Lençóis tem pior série dos últimos quatro anos e meio na geração de emprego

Apesar de manter saldo positivo de 980 vagas no ano, cidade extinguiu 1.431 postos de trabalho apenas nos últimos quatro meses; construção civil é a principal responsável pela baixas

Lençóis Paulista voltou a conviver com números negativos na geração de emprego depois de um longo período de contratações em alta no mercado formal – com Carteira de Trabalho registrada. Segundo a atualização mais recente do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgada na última terça-feira (26) pelo Ministério da Economia, o município encerrou setembro com déficit de 447 ocupações (1.231 contratações e 1.678 demissões).

Como nos últimos meses, o pior desempenho foi da construção, que fechou 599 postos (162 contratações e 761 demissões). A agropecuária também registrou baixa, perdendo 22 empregos (14 contratações e 36 demissões). O resultado só não foi pior por conta de superávits do setor de serviços, do comércio e da indústria, que criaram 110 (334 contratações e 224 demissões), 41 (231 contratações e 190 demissões) e 23 vagas (490 contratações e 467 demissões).

Mesmo com a desaceleração, que já era esperada em decorrência da conclusão de boa parte das obras de expansão da Bracell (Projeto Star), responsável pela maioria das contratações registradas nos últimos dois anos, o secretário de Desenvolvimento Econômico Paulo Ferrari acredita que a cidade deve fechar 2021 com saldo positivo. Além das vagas que já estão abertas do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador), ele espera mais contratações para o final de ano.

“Lençóis Paulista não parou de contratar. O que estamos observando é o resultado dos desligamentos já esperados de profissionais que trabalhavam nas obras da Bracell. Temos muitas vagas abertas no momento e outras devem entrar até dezembro. Além disso, esperamos que, com o fim das restrições que castigaram o comércio e o setor de serviços, as contratações em diversos segmentos voltem a subir, sem contar as vagas temporárias de final de ano”, comenta.

Ferrari também reforça que, em breve, outros empreendimentos devem ser iniciados, com expectativa de grande volume de contratações. A recomendação é para que os trabalhadores busquem qualificação. “Temos oferecido muitas opções de formação em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e outras instituições. Em algumas áreas, a concorrência é grande, por isso, as pessoas devem se capacitar. É preciso estar preparado para as oportunidades”, finaliza.

SÉRIE HISTÓRICA

Considerando os dados consolidados, com ajustes feitos a partir de registros atualizados após o fechamento dos balanços mensais, setembro foi o quarto mês consecutivo de déficit de geração de emprego em Lençóis Paulista. Em agosto, foram extintas 566 vagas (1.243 contratações e 1.809 demissões). Em julho, a baixa foi de 414 ocupações (1.052 contratações e 1.466 demissões). Já em junho, foram perdidos quatro postos (1.355 contratações e 1.359 demissões).

De acordo com um levantamento feito pela reportagem de O ECO, essa foi a pior série do município em quatro anos e meio. Segundo informações do Caged, a última vez que o número de demissões superou o de contratações por quatro meses seguidos foi no final de 2016, entre setembro e dezembro. Na ocasião, foram perdidos 30 empregos em setembro, dois em outubro, 518 em novembro e 373 em dezembro, totalizando um déficit de 923 ocupações no período.

ACUMULADO

Apesar dos últimos resultados, o desempenho de 2021 segue positivo, com 980 novas ocupações preenchidas entre janeiro e setembro (13.863 contratações e 12.883 demissões). Isso se deve ao ótimo resultado registrado na primeira metade do ano, que fechou com superávit de 2.407 empregos (10.337 contratações e 7.930 demissões). Segundo o Caged, quase todos os setores estavam em alta até o mês de junho, com exceção da agropecuária, que havia perdido seis postos.

O destaque até setembro é o setor de serviços, que criou 927 novos empregos (3.060 contratações e 2.133 demissões). Na sequência, aparecem a indústria e o comércio, com 681 (4.712 contratações e 4.031 demissões) e 301 postos de trabalho abertos (1.848 contratações e 1.547 demissões). Na outra extremidade da tabela estão a construção e a agropecuária, que acumulam déficit de 881 (3.977 contratações e 4.858 demissões) e 48 vagas (266 contratações e 314 demissões).

ESTOQUE

A desaceleração no volume de contratações e o consequente acumulado negativo dos últimos quatro meses fez com que o mercado formal lençoense recuasse consideravelmente depois de ter atingido o maior patamar de sua história em maio. Na ocasião, a cidade tinha 26.070 pessoas com vínculo empregatício com registro em Carteira de Trabalho, sendo 9.295 na indústria, 5.611 no setor de serviços, 5.265 na construção, 4.116 no comércio e 1.783 na agropecuária.

Os dados do Ministério da Economia apontam que 24.639 trabalhadores estavam formalmente empregados em setembro: 8.864 na indústria, 5.999 no setor de serviços, 4.306 no comércio, 3.744 na construção e 1.726 na agropecuária. Enquanto que o montante de maio representava um aumento de 10,19% na oferta de emprego em relação ao estoque de dezembro de 2020 (23.659), o total de setembro indicava um avanço de apenas 4,14% no saldo de contratações deste ano.

Desemprego volta a assombrar trabalhadores

Entre os trabalhadores que perderam o emprego nos últimos meses está Genivaldo Soares da Silva, de 42 anos, que conta que foi dispensado por conta da conclusão de uma obra em que trabalhou por cerca de um ano e meio como ajudante de pedreiro. “Não fui o único a sair. Na empreiteira em que eu trabalhava, mais ou menos umas 200 pessoas foram demitidas. Alguns acabaram ficando, mas para trabalhar em outras cidades, o que, para mim, não compensava”, conta.

Apesar de ter perdido o registro em agosto, Silva revela que já está trabalhando em outro local, porém, na informalidade. “Eu não cheguei a ficar um mês parado, pois conheço bastante gente que é da área, mas não é a mesma coisa que estar registrado. O salário é bem menor e não tenho os outros benefícios. Por enquanto, ainda estou recebendo o seguro-desemprego para completar. Depois, acho que vou ter que arrumar alguns bicos nos finais de semana”, completa.

Cledilson de Paula, de 38 anos, que também atuava na área da construção, não teve a mesma sorte. Depois de ter o contrato de trabalho rescindido com a empresa a qual esteve vinculado por 13 meses, ainda não conseguiu outra ocupação. Na fila do desemprego desde junho, ele ainda tenta uma recolocação. “Estava registrado como carpinteiro, mas já tentei umas 10 vagas diferentes. Para não dizer que fiquei parado, acabei fazendo alguns bicos com o meu cunhado”, diz.

Quem também busca uma oportunidade é Aparecida Miquelini, de 49 anos, demitida da função de cozinheira no mês passado, após quase dois anos de registro. Com o Ensino Fundamental incompleto, ela nutre poucas esperanças de conseguir um registro e já pensa em outras opções. “Vou tentar uma vaga temporária no comércio neste final de ano, mas acho difícil pela minha idade e meus estudos. Se não der certo, vou voltar a fazer faxina ou vender salgados”, comenta.

Macatuba tem o melhor desempeno da microrregião

Na microrregião, Macatuba foi a única que fechou o mês passado em alta, com 11 vagas abertas (101 contratações e 90 demissões). Indústria e comércio terminaram com o mesmo número de contratações e demissões, 33 e 26, respectivamente. O setor de serviços criou seis ocupações (28 contratações e 22 demissões). A construção teve alta de quatro postos (11 contratações e sete demissões). A agropecuária gerou um emprego (três contratações e duas demissões).

O saldo acumulado no ano é de 164 vagas (1.207 contratações e 1.043 demissões), com destaque para indústria e serviços, que criaram 97 (520 contratações e 423 demissões) e 79 postos (311 contratações e 232 demissões). Em seguida, aparecem comércio e agropecuária, com 31 (272 contratações e 241 demissões) e 13 novos empregos (20 contratações e sete demissões). A construção, por sua vez, acumula déficit de 56 ocupações (84 contratações e 140 demissões).

Areiópolis registrou baixa de 26 postos em setembro (16 contratações e 42 demissões), mas mantém saldo positivo de sete vagas no ano (339 contratações e 332 demissões). Sem movimentação na construção e superávit apenas na indústria (2), o resultado do mês foi comprometido pelo setor de serviços (-14), agropecuária (-12) e comércio (-2). No ano, a indústria tem alta (31), mas serviços (-11), agropecuária (-8), comércio (-3) e construção (-2) acumulam perdas.

A pior situação é a da pequena Borebi, que segue com desempenho ruim na geração de emprego. Com retração de 18 ocupações em setembro (15 contratações e 33 demissões), a perda acumulada no mercado formal já é de 84 vagas no ano (135 contratações e 219 demissões). Apenas a agropecuária, que fechou mais 15 postos no mês passado (11 contratações e 26 demissões), já extinguiu 83 vagas com registro em Carteira de Trabalho (91 contratações e 174 demissões).


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