O talento do comércio para se reinventar

Vivências na pandemia mudam estratégias de lojistas em relação às vendas; mercado digital se tornou obrigatório

Desde as primeiras notícias na televisão sobre um novo vírus que atingia a cidade de Wuhan, na China, em dezembro de 2019, até o início das restrições em março de 2020, o comércio foi um dos setores econômicos mais atingidos devido a pandemia da Covid-19. Em Lençóis Paulista não foi diferente; o medo e a incerteza estiveram presentes na vida dos comerciantes nestes dois anos, forçando uma nova perspectiva de vendas para sobreviver a um desafio diário: evitar o fechamento das portas.

A inovação fez parte do cotidiano do comércio lençoense na busca por um melhor atendimento ao público. Foi assim que o Santa Catarina Supermercados viu as vendas on-line alcançarem 200 transações diárias após o lançamento de um aplicativo de celular que possibilitou ao cliente realizar sua compra sem sair de casa. A sócia-proprietária Tania Orsi Sansoni afirma que a ideia já existia, mas a pandemia acelerou o processo de criação. “Eles nos pediam uma solução para que pudessem continuar comprando aqui, mas à distância. Daí, juntou a necessidade, vontade e demanda”, diz.

Ela também afirma que antes do lançamento do aplicativo, os clientes faziam seus pedidos através do aplicativo de mensagens WhatsApp com bastante dificuldade. “Pelo aplicativo ou site, o cliente pode escolher sua compra visualizando cada produto e ainda dizendo as suas preferências. Ou seja, ficou bem mais fácil e rápido para o cliente e mais organizado para nós”, pontua. O aplicativo está disponível para download em celulares Android ou iOS, basta realizar a busca por ‘Sitemercado’ e as vendas pelo site estão disponíveis pelo santacatarinanet.com.br.

Outro setor bastante afetado no início da pandemia foi o de vestuário e acessórios. Segundo a Fecomércio/SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), o faturamento do comércio varejista brasileiro, em 2020, terminou com uma queda de 6,7%. Reflexo disso, muitos estabelecimentos comerciais deste ramo precisaram buscar alternativas para manter as vendas e funcionários.

O administrador do Grupo Yes, Ivan Prenhaca, ressalta as dificuldades encontradas no início das restrições. “De primeiro momento, não sabíamos ao certo o que fazer ou para onde ir. Em seguida, procuramos nos adaptar aos fatos, pois a saúde e economia foram atingidas por um vírus. Sem saúde não somos nada e sem economia não faríamos nada. Então buscamos alternativas e trouxemos novas ferramentas para o negócio”, destaca. As ideias, que até então estavam engavetadas, precisaram ser postas em prática. “Percebemos que houve uma evolução no modo de consumo. O varejo físico se modernizou para o on-line. Enfim, boas experiências e mais conforto para o consumidor em suas compras”, finaliza.

Assim como o grupo Yes, a loja Eletro Santa Clara também precisou se readaptar à nova realidade da pandemia. O diretor Marcus Vinicius Dutra, acredita que Lençóis Paulista foi uma das cidades menos afetadas devido aos investimentos de grandes empresas. “Ao mesmo tempo que as vendas no varejo diminuíram um pouco, as obras continuaram a todo vapor”, comenta ele, que também ressalta as mudanças feitas em sua loja para adaptação à nova realidade. “Nós aprimoramos os atendimentos por telefone e WhatsApp, adquirimos uma moto baú para fazer delivery de pequenas compras e implementamos novas formas de pagamento para evitar a circulação de pessoas”, encerra.

BOAS EXPECTATIVAS

A Acilpa (Associação Comercial Industrial de Lençóis Paulista) está otimista em relação as vendas do comércio varejista em 2022. O gerente comercial Célio Alves afirma que a associação, o Sebrae, a Prefeitura Municipal e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico promovem regularmente cursos e treinamentos para o aperfeiçoamento dos lojistas da cidade. “Não podemos falar em pessimismo agora, pois saímos de um momento difícil e estamos em um processo de retomada da economia. A perspectiva é das melhores”, avalia.

Durante a pandemia, a Acilpa trabalhou ativamente para dar suporte aos lojistas. “Além de buscar junto à Prefeitura, apoio para não fechar totalmente as lojas, com o comércio vendendo através de drive-thru e em alguns momentos de portas abertas, criamos uma plataforma gratuita aos lojistas para que expusessem seus produtos numa forma de vitrine virtual, chamada de Compre em Lençóis”, lembra o gerente comercial, que encerra com palavras de esperança para todos os lojistas da cidade. “Esse é o momento que nós esperávamos, de vender e de voltar ao crescimento. Podemos dizer que não estamos na normalidade, mas temos esperança de que dias melhores virão”, completa.


A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade.

Valorize o jornalismo profissional. Fuja das Fake News. Clique aqui e assine O ECO!

destaques