Preço dos itens básicos volta a superar salário mínimo

Valor da lista de 50 itens utilizada como referência pode chegar a R$ 1.122,12 neste mês

O consumidor de Lençóis Paulista continua sentindo no bolso o peso dos sucessivos reajustes de preço aplicados aos itens básicos de consumo. De acordo com a pesquisa mensal feita pela reportagem de O ECO nos quatro principais supermercados da cidade, abastecer a despensa em maio pode custar até R$ 1.122,12, o que representa aumento de 2,70% em relação ao mês passado, quando o valor da lista com os 50 produtos utilizados como referência chegava a R$ 1.092,59.

Desde que o acompanhamento voltou a ser realizado mensalmente, em março de 2020, esta foi a segunda vez que o custo dos produtos mais consumidos pelas famílias lençoenses (entenda abaixo como funciona a Pesquisa O ECO) superou o valor do salário mínimo (R$ 1.100,00). A barreira já havia sido rompida em dezembro, quando os produtos custavam até R$ 1.052,87, enquanto que o salário mínimo estava fixado em R$ 1.045,00 pelo Governo Federal.

Pelo terceiro mês consecutivo, a lista mais cara foi encontrada no Supermercado 3, onde houve reajuste de 2,70%, elevando o total da lista de R$ 1.092,59 para R$ 1.122,12 No Supermercado 2, com aumento de 2,08%, o custo passou de R$ 1.065,32 para R$ 1.087,52. Já no Supermercado 4, com elevação de 1,39%, o preço foi de R$ 1.060,21 para R$ 1.074,91. O Supermercado 1 foi o único que apresentou uma pequena redução, de 0,68%, de R$ 1.058,26 para R$ 1.051,07.

VARIAÇÕES

Considerando os reajustes individuais, o produto com maior aumento percentual do mês foi o pacote de 200 g de azeitonas verdes, da marca Vila Fértil, que subiu 80,23% no Supermercado 1, indo de R$ 3,49 para R$ 6,29. Outros produtos com altas expressivas foram o sachê de 340 g de molho de tomate, da marca Fugini, que foi de R$ 1,19 para R$ 1,99 no Supermercado 4 (+ 67,23%); e o quilo da laranja-pera, que foi de R$ 1,95 para R$ 2,99 no Supermercado 2 (+ 53,33%).

Na outra ponta da tabela, a maior redução de preço foi observada no quilo da cenoura, que despencou 48,19% no Supermercado 2, passando de R$ 2,49 para R$ 1,29 de um mês para outro. Também tiveram queda considerável de custo o quilo da maçã fugi, que foi de R$ 8,90 para R$ 4,89 no Supermercado 1 (- 45,06%); e o pacote de 400 g de biscoito água e sal, da marca Zabet, que foi de R$ 4,89 para R$ 2,99 no Supermercado 1 (- 38,85%).

CARNES EM ALTA

Nenhum produto teve aumento ou redução de preço em todos os supermercados visitados, no entanto, alguns produtos de açougue ficaram mais caros em pelo menos três locais. Foi o caso do quilo do frango inteiro, que subiu 11,95% (de R$ 7,95 para R$ 8,90) no Supermercado 4, 12,53% (de R$ 7,98 para R$ 8,98) no Supermercado 1 e 15,38% (de R$ 8,65 para R$ 9,98) no Supermercado 2, se mantendo sem alteração no Supermercado 3 (R$ 7,99).

A pesquisa de maio, feita entre a terça-feira (4) e a quarta-feira (5), também revela que o preço de apenas um produto baixou em três estabelecimentos: o quilo do acém em pedaço, que caiu 2,77% (de R$ 32,90 para R$ 31,99) no Supermercado 1, 8,34% (de R$ 34,90 para R$ 31,99) no Supermercado 2 e 14,33% (de R$ 34,90 para R$ 29,90) no Supermercado 4. Já no Supermercado 3, houve aumento de 11,46% (de R$ 34,90 para R$ 38,90).

“Pesquisar sempre compensa, mas não pode ter preguiça”

O que também chamou atenção neste mês foi a estabilização em relação ao custo total da chamada lista econômica, que se manteve praticamente sem alteração em relação ao levantamento anterior. Em abril, o consumidor que se dispusesse a pesquisar os preços e comprar os itens mais baratos de cada estabelecimento pagava até R$ 949,44. Neste mês, o valor total dos mesmos produtos chegou a R$ 949,60, com aumento de apenas R$ 0,06 (0,02%).

Contudo, como o valor da lista mais cara subiu expressivamente, chegando aos já citados R$ 1.122,12, a boa e velha cotação de preços pode representar uma economia maior no orçamento familiar deste mês. Considerando a lista do Supermercado 3 e a lista com os produtos mais baratos de cada estabelecimento, a diferença chega a R$ 172,52, o que indica economia de 15,37%. No mês passado, a economia foi de 13,10%, com diferença de R$ 143,15 entre uma lista e outra.

Isso não é novidade para consumidores como a dona de casa Quitéria Silveira, de 57 anos, que não abre mão da calculadora na hora de fazer as compras do mês. “Pesquisar sempre compensa, mas não pode ter preguiça, principalmente em tempos de crise como este. De tanto que eu faço isso, até já sei quais são os produtos que geralmente são mais baratos em cada lugar. Também procuro aproveitar bastante as promoções, por isso, prefiro não comprar tudo de uma só vez”, relata.

O aposentado Alaor Ribeiro, de 61, anos, destaca que tem menos experiência no assunto, mas também revela que faz o possível para economizar. “Confesso que não sou de ficar indo em vários lugares, mas quando passo perto de algum supermercado diferente do que estou mais acostumado a ir tento dar aquela especulada nos preços. Dependendo do produto que está na lista, a diferença é considerável de um lugar para outro. Por isso, é bom ficar atento”, completa.

Entenda como funciona a pesquisa mensal

A pesquisa de preços feita pela reportagem de O ECO considera 50 itens básicos encontrados com bastante frequência nos carrinhos de compra dos consumidores locais. A relação, elaborada com a proposta de representar da forma mais fidedigna possível os hábitos de consumo da população, inclui 20 produtos de mercearia, 10 de açougue, 10 do setor de hortifrutigranjeiros e 10 de higiene e limpeza. A lista foi definida a partir de uma enquete realizada com assinantes do jornal.

Para o comparativo são analisadas marcas encontradas em todos os estabelecimentos ou, em caso de indisponibilidade, equiparáveis em qualidade e preço. Todas estão descritas na tabela, que apresenta preços unitários e totais de cada item, considerando como referência o consumo médio mensal de uma família de classe média composta por quatro pessoas adultas. Também estão contabilizados os custos totais por grupo e por lista geral de compras em cada um dos locais visitados.

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