Vagas criadas até setembro representam 15% do mercado formal de Lençóis Paulista

De acordo com Ministério da Economia, cidade tem 22,3 mil trabalhadores com registro em Carteira de Trabalho; 3,3 mil foram contratados neste ano

As restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) comprometeram drasticamente a economia do país neste ano. Como reflexo, o nível de empregabilidade, que se mantinha estável desde 2019, voltou a patamares negativos. Lençóis Paulista, que abriga o maior empreendimento privado dos últimos 20 anos, segue como ponto fora da curva, acumulando recordes de contratações a cada mês.

De acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério da Economia, entre janeiro e setembro foram criados 3.330 empregos no mercado formal local (10.119 contratações e 6.789 demissões). O resultado supera em 77,41% o desempenho de 2007, ano que detinha o recorde anterior, com 1.877 vagas abertas (15.420 contratações e 13.543 demissões).

O resultado amplia consideravelmente a ocupação no mercado formal da cidade. Os 3.330 empregos representam 14,92% do montante de 22.323 trabalhadores registrados no final de setembro. A área que mais emprega é a indústria, com 7.628 funcionários. Em seguida aparecem o setor de serviços (5.740), o comércio (3.886), a construção (3.286) e a agropecuária (1.783).

Para Júlio Antonio Gonçalves, secretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura Municipal, a tendência é que a cidade feche o ano com números mais expressivos, tanto por conta de alguns setores que estão em alta quanto pela expectativa de recuperação de algumas áreas muito afetadas pela pandemia, que depois das flexibilizações adotadas gradativamente voltaram a contratar.

“Percebemos movimentação maior no mercado formal em segmentos ligados à construção civil e à indústria de transformação, que são diretamente impactados pelas obras da Bracell, mas os dados dos últimos meses vêm demonstrando que outros setores com participação expressiva na economia estão dando sinais de retomada. A tendência é que haja continuidade nos próximos levantamentos divulgados”, diz.

DESEMPENHO POR SETOR

A exemplo do que vem ocorrendo desde o ano passado, o setor que mais se destaca no balanço entre contratações e demissões é a construção, que já gerou 1.973 empregos com Carteira de Trabalho assinada (3.478 contratações e 1.505 demissões). A maioria das vagas está relacionada às citadas obras de expansão da Bracell (Projeto Star), que se tornará a maior fábrica de celulose solúvel do mundo.

A indústria local também mantém a tendência de alta observada nos últimos meses, com 1.271 ocupações criadas entre janeiro e setembro (3.174 contratações e 1.903 demissões). Depois de um período de retração no nível de empregabilidade, o setor de serviços também apresenta boa recuperação e já acumula saldo positivo de 245 postos de trabalho (1.772 contratações e 1.527 demissões).

Outros dois importantes setores globais da economia lençoense, no entanto, ainda não conseguiram se recuperar da crise e continuam com saldo negativo no ano. A agropecuária registra déficit de 79 ocupações entre janeiro e setembro (391 contratações e 470 demissões). O comércio, por sua vez, acumula perda de 80 empregos (1.304 contratações e 1.384 demissões).

Comércio aposta na oferta de vagas de final de ano

O único setor que registrou déficit na geração de emprego em setembro foi a agropecuária, que fechou o período com saldo negativo de 35 ocupações (34 contratações e 69 demissões). O resultado é o segundo pior do ano, ficando atrás apenas do registrado em junho, quando foram encerrados 37 postos de trabalho nas empresas que se dedicam às atividades rurais (15 contratações e 52 demissões).

Apesar disso, a cidade acumulou saldo positivo de 682 postos de trabalho no mês (1.542 contratações e 860 demissões). Como em quase todos os levantamentos anteriores, o destaque foi a construção, que criou 351 novas ocupações (602 contratações e 251 demissões). Desempenho semelhante teve a indústria, com 306 vagas abertas (503 contratações e 197 demissões).

O setor de serviços gerou 37 empregos no mês (218 contratações e 181 demissões), um pouco mais que o comércio, que teve alta de 23 postos (185 contratações e 162 demissões). Com a proximidade do período de festas, a expectativa é que o comércio se mantenha em recuperação e encerre o ano com saldo positivo, principalmente por conta das contratações temporárias, muito comuns na época.

É no que acredita José Antonio Silva, o Neno, presidente da Acilpa (Associação Comercial e Industrial de Lençóis Paulista). “As vendas de final de ano sempre alavancam a contratação de funcionários temporários. A expectativa é que centenas de pessoas sejam contratadas para as lojas do comércio lençoense. As contratações já estão acontecendo e seguiram, provavelmente, até o dia 10 de dezembro”, relata.

Macatuba chega ao sétimo mês consecutivo no vermelho

Depois de iniciar o ano em alta, com saldo positivo em janeiro (3) e fevereiro (30), Macatuba já acumula sete meses consecutivos de déficit na geração de emprego. Só em setembro, a cidade perdeu 40 postos de trabalho no mercado formal (58 contratações e 98 demissões). No mês, apenas o comércio, com quatro vagas abertas (25 contratações e 21 demissões), não fechou no vermelho.

O pior desempenho foi da indústria, que encerrou 39 ocupações (19 contratações e 58 demissões), de acordo com os dados do Ministério da Economia. A construção teve baixa de três empregos (nenhuma contratação e três demissões). O setor de serviços fechou duas vagas (14 contratações e 16 demissões). A agropecuária, por sua vez, não registrou contratações nem demissões no período.

O déficit de setembro elevou o saldo negativo de 2020 para 173 vagas (598 contratações e 771 demissões). A indústria acumula o maior déficit, com 172 empregos perdidos até o momento (174 contratações e 346 demissões). Na outra ponta da tabela aparece a agropecuária, que apresenta o melhor desempenho do ano, com 13 postos de trabalho criados (17 contratações e quatro demissões).

Areiópolis registra primeira baixa desde março

Areiópolis, que neste ano só havia registrado déficit no nível de empregabilidade em março, quando foram fechadas seis vagas no mercado formal (27 contratações e 33 demissões), voltou a ter número de desligamentos superior ao de admissões em setembro. Segundo o Caged, a cidade perdeu 25 postos de trabalho no mês (16 contratações e 41 demissões).

O resultado ruim foi ocasionado pela agropecuária, que registrou saldo negativo de 24 ocupações (uma contratação e 25 demissões). O comércio perdeu uma vaga (11 contratações e 12 demissões), enquanto que o setor de serviços fechou o mês com zero de saldo (quatro contratações e quatro demissões). Não houve movimentações na construção civil e na indústria.

Apesar da queda, a cidade segue com bons números no saldo acumulado. Entre janeiro e setembro, foram criados 113 empregos com Carteira de Trabalho registrada (426 contratações e 313 demissões). O destaque é da agropecuária, que registra superávit de 91 ocupações (241 contratações e 150 demissões). O pior desempenho é da indústria, que fechou 24 vagas no período (12 contratações e 36 demissões).

Borebi segue demitindo mais do que contratando

O ano também não tem sido dos melhores para a vizinha Borebi, menor das quatro cidades da área de cobertura de O ECO. Com poucas opções no mercado formal, o município só registrou saldo positivo no nível de emprego nos meses de junho (11) e agosto (15). Em setembro, o déficit apurado foi de sete ocupações com Carteira de Trabalho assinada (23 contratações e 30 demissões).

A maior responsável foi a agropecuária, que perdeu 16 empregos (oito contratações e 24 demissões). A construção não registrou movimentação. O setor de serviços, o comércio e a indústria tiveram pequenas altas de uma (uma contratação e nenhuma demissão), três (cinco contratações e duas demissões) e cinco (nove contratações e quatro demissões) ocupações, respectivamente.

No acumulado entre janeiro e setembro, a cidade tem saldo negativo de 21 postos de trabalho (126 contratações e 147 demissões), também prejudicada pelo fraco desempenho da agropecuária, que, sozinha, perdeu 35 vagas (80 contratações e 115 demissões). O melhor saldo registrado no período foi da indústria, que gerou 11 novos empregos formais (25 contratações e 14 demissões).

Recuperação continua em ritmo lento no país

Nas outras esferas, setembro foi um mês de recuperação, mas o saldo ainda está longe de sair do vermelho. Com 1.379.509 contratações e 1.065.945 demissões, o mês teve superávit de 313.564 vagas, com destaque para a indústria, que abriu 110.868 postos (292.250 contratações e 181.382 demissões), e para o setor de serviços, que criou 80.481 empregos (550.414 contratações e 469.933).

O estado de São Paulo registrou alta de 75.706 postos de trabalho (437.901 contratações e 362.195 demissões), também com a indústria e o setor de serviços na ponta, mas não na mesma ordem. O setor de serviços recuperou 28.353 ocupações (212.165 contratações e 183.812 demissões). Já a indústria abriu 23.923 vagas (71.100 contratações e 47.177 demissões).

Apesar disso, o país segue com déficit de empregabilidade nos nove primeiros meses do ano, com 558.597 ocupações perdidas (10.617.333 contratações e 11.175.930 demissões). São Paulo registra saldo negativo de 209.840 empregos (3.547.358 contratações e 3.757.198 demissões). Em ambos os casos, o setor de serviços e o comércio foram os mais afetados.

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