Itens básicos têm primeira queda de preços em todos os supermercados

Redução simultânea observada em novembro não acontecia desde o início da pandemia

Abastecer a despensa ainda tem sido uma tarefa bem complicada para os consumidores de Lençóis Paulista, como em todo o país, entretanto, novembro tem dado um pequeno alívio ao orçamento doméstico, cada vez mais pressionado pelo aumento geral de preços observado no dia a dia. Segundo o acompanhamento mensal feito pela reportagem de O ECO, houve redução no custo total da lista de referência nos quatro principais supermercados da cidade neste mês.

De acordo com dados coletados no último dia 10, a lista composta por 50 itens encontrados com frequência nos carrinhos de compras dos consumidores lençoenses (entenda ao lado como funciona a pesquisa) ficou entre 1,05% e 4,41% mais barata nos estabelecimentos visitados. Esta foi a primeira queda simultânea de preços registrada desde o início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), em março de 2020, quando o levantamento foi retomado pelo jornal.

A maior variação negativa de novembro foi observada no Supermercado 2, onde o custo total da lista baixou 4,41% em relação a outubro, de R$ 1.126,56 para R$ 1.076,87. No Supermercado 3 a redução foi de 3,12%, de R$ 1.165,45 para R$ 1.126,14. No Supermercado 4 o preço caiu 2,19%, de R$ 1.120,68 para R$ 1.096,19. Já no Supermercado 1 o custo dos produtos ficou 1,05% abaixo do encontrado no mês anterior, passando de R$ 1.114,80 para R$ 1.103,07.

AINDA É POUCO

Apesar da redução, os consumidores locais avaliam que o cenário ainda está muito distante do ideal. A aposentada Maria Elizabete Vieira, de 63 anos, destaca que tem comprado cada vez menos com a mesma quantia. “Sempre pago com dinheiro e, como venho várias vezes no mês para ver o que está em promoção, trago de R$ 200 a R$ 300 e levo o que dá. De um tempo para cá, tenho voltado para a casa cada vez com menos produtos”, lamenta a consumidora.

Em valores nominais, a redução representa economia de até R$ 46,69% em relação a outubro, mas o reflexo no orçamento passa despercebido, segundo o auxiliar de produção Henrique Pedroso, de 39 anos, que aponta para o aumento geral do custo de vida. “Essa pequena economia não é suficiente nem para pagar o combustível para vir ao supermercado. Não dá nem para ficar pesquisando em mais de um local, porque acaba ficando na mesma ou até mais caro”, reclama.

Outro que vê pouca relevância na queda de preços registrada em novembro é o mototaxista Genival Crespim, de 45 anos, que argumenta que a oscilação tem sido constante e que alguns itens que estão mais baratos em um mês voltam sempre a subir no mês seguinte. “É difícil encontrar um produto que o preço baixa e permanece assim por muito tempo. Todo mundo torce para que continue (a redução de preço), mas eu sou daqueles que só acreditam vendo mesmo”, pontua.

ALTA ACUMULADA

De modo geral, o pouco entusiasmo dos consumidores lençoenses com a variação negativa do mês é compreensível, já que o histórico recente não apresenta dados favoráveis. Enquanto que em novembro o custo da lista de referência ficou de 1,05% a 4,41% mais baixo em relação a outubro, o valor subiu substancialmente nos últimos 20 meses. De acordo com a pesquisa O ECO, de março de 2020 para cá, a alta total dos preços pode ultrapassar a casa dos 30%.

No Supermercado 1, que vendia os mesmos produtos a R$ 839,86 em março de 2020, o aumento foi de 31,34%, com o custo total chegando, como já citado, a R$ 1103,07 neste mês. No Supermercado 4, no qual os itens passaram de R$ 841,70 para R$ 1.096,19, a alta foi de 30,23%. No Supermercado 3 a elevação foi de 26,81%, de R$ 890,43 para R$ 1.129,14. Já no Supermercado 2, com reajuste de 24,83%, o valor da lista passou de R$ 862,64 para R$ 1076,87 no período.

TABELA COMPARATIVA

A pesquisa de preços O ECO considera 50 itens básicos encontrados com bastante frequência nos carrinhos de compra dos consumidores locais. A relação, elaborada com a proposta de representar da forma mais fidedigna possível os hábitos de consumo da população, inclui 20 produtos de mercearia, 10 de açougue, 10 do setor de hortifrutigranjeiros e 10 de higiene e limpeza. A lista foi definida a partir de uma enquete realizada com assinantes do jornal.

Para o comparativo são analisadas marcas encontradas em todos os estabelecimentos ou, em caso de indisponibilidade, equiparáveis em qualidade e preço. Todas estão descritas na tabela que apresenta preços unitários e totais de cada item e grupo, considerando como referência o consumo médio mensal de uma família de classe média composta por quatro pessoas adultas.  


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