Itens de consumo sobem 15,5%

Em março, lista com 50 produtos mais consumidos custava R$ 839,86; pesquisa deste mês revela que mesmos produtos podem chegar a R$ 970,14

O consumidor de Lençóis Paulista está pagando cada vez mais caro para suprir suas necessidades básicas de consumo. Em meio à crise econômica ocasionada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), os preços dos alimentos e produtos de higiene e limpeza têm subido constantemente e já afetam de forma preocupante os orçamentos das famílias locais. É o que revela o acompanhamento mensal de preços feito pela reportagem de O ECO.

A primeira pesquisa deste ano foi realizada no mês de março, antes da pandemia chegar ao interior do estado de São Paulo. De lá para cá, o valor total da lista composta por 50 itens definidos com base no perfil de consumo das famílias lençoenses (entenda como funciona o levantamento abaixo) teve grande variação, que pode chegar a R$ 130,28, o que representa 15,51% de reajuste. Só para se ter ideia, a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi de 0,88% no período.

Os dados citados consideram o valor total da lista mais barata (R$ 839,86) e da lista mais cara (R$ 970,14) encontradas, respectivamente, em março e outubro. Alguns produtos têm sido os grandes responsáveis pela alta, como o arroz, que chegou a custar R$ 14,79 (pacote de 5 kg, Tipo 1, da marca Safrasul) e nesta semana foi encontrado até a R$ 25,90, com aumento de incríveis 75,12%. Outro vilão tem sido o óleo de soja (embalagem de 900 ml da marca Liza), que subiu 97,63%, de R$ 3,79 para R$ 7,49.

SETEMBRO X OUTUBRO

Enquanto que em setembro o valor total da lista com os 50 itens mais encontrados nos carrinhos de compra do lençoense variava de R$ 880,59 a R$ 928,19, em outubro, a relação com os mesmos produtos e quantidades (confira a relação na tabela ao lado) foi encontrada entre R$ 938,15 e R$ 970,14. A pesquisa, como nos meses anteriores, foi feita nos quatro principais supermercados da cidade, visitados pela reportagem na última terça-feira (6).

Nos dois meses, o menor valor foi observado no Supermercado 2, enquanto que o maior valor foi obtido no Supermercado 3. A variação representa alta de 6,54% na lista mais barata e de 4,52% na lista mais cara. O Supermercado 1 foi o que teve maior elevação de preços de um mês para outro, de 7,96%, com os produtos subindo de R$ 889,95 para R$ 960,81. Já o Supermercado 4 teve o menor reajuste, de 4,26%, com o custo da lista indo de R$ 912,19 para R$ 951,07.

AUMENTO GERAL

Entre setembro e outubro, houve aumento expressivo até entre os produtos mais baratos encontrados em cada supermercado. No mês passado, com a boa e velha pesquisa que é habitual para muitos consumidores, era possível pagar até R$ 820,77 pelos itens mais em conta de cada local. Neste mês, com alta geral, a lista subiu para R$ 851,67, o que indica aumento de 3,76%.

Apesar do valor mais caro, ainda é importante analisar os preços antes de comprar, visto que a economia pode ser considerável. Em setembro, a pesquisa podia resultar em economia de até R$ 107,42. Neste mês, o levantamento feito na terça-feira aponta que é possível gastar até R$ 118,47 a menos. É nisso que aposta a dona de casa Eugênia Pacheco, de 53 anos, que anda com a calculadora na bolsa.

“Como está tudo mais caro, não dá para sair comprando no primeiro lugar. Eu até tenho minhas preferências, mas, ultimamente, tenho ido a pelo menos dois supermercados antes de comprar”, comenta ela, que também dá uma dica de quem tem experiência no assunto. “Não costumo comprar tudo de uma vez, vou abastecendo a casa de acordo com a necessidade. Às vezes, um produto que está mais caro hoje entra na promoção na semana que vem. Tem que ficar sempre de olho”, aconselha.

Alguns consumidores também têm investido em opções com preço mais atrativo para substituir o cardápio. O aposentado Nestor Barbosa, de 64 anos, conta que também tem percebido aumento considerável nas carnes vermelhas (o kg do Coxão Mole, por exemplo, subiu 25,11% entre março e outubro, de R$ 23,90 para 29,90) e, por isso, tem optado por frango na maioria das vezes (no mesmo período, o kg do frango inteiro subiu 17,48%, de R$ 5,95 para R$ 6,99).

“Em casa, como somos apenas eu e minha esposa e nos adaptamos bem com qualquer tipo de alimento, não temos problema. E gostamos muito de frango também, o que facilita, porque tem muita coisa que dá para fazer, de estrogonofe a frango assado. Ultimamente, se for colocar na ponta do lápis, tenho comprado menos de um terço da quantidade de carne vermelha que eu comprava antes. Tenho sentido a diferença no final do mês”, afirma o aposentado.

ENTENDA A PESQUISA

A pesquisa de preços feita pela reportagem de O ECO considera 50 itens básicos encontrados com bastante frequência nos carrinhos de compra dos consumidores locais. A relação, elaborada com a proposta de representar da forma mais fidedigna possível os hábitos de consumo da população, inclui 20 produtos de Mercearia, 10 de Açougue, 10 do setor de Hortifrutigranjeiros e 10 de Higiene e Limpeza. A lista foi definida a partir de uma enquete realizada com assinantes do jornal.

Para o comparativo são analisadas marcas encontradas em todos os estabelecimentos ou, em caso de indisponibilidade, equiparáveis em qualidade e preço. Todas estão descritas na tabela, que apresenta preços unitários e totais de cada item, considerando como referência o consumo médio mensal de uma família de classe média composta por quatro pessoas adultas. Também estão contabilizados os custos totais por grupo e por lista geral de compras em cada um dos locais visitados.

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