Lençóis Paulista contabiliza três estupros de vulnerável em 2021

Em 2020, foram registrados 31 casos; 63% a mais que no ano anterior

O dia 18 de maio foi a data escolhida para representar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data alerta para um crime recorrente no Brasil. De acordo com os dados mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, de 2019, a maior parte das vítimas de estupro no país possuem até 13 anos de idade (57,9%). Dos 66.123 casos de estupro registrados nas delegacias naquele ano, 18,7% foram cometidos contra vítimas entre cinco e nove anos de idade. 11,2% eram bebês de zero a quatro anos.

Os dados alarmantes, infelizmente, não estão longe da realidade de Lençóis Paulista. Estatísticas da Secretaria de Segurança Pública do Governo do Estado de São Paulo mostram que, em 2020, o número de casos de estupro de vulnerável cresceu 63% no município em relação à 2019, passando de 19 para 31 ocorrências. Em 2021, até o momento, três estupros de vulnerável já foram contabilizados na cidade. A realidade, no entanto, pode ser mais alarmante.

Dra. Débora Orsi Dutra, promotora de Justiça que responde pela área da Infância e Juventude, explica que a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) vem se mostrando um agravante e reforça que o número de casos pode ser maior do que o registrado pelas delegacias. “Muitas crianças e adolescentes, por conta do isolamento social, estão longe das escolas e não têm a quem pedir ajuda, até porque, grande parte dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes ocorre nos lares”, explica.

De acordo com a promotora, as escolas representam um espaço importante e seguro, onde a violência pode ser identificada por profissionais da educação ou pelas próprias crianças, que se sentem confiantes para confessar o abuso. A pedagoga Juliana Cassiano Souza de Nardi concorda que as escolas são ambientes necessários para o combate ao estupro de vulnerável e reforça que as crianças deveriam aprender desde cedo os limites do próprio corpo, para saberem como identificar abusos.

“É preciso ter diálogo entre os pais ou responsáveis e as crianças, porque, muitas vezes, o crime acontece dentro da própria família e a vítima fica com receio de contar”, completa pedagoga, que atua na Casa Abrigo Amorada, que presta serviço de acolhimento institucional a crianças e adolescentes que estão sob medida de proteção judicial. Ela também explica que as crianças que sofrem abusos se tornam inseguras em relação a outras pessoas. Por isso, é importante que elas entendam que estão em segurança antes de se abrirem sobre os traumas que carregam.

A profissional acrescenta que a Casa Abrigo oferece todo o apoio e acolhimento que as crianças e adolescentes precisam. Ao receber uma vítima de estupro, a entidade, imediatamente, trabalha para que o acolhido receba atendimento médico e psicológico adequados. Juliana também afirma que, muitas vezes, as vítimas chegam ao local por outros motivos e, apenas depois de um tempo, quando se sentem seguras e protegidas, verbalizam o estupro.

Dra. Débora afirma que é dever da família, da sociedade e do Estado proteger a criança e o adolescente contra a exploração e violência. Portanto, todos os cidadãos são responsáveis pela segurança desses indivíduos e devem denunciar quando suspeitarem de abusos sexuais. “Alterações repentinas de comportamento da criança são sinais de possível ocorrência de violência sexual, como alterações de humor entre retraimento e extroversão, agressividade, vergonha excessiva e medo. O fato de a criança passar a fazer brincadeiras de cunho sexual também é um possível sinal de abuso sexual”, relata.

Para denunciar, basta ligar para a Polícia Militar (190) ou para o serviço Disque Denúncia (100). Também é possível acionar a Promotoria de Justiça da Infância e Juventude do MPSP (Ministério Público de São Paulo), através do e-mail: [email protected], ou ainda o Conselho Tutelar, que, em Lençóis Paulista, atende pelo telefone (14) 3264-7987.

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