Itens da lista de materiais escolares variam até 4100%

HERÓIS/VILÕES – Produtos de personagens infantis estão entre os mais caros da lista de materiais

Os itens da lista de materiais escolares estão entre 10% e 30% mais caros em relação a 2015, segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares e de Escritório (ABFIAE). Além de pesquisar preços, uma das saídas possíveis para economizar, segundo pesquisa de preços feita pelo jornal O ECO, é trocar produtos de grife pelos modelos que não levam os personagens da moda. Em um dos produtos a diferença chegou a 4100%.
A crise econômica, impulsionada por fatores como a inflação, que fechou 2015 em 10,67% e diminuição do poder de compra do brasileiro; a alta do dólar (R$ 4,07 na cotação de ontem), que interfere diretamente nos preços de algumas matérias primas; e o aumento na carga tributária que incide sobre os materiais escolares, obriga os comerciantes a buscarem alternativas para não perderem clientes.
A reportagem do Jornal O ECO esteve em diversos estabelecimentos de Lençóis Paulista na segunda-feira e observou que ferramenta mais utilizada pelos lojistas é a variedade de opções. A maioria das lojas que trabalha com materiais escolares tem procurado oferecer uma grande variedade de produtos, marcas e modelos, buscando atrair clientes de diferentes perfis aos estabelecimentos.
Entre produtos idênticos ou similares, os preços encontrados variam pouco de um estabelecimento para outro, porém, em um mesmo local é possível encontrar um mesmo item da lista de materiais escolares com variação de até 4100% entre o mais barato e o mais caro (veja a lista na tabela abaixo).
OS VILÕES DA LISTA
Os vilões, como sempre, são os produtos "de marca", principalmente os que trazem como destaque os personagens infantis. Boa parte dos itens mais caros estampam algum tipo de desenho animado ou super-herói do momento.
Por esse motivo, algumas pessoas, como a vendedora Maria de Fátima Pereira, de 35 anos, preferem não levar os filhos na hora de comprar os materiais. "Tenho dois filhos, uma de 9 e outro de 7 anos. Se eles estivessem juntos já teria gastado o dobro do que gastei até o momento, porque eles querem sempre os mais caros", destaca.
Outras pessoas, como o auxiliar administrativo Pedro Henrique Oliveira, de 39 anos, que tem um filho no 3º ano, optam por "negociar". "Algumas coisas a gente acaba cedendo ao gosto deles, em outras é preciso segurar. Mas dá para chegar em um meio termo", revela.
NOVO REAJUSTE
Além de estarem mais caros que no ano passado, os materiais escolares devem sofrer um novo reajuste a partir do dia 1º de fevereiro. Alguns comerciantes tem antecipado a reposição de alguns produtos para aproveitar os melhores preços e adiar o repasse ao consumidor final, mas o aumento é inevitável.
"Se antecipar é sempre a melhor opção. É o que eu, como compradora, tenho feito. Nós tentamos adiar ao máximo o momento de fazer o repasse do reajuste, mas, à medida em que os estoques vão se esgotando e os produtos têm que ser repostos, infelizmente os aumentos chegam aos clientes", destaca a empresária Sara Palma Andreoli, proprietária de uma papelaria em Lençóis Paulista.
Andreoli diz ainda que a regra geral para manter boas vendas é negociar. "O segredo da boa venda é a boa compra. Nós, comerciantes, temos constantemente que negociar melhores preços com nossos fornecedores para podermos oferecer melhores condições aos nossos clientes", completa.
DUAS VEZES
Alguns estabelecimentos da cidade, mesmo não atuando especificamente na área, investem alto na compra de materiais escolares no início do ano para aproveitar o bom período de vendas. Ocorre que, por conta da enchente que atingiu muitas lojas do centro comercial da cidade, vários comerciantes perderam todo o investimento.
A empresária Rose Dias, por exemplo, conta que boa parte dos mais de R$ 200 mil que teve de prejuízo com o alagamento se deve ao estoque de materiais escolares perdido. "Eu tinha recebido tudo um dia antes da enchente. As coisas já estavam todas na área de venda", conta.
Pouca coisa foi salva, apenas alguns cadernos. Ela estima que irá deixar de vender cerca de R$ 40 mil nesse período "Além de todo o prejuízo que já tivemos, vamos deixar de vender agora. Perdemos duas vezes", desabafa.

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