Trabalhadores sem pagamento fecham rodovia em novo ato

Funcionários da Niplan Engenharia, terceirizada da Bracell, cobram solução para problema e já contam com adesão de outras três empreiteiras

Ainda aguardando por uma solução, trabalhadores da empresa Niplan Engenharia organizaram outra manifestação na frente da Bracell na manhã desta quarta-feira (22). O grupo, que reivindica pagamentos não recebidos da empreiteira, que atuou nas obras do Projeto Star, chegou a fechar a Rodovia Juliano Lorenzetti (LEP-060), causando um congestionamento até a Rodovia Marechal Rondon (SP-300).

De acordo com o capitão Elcio Torres, comandante da 5ª Cia da Polícia Militar de Lençóis Paulista, a movimentação teve início de madrugada, por volta das 3h. Com apoio de um caminhão de som e representantes sindicais, o grupo de trabalhadores terceirizados ocupou a frente da Bracell e parte do trevo de acesso ao Distrito Empresarial Luiz Trecenti. O tráfego de veículos chegou a ser bloqueado às 6h.

“Eles se dividiram em dois grupos, um tentando impedir o acesso à portaria da empresa e outro bloqueando a rodovia. Além de atrasar a troca de turno, isso causou um congestionamento até a Marechal Rondon. Conversamos com os manifestantes e, aos poucos, o trânsito foi liberado. Apesar disso, a manifestação tem sido pacífica. Não registramos nenhuma intercorrência mais grave”, explica o capitão.

Em segundo dia de manifestação, trabalhadores de terceirizada da Bracell fecham rodovia

Segundo um funcionário da Niplan, que entrou em contato com a reportagem de O ECO, mas preferiu não ser identificado, a empreiteira segue alegando não poder fazer os pagamentos por falta de repasse da Bracell. A multinacional, no entanto, afirma que “[…] efetuou todos os pagamentos e obrigações contratuais previstas” e que o acerto com os terceirizados “[…] é unicamente responsabilidade da Niplan”.

“A maioria de nós veio de outros estados e está praticamente preso nos alojamentos, porque não tem dinheiro nem para voltar para a casa. Só estamos reivindicando nossos direitos e vamos insistir até receber. Já tivemos apoio de parceiros de outras empresas, que não entraram para trabalhar, pois entenderam que o nosso problema de hoje pode ser o deles amanhã”, disse o colaborador da Niplan.

O ato desta quarta-feira (22) teve adesão de funcionários de outras três empreiteiras que prestam serviço à Bracell, Enesa Engenharia, a Reframax Engenharia e a TKE Engenharia. A Polícia Militar calcula que cerca de 500 trabalhadores estavam concentrados na frente da empresa de celulose até o fechamento desta matéria. Para garantir a segurança, o pelotão local conta com apoio de equipes da PM de Bauru.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Bracell, que informou que a multinacional mantém o mesmo posicionamento da nota divulgada após a manifestação dessa terça-feira (21). Também foram feitas diversas tentativas de contato com representantes da Niplan Engenharia, mas não houve retorno até a publicação desta matéria. O ECO segue acompanhando a situação.


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