Itens básicos subiram o triplo da inflação desde o início da pandemia

Preços se mantêm em alta mesmo com segundo mês consecutivo de queda

Apesar do segundo mês consecutivo de queda na maioria dos supermercados de Lençóis Paulista, o consumidor ainda sente no bolso o aumento dos preços em relação a 2020. Tomando como referência o período pré-pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que coincide com a retomada da pesquisa pela reportagem de O ECO, em março, o custo dos principais itens de consumo sofreu reajuste médio de 17,18%.

Os maiores aumentos – tanto o percentual quanto o nominal – foram identificados no Supermercado 1, único que não acompanhou a tendência de redução de preços observada no mês. Os produtos da lista, que eram vendidos a R$ 839,86 em março de 2020, passaram a custar R$ 1.011,96 em março de 2021, o que indica reajuste de 20,49%, ou de R$ 172,10.

Em seguida aparecem os Supermercados 4, 3 e 2, com reajustes de 19,09%, 15,49% e 13,66%, respectivamente. No supermercado 4 os preços foram de R$ 841,70 para R$ 1.002,40 (+R$ 160,70); no Supermercado 3 o valor saltou de R$ 890,43 para R$ 1.028,40 (+R$ 137,97); já na Supermercado 2 os itens que custavam R$ 862,64 passaram para R$ 980,51 (+R$ 117,87).

Considerando a média de 17,18% de reajuste, o valor dos principais itens de consumo aumentou o triplo em relação à inflação do período, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). De acordo como IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o indicador acumulou alta de 0,86% no mês passado, totalizando 5,20% no acumulado dos últimos 12 meses.

AÇOUGUE TEVE O MAIOR AUMENTO POR SETOR

Na comparação por setor, o maior percentual de aumento dos últimos 12 meses foi identificado nos itens de açougue, que sofreram reajuste médio de 27,51%, com as altas variando entre 24,03% e 31,61%, dependendo do estabelecimento. Entre os produtos com maior aumento estão a salsicha, da marca Perdigão, cujo quilo passou de R$ 7,49 para R$ 14,90, o que revela alta de 98,93%.

Também tiveram reajustes consideráveis o quilo do filé de merluza, que passou de R$ 16,99 para R$ 25,90 (+52,44%); o quilo do músculo moído, que foi de R$ 21,90 para R$ 31,90 (+45,66%); o quilo da calabresa, da marca Sadia, de R$ 19,90 para R$ 28,90 (+45,23%); o quilo do acém em pedaço, de R$ 19,90 para R$ 27,90 (+40,20%); e o quilo da costela ripa, de R$ 16,49 para R$ 22,90 (+38,87%).

Outro setor que tem pesado bastante nas despesas domésticas é o de mercearia, que contabilizou aumento médio de 15,59% no período, com os preços subindo de 19,62% a 8,80%, dependendo do supermercado. Os dois grandes vilões foram o óleo de soja e o arroz, que ganharam as páginas dos noticiários de todo o país no ano passado, por conta das grandes altas registradas.

O preço do frasco óleo de soja de 900 ml, da marca Liza, chegou a dobrar nos últimos 12 meses, passando de R$ 3,89 para R$ 7,87 (+102,31%). O pacote de cinco quilos do arroz tipo 1, da marca Safrasul, vendido a R$ 14,97 em março de 2020, hoje custa R$ 23,90 (+59,65%). Outro item com aumento expressivo foi a margarina com sal de 500g, da marca Qualy, que passou de R$ 4,49 para R4 6,98 (+55,46%).

PREÇOS TIVERAM REDUÇÃO NOS ÚLTIMOS DOIS MESES

Mesmo com a alta acumulada, os principais itens de consumo tiveram queda de preço pelo segundo mês consecutivo. De acordo com a pesquisa mensal realizada pela reportagem de O ECO, o consumidor lençoense está pagando mais barato para abastecer a despensa na comparação entre fevereiro e março, o que já havia sido observado no levantamento anterior. Houve redução em três dos quatro supermercados visitados.

O Supermercado 1, que por dois meses seguidos ofereceu ao consumidor local o menor custo total para a lista com os 50 produtos utilizados como referência (entenda abaixo com funciona a pesquisa), foi o único que apresentou aumento entre fevereiro e março. Com reajuste de 0,99%, o preço dos itens passou de R$ 1.002,05 para R$ 1.011,96, aumento de R$ 9,91.

Movimentação contrária foi observada no Supermercado 2, que apresentou a maior baixa de preços, o que já havia sido identificado no levantamento anterior. Com redução de 4,01%, o custo total da lista no estabelecimento passou de R$ 1.021,48 para R$ 980,51. Com a diminuição de R$ 40,97 no valor dos itens, o local passou a oferecer a melhor condição de compra aos clientes.

Os demais estabelecimentos também apresentaram queda de preços em relação ao mês anterior. No Supermercado 3, com baixa de 3,97%, o custo da lista de 50 itens passou de R$ 1.070,95 para R$ 1.028,40 (-R$ 42,55). No Supermercado 4, com redução de 2,83%, os produtos comercializados a R$ 1.031,58 em fevereiro, passaram a custar R$ 1.002,40 (-R$ 29,18).

ENTENDA COMO É FEITA A PESQUISA MENSAL

A pesquisa de preços feita pela reportagem de O ECO considera 50 itens básicos encontrados com bastante frequência nos carrinhos de compra dos consumidores locais. A relação, elaborada com a proposta de representar da forma mais fidedigna possível os hábitos de consumo da população, inclui 20 produtos de mercearia, 10 de açougue, 10 do setor de hortifrutigranjeiros e 10 de higiene e limpeza. A lista foi definida a partir de uma enquete realizada com assinantes do jornal.

Para o comparativo são analisadas marcas encontradas em todos os estabelecimentos ou, em caso de indisponibilidade, equiparáveis em qualidade e preço. Todas estão descritas na tabela, que apresenta preços unitários e totais de cada item, considerando como referência o consumo médio mensal de uma família de classe média composta por quatro pessoas adultas. Também estão contabilizados os custos totais por grupo e por lista geral de compras em cada um dos locais visitados.

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