Lençóis aumenta oferta de emprego em 8,80% no primeiro trimestre

Postos de trabalho abertos entre janeiro e março passam de 2 mil; metade das vagas é da indústria

A atual conjuntura econômica tem feito com que Lençóis Paulista diminua o impacto da grave crise causada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), pelo menos em relação ao emprego formal (com Carteira de Trabalho registrada). De acordo com informações do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), a oferta de emprego na cidade aumentou 8,80% no primeiro trimestre deste ano, quando foram criadas mais de 2 mil ocupações.

Segundo os dados divulgados pelo Ministério da Economia, entre janeiro e março foram abertas 2.081 vagas por empresas lençoenses (5.644 contratações e 3.563 demissões). O destaque deste início de ano é a indústria de transformação, com 1.031 postos de trabalho criados (2.102 contratações e 1.071 demissões), o que representa 49,54% do total. Em seguida aparece a construção civil, com 787 novos empregos (1.887 contratações e 1.100 demissões).

Entre as demais áreas da economia global, o setor de serviços também surge com bom desempenho, apresentando superávit de 296 ocupações no período (1.005 contratações e 709 demissões). O comércio aparece em posição neutra, com zero de saldo (557 contratações e 557 demissões) no primeiro trimestre. A agropecuária, por sua vez, vem perdendo espaço e acumula saldo negativo de 33 empregos no mercado formal (93 contratações e 126 demissões).

DESEMPENHO DE MARÇO

No mês, a cidade criou 663 empregos (1.779 contratações e 1.116 demissões), impulsionada pelos desempenhos das empresas de construção, indústria e serviços, que abriram 325 (577 contratações e 252 demissões), 315 (702 contratações e 387 demissões) e 54 vagas (286 contratações e 232 demissões). O resultado não foi melhor devido a baixas no comércio e na agropecuária, que fecharam nove (187 contratações e 196 demissões) e 22 postos (27 contratações e 49 demissões), respectivamente.

VARIAÇÃO RELATIVA

Na comparação com os dados consolidados de fevereiro (com ajustes feitos a partir de registros atualizados pelas empresas após o fechamento do balanço mensal), o desempenho de março representa variação positiva de 2,64%, com o estoque geral chegando a 25.740 empregos frente a 25.077 do mês anterior. No ano, a alta atinge 8,80% em relação ao estoque de 2020, quando a cidade tinha 23.659 pessoas com registro em Carteira de Trabalho.

Na divisão por área, entre fevereiro e março, a maior variação relativa foi da construção, que aumentou o número de vagas em 6,39%, de 5.087 para 5.412. A indústria cresceu 3,54%, de 8.899 para 9.214 ocupações. O setor de serviços aumentou 1,02%, de 5.314 para 5.368 postos de trabalho. Já os estoques de emprego do comércio e da agropecuária sofreram retração de 0,22% (de 4.014 para 4.005) e 1,25% (de 1.763 para 1.741), sucessivamente.

A ordem se repete no acumulado do ano, com o número de postos ocupados nas empresas de construção, indústria e serviços aumentando 17,02% (de 4.625 para 5.412), 12,60% (de 8.183 para 9.214) e 5,84% (de 5.072 para 5.368), respectivamente. No período, o comércio se mantém estável, com as mesmas 4.005 vagas preenchidas ao final de 2020. Já a agropecuária apresenta recuo de 1,86% na quantidade de trabalhadores empregados (de 1.774 para 1.741).

Macatuba tem o melhor resultado desde 2015
PONTE – Marilda Ferreira revela que Secretaria de Desenvolvimento de Macatuba tem atuado para intermediar contato entre empresas e trabalhadores (Foto: Divulgação)

Entre as demais cidades da microrregião, Macatuba é a que apresenta o melhor cenário neste início de ano, demonstrando sinais de recuperação em relação à instabilidade observada ao longo dos últimos meses. Em março, o município registrou alta de 95 empregos formais (234 contratações e 139 demissões), atingindo um patamar que, de acordo com um levantamento feito pela reportagem de O ECO, não era alcançado há cinco anos e meio.

Segundo dados do Caged, a última vez que a cidade chegou perto de romper a barreira de 100 vagas abertas em um único mês foi em agosto de 2015, com a geração de 99 empregos (202 contratações e 103 demissões). Depois disso, os melhores desempenhos haviam sido registrados em março e julho de 2016, quando foram criadas 70 (177 contratações e 107 demissões) e 81 (160 contratações e 79 demissões) ocupações, respectivamente.

A principal responsável pela alta de março foi a indústria, que abriu 103 vagas (139 contratações e 36 demissões). O setor de serviços e o comércio também tiveram saldo positivo, de 27 (54 contratações e 27 demissões) e oito vagas (38 contratações e 30 demissões), respectivamente. A agropecuária não registrou movimentação no período. Em contrapartida, a construção civil perdeu 43 postos de trabalho (três contratações e 46 demissões).

SALDO ACUMULADO

Com o resultado de março, Macatuba acumula saldo positivo de 101 vagas (513 contratações e 412 demissões) no ano, com destaque para indústria, serviços e comércio, que geraram 63 (242 contratações e 179 demissões), 51 (128 contratações e 77 demissões) e 26 empregos (106 contratações e 80 demissões), sucessivamente. Agropecuária e construção fecharam com saldo negativo de uma (nenhuma contratação e uma demissão) e 38 ocupações (37 contratações e 75 demissões).

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Para Marilda Aparecida Ferreira, secretária de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Sustentabilidade do município, os números refletem o trabalho que vem sendo feito desde o início da atual administração para fomentar a geração de emprego. “Temos focado muito na plataforma Emprega Macatuba, pela qual recebemos currículos e fazemos a intermediação com as empresas. Toda vez que uma vaga é aberta em algum segmento, temos os cadastros disponíveis”, explica.

Segundo ela, todo o processo de seleção é acompanhado de perto para que o município possa contribuir para eliminar possíveis lacunas. “Sempre que as empresas fazem entrevistas com candidatos a determinadas vagas, procuramos ter um retorno sobre quem foi admitido ou não. Nos casos em que a contratação não ocorre, questionamos sobre os motivos para entender as dificuldades e, se for o caso, promover a capacitação para preparar melhor os trabalhadores”, relata.

Outro fator determinante apontado pela secretária de Desenvolvimento é a divulgação de oferta de emprego. “Publicamos todas as vagas que estão abertas na cidade e região por meio das redes sociais da Prefeitura Municipal e também em nossos contatos pessoais. Tentamos fazer a informação chegar ao maior número possível de pessoas. Temos quase 4 mil currículos cadastrados, mas precisamos manter este canal com as empresas e profissionais”, conclui.

Areiópolis e Borebi seguem com déficit no ano

Areiópolis teve saldo positivo de 27 ocupações (61 contratações e 34 demissões) em março, com altas na agropecuária, que abriu 32 vagas (48 contratações e 16 demissões), e na indústria, que criou dois empregos (três contratações e uma demissão). Construção, serviços e comércio, no entanto, perderam um (nenhuma contratação e uma demissão), dois (cinco contratações e sete demissões) e quatro postos (cinco contratações e nove demissões), respectivamente.

No acumulado, a cidade tem déficit de seis empregos (97 contratações e 103 demissões), com baixas nas empresas de comércio, agropecuária, serviços e construção, que fecharam cinco (17 contratações e 22 demissões), quatro (56 contratações e 60 demissões), quatro (14 contratações e 18 demissões) e uma vaga (nenhuma contratação e uma demissão), respectivamente. O desempenho só não é pior graças à indústria, que criou oito empregos (10 contratações  e duas demissões).

A vizinha Borebi registrou mais uma baixa, perdendo 27 ocupações (oito contratações e 35 demissões) devido à agropecuária, que registrou saldo negativo de 26 vagas (duas contratações e 28 demissões). Comércio e indústria também fecharam no vermelho, com déficit de dois (nenhuma contratação e duas demissões) e um emprego (uma contratação e duas demissões). A construção não teve movimentação. Já o setor de serviços criou dois postos (cinco contratações e três demissões).

Com o resultado, o déficit acumulado no ano é de 29 empregos (55 contratações e 84 demissões). O pior desempenho é da agropecuária, com baixa de 29 vagas (33 contratações e 62 demissões). Em seguida aparecem comércio e serviços, que perderam uma (três contratações quatro demissões) e duas ocupações (10 contratações e 12 demissões). Sem movimentação na construção, apenas a indústria tem saldo positivo, de três vagas (nove contratações e seis demissões).

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