a coleta seletiva nas residências, houve aumento significativo, principalmente na rede de supermercados. “O caminhão ia recolher o material uma vez por dia, agora vai duas. Um aumento de 150% a 170%”, comemora o presidente.
Atento às orientações para evitar o contágio dos colaboradores que continuam em serviço, Santos revela que tanto a coleta quanto as atividades internas da Adefilp têm sido feitas de acordo com as recomendações das autoridades sanitárias, como uso de máscara de proteção e álcool em gel, distanciamento mínimo de dois metros entre os trabalhadores que ficam na esteira, além de mudanças no horário de almoço, com divisão da equipe em dois turnos para evitar aglomeração. 
Para o presidente, todos os cuidados visam garantir a segurança e a saúde de todos os colaboradores, para, assim que possível, não apenas retomar o ritmo, mas seguir com os planos de crescimento de acordo com o planejado. “Temos o desejo de até o meio do ano que vem trabalhar com 80 pessoas. Aumentar o barracão e a produção”, pontua Santos, que explica que a Adefilp prioriza associar pessoas com algum tipo de deficiência ou baixa renda.
UMA DATA A REFLETIR
Apesar dos bons números, Santos reforça que todos podem contribuir muito entendendo a importância da separação do lixo reciclável. “A Cooprelp e a Adefilp recolhem cerca de 20% de todo o material reciclável de Lençóis Paulista. Tem muito mais material que poderia ser reciclado, mas acaba indo para o aterro sanitário”, diz.
Para o presidente, a origem do problema é cultural e, por isso, a esperança de dias melhores vem das crianças. “Ainda não há a cultura da separação, de entender que o lixo é fonte de renda de outras pessoas. O trabalho nas escolas é muito importante para mudar essa questão”, completa.
Antes da pandemia, os colaboradores da Adefilp recebiam cerca de R$ 850 por mês, além de um bônus quando a associação conseguia bater suas metas. Outras famílias se beneficiavam recebendo remédios, cadeiras de rodas ou consultas particulares, quando necessário.

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