Preços têm leve retração em junho, mas reajuste no ano já passa de 12,3%

Produtos como feijão e leite pesam no bolso, enquanto hortifruti volta a baixar

O consumidor local está observando uma ligeira redução de preço nas prateleiras dos supermercados neste mês, mas o custo dos principais itens básicos de consumo segue em alta, com reajustes significativos no ano. De acordo com o acompanhamento mensal feito pela reportagem de O ECO nos quatro maiores estabelecimentos de Lençóis Paulista, o preço médio da lista de referência baixou 0,59% em relação a maio, mas o aumento já chega a 12,36% desde janeiro.

A coleta de dados, feita entre a terça-feira (14) e a quarta-feira (15), revela que abastecer a despensa em junho pode custar entre R$ 1.215,00 e R$ 1.305,13 nos principais estabelecimentos da cidade, o que indica média de preço de R$ 1.252,79. O valor representa, como já citado, uma redução de 0,59% sobre o custo médio de R$ 1.260,20 observado no mês passado, quando os mesmos produtos estavam sendo comercializados entre R$ 1.218,90 e R$ 1.308,46.

No comparativo com janeiro, o custo geral da lista de referência com os 50 produtos mais consumidos pelas famílias lençoenses (entenda abaixo a metodologia da pesquisa O ECO) subiu 12,36% na média. Na ocasião, os mesmos itens eram encontrados entre R$ 1.115,60 e R$ 1.087,86, com valor médio de R$ 1.114,96. Em relação a junho de 2021, quando os produtos eram vendidos de R$ 1.061,96 a R$ 1.094,40, com preço médio de R$ 1.085,00, a alta é de 15,46%.

NA CONTRAMÃO

O maior preço de junho foi encontrado no Supermercado 4, que aplicou reajuste de 4,50% em relação a maio, de R$ 1.248,93 para R$ 1.305,13. Nos demais locais houve redução de preço, a maior delas, de 3,75%, foi observada no Supermercado 3, onde o valor dos produtos passou de R$ 1.308,46 para R$ 1.259,42. Nos supermercados 2 e 1, com baixas 2,60% e 0,32%, os totais passaram de R$ 1.264,52 para R$ 1.231,60 e de R$ 1.218,90 para R$ 1.215,00, respectivamente.

A disparidade evidencia ainda mais a importância da boa e velha pesquisa antes das compras. Para se ter uma ideia, a diferença geral de preço entre o custo da lista do Supermercado 1, onde foi registrado o menor preço do mês, e a lista do Supermercado 4, que comercializa a lista mais cara da pesquisa atual, é de 7,42% ou, em valores nominais, R$ 90,13. Para fins de comparação, o valor da diferença é suficiente para pagar, com sobras, toda a ista de higiene e limpeza em qualquer estabelecimento.

A diferença é ainda maior se considerada a chamada lista econômica, composta pelos produtos mais baratos de cada um dos supermercados. Neste caso, o consumidor que, teoricamente, se dispuser a pesquisar os preços em todos os locais e comprar apenas os que estiverem com o valor mais atrativo em relação aos demais pode contabilizar uma economia de R$ 202,14. O valor corresponde à diferença entre o custo da lista econômica (R$ 1.102,99) e a lista mais cara (Supermercado 4).

VANTAGEM NA FEIRINHA

Com a tendência de alta observada no mês, o Supermercado 4 registrou queda geral de preço apenas em um dos setores, mais precisamente na parte de hortifruti, com uma ligeira baixa de 0,42% no custo total da lista com 10 itens, que passou de R$ 157,97 para R$ 157,30, ou seja, R$ 0,67 de redução. O setor, aliás, foi o único em que os preços ficaram mais baratos em todos os estabelecimentos, com destaque para o Supermercado 2, com retração de 28,85%, de R$ 182,96 para R$ 130,17.

Os preços atrativos da feirinha foram bem recebidos pelos clientes. Dona de casa Joaquina Serralvo, por exemplo, revela que voltou a encher o carrinho com itens que vinham sendo deixados um pouco de lado na lista. “O tomate e a cenoura estavam muito caros, então, diminuí bastante o consumo e passei a buscar alternativas mais em conta para substituir na salada ou no refogado. Sempre se dá um jeito. Os preços diminuíram um pouco, já dá para pensar em levar, mas ainda está caro”, diz.

Entre os produtos do setor de hortifruti com maiores reduções de preço entre maio e junho estão a própria cenoura, que está até 57,10% mais barata, com o quilo custando a partir de R$ 2,57; a batata, com baixa de até 50,19%, com o quilo vendido a partir de R$ 3,98; o tomate, cujo preço do quilo ficou até 45,59% mais barato, custando a partir de R$ 4,87; além da cebola, que pode ser encontrada até 43,06% mais em conta em relação a maio, com o preço a partir de R$ 3,97.

PESANDO NO BOLSO

Alguns produtos de primeira necessidade têm subido consideravelmente e a alta não passa despercebida para algumas pessoas. O pedreiro José Raimundo Silveira, entre muitos, destaca a alta do feijão. “Já aumentou quase R$ 10 de um ano para cá, como muitas outras coisas que só sobem. Está cada vez mais difícil”, relata. Já a vendedora Vanessa Lopes reclama do preço do leite. “Já não se acha mais leite de nenhuma marca abaixo dos R$ 5. Quem tem criança pequena está perdido”, reclama.

Pegando como base os exemplos citados pelos consumidores ouvidos pela reportagem de O ECO, o feijão e o leite estão entre os produtos que aumentaram em todos os locais entre maio e junho. Com reajuste entre 16,36% e 21,07%, o preço do pacote de feijão carioquinha tipo 1 de dois quilos, da marca Ubirama, está custando de R$ 21,90 a R$ 24,90. Já o preço do litro de leite longa vida, das marcas Gegê e Piracanjuba, subiu de 12,79% a 22,49% e está custando entre R$ 5,19 e R$ 5,50.

Mas as altas gerais não se limitam ao setor de mercearia. O valor do quilo da calabresa Sadia, por exemplo, sofreu reajuste de até 23,08% neste mês e pode ser encontrado até a R$ 36,90. O frasco de dois litros de amaciante, da marca Ypê, aumentou até 32,61%, chegando a custar R$ 9,98. O sabonete Lux (90g) pode se encontrado com o preço até 46,70% mais caro em relação a maio, chegando a R$ 2,89. Já o creme dental Colgate (90g) subiu até 22,86% e está custando até R$ 4,89.

Entenda como funciona a pesquisa mensal

A pesquisa de preços feita pela reportagem de O ECO considera 50 itens básicos encontrados com bastante frequência nos carrinhos de compra dos consumidores locais. A relação, elaborada com a proposta de representar da forma mais fidedigna possível os hábitos de consumo da população, inclui 20 produtos de mercearia, 10 de açougue, 10 do setor de hortifrutigranjeiros e 10 de higiene e limpeza. A lista foi definida a partir de uma enquete realizada com assinantes do jornal.

Para o comparativo são analisadas marcas encontradas em todos os estabelecimentos ou, em caso de indisponibilidade, equiparáveis em qualidade e preço. Todas estão descritas na tabela, que apresenta valores unitários e totais de cada item, considerando como referência o consumo médio mensal de uma família de classe média composta por quatro pessoas adultas. Também estão contabilizados os custos totais por grupo e por lista geral de compras em cada um dos locais visitados.


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