Indústria alimentícia: uma vocação

Listada entre as principais empresas do agronegócio, Frigol é a quarta maior produtora de carne bovina do país e um dos pilares da economia local

A indústria alimentícia sempre foi uma grande vocação de Lençóis Paulista. Com uma matriz econômica bem diversificada, a cidade conta com empresas de pequeno, médio e grande portes que atuam em vários segmentos do mercado. Não por acaso, o setor é considerado um dos pilares que sustentam o desenvolvimento local, empregando milhares de trabalhadores direta e indiretamente e gerando renda para a subsistência de inúmeras famílias, inclusive de municípios da microrregião, como Macatuba, Areiópolis e Borebi.

O parque industrial lençoense conta com diversas empresas de tradição, como a Orsi Alimentos, que produz macarrão desde 1949; a fábrica de biscoitos Zabet, fundada em 1960, atualmente ligada ao Grupo M. Dias Branco; a Alimentos Belmont, que fabrica vinagre e temperos desde 1972; a Safra Sul Alimentos, criada em 1978, responsável por marcas como Safra Sul, Ubirama e Campeão do Sul; e a Duraci, empresa de 1951, que conta com um mix de mais de 100 produtos, principalmente grãos, temperos e condimentos.

Entre as grandes potências do setor está a Frigol, que, desde 1970, vem se consolidando cada vez mais no seleto grupo das principais indústrias de produção e processamento de proteína animal do Brasil. Listada há vários anos entre as 100 maiores companhias do agronegócio brasileiro por veículos especializados, ocupando a quarta posição no segmento de carne bovina, a empresa lençoense possui cinco unidades de produção, sendo três em Lençóis Paulista e duas em São Félix do Xingu e Água Azul do Norte, ambas no Pará.

Eduardo Miron, executivo que assumiu o posto de CEO da Frigol em dezembro do ano passado, enfatiza que o setor de proteína animal tem papel fundamental na economia e destaca que, apesar de uma queda na demanda interna nos últimos anos, ocasionada, principalmente, pela perda do poder de compra da população, desemprego recorde e falta de crescimento econômico consistente, tem havido uma significativa compensação com as exportações, que, atualmente, representam mais de 50% da receita da companhia lençoense.

“O setor tem ampliado sua participação no mercado externo e essa tendência deve continuar por várias razões. A primeira é porque temos capacidade de produção e crescimento maior do que qualquer outro país. A segunda é que temos preços competitivos, principalmente se a taxa de câmbio continuar no patamar em que está. Vemos o atual momento de forma otimista. Continuamos investindo e nos preparando para a missão de alimentar o mundo”, comenta o executivo, que fala sobre os principais desafios para os próximos anos.

“A Frigol se insere num universo de negócios que dependem de mão de obra e este é um dos principais desafios. Precisamos contratar e reter funcionários para melhorar cada vez mais a eficiência da operação. Outro desafio importante tem a ver com as demandas dos clientes, os investimentos necessários e as adaptações na operação para que a eficiência seja, novamente, mantida. Temos que nos preparar em várias áreas, dentre elas: comunicação, sustentabilidade, tecnologia e inovação, para enfrentar estes desafios”, diz.

Com investimento de R$ 27 milhões, Camda se consolida no município

Ainda no segmento alimentício, Lençóis Paulista tem sido foco de investimentos milionários nos últimos anos, o mais recente capitaneado pela Camda (Cooperativa Agrícola Mista de Adamantina), que atua há décadas na cidade. Fundada em 1965, em Adamantina, a cooperativa se expandiu significativamente nos últimos anos e, atualmente, conta com mais de 24 mil produtores em 42 municípios de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás, cultivando soja, milho, trigo, sorgo, cana-de-açúcar, entre outros.

Com a expansão dos negócios, a Camda colocou em prática um grandioso projeto no ano passado. Com investimento de mais de R$ 27 milhões, foram construídos três grandes silos para armazenamento de soja e milho, trigo e sorgo, com capacidade para até 130 mil sacas. No local, com uma área total de mais de 48 mil metros quadrados situados às margens da Rodovia Marechal Rondon (SP-300), também existem outros três silos com capacidade para até 10 mil sacas, o que torna possível atender a demanda de toda a região.

O foco do investimento é o cultivo de grãos para recuperação de solo em áreas canavieiras de parceiros agrícolas da Zilor, por meio do programa “Mais soja muito mais cana”. Lucas Pauli, gerente de cereais da Camda, explica que a cada safra o fornecedor de cana precisa renovar até 20% de suas áreas de plantio para manter uma boa média de produtividade, o que é feito com culturas diversas, como a soja, que reduz a necessidade de aplicação de fertilizantes. Na região, isso impacta uma área de cerca de 26 mil hectares.

PRODUÇÃO EM ALTA – Novos silos da Camda têm capacidade para armazenar 420 mil sacas de grãos (Foto: Divulgação)

De acordo com o gerente os novos silos têm capacidade para armazenar toda a produção e ainda oferecem outras vantagens. “Nossa nova unidade foi projetada para trabalhar com maior eficiência possível, tombadores, balanças digitais, aparelhos de amostragens de última geração, tudo calculado para termos grande agilidade na descarga, classificação e carregamento. O investimento é para dar sustentação aos nossos cooperados trazendo a eles armazenamento seguro, descarga eficiente e uma grande economia em frete”, pontua.

Ainda segundo ele, atenta ao crescimento do mercado, a Camda tem investido cada vez mais em estrutura e pesquisa visando o aumento da produtividade. “O agro vem passando pela sua terceira revolução, concentrada em tecnologias de insumos como micro-organismos, incremento de produtividade sobre a mesma área explorada. Existe uma grande demanda mundial, um cenário muito interessante. Diante disso, nossas perspectivas são muito boas, esperamos que o crescimento se mantenha muito firme nos próximos seis anos”, avalia.

Grupo Siqueira desenvolve produto inovador para recuperação de solo

Papel importante no agronegócio e, consequentemente na indústria alimentícia, também desempenha o Grupo Siqueira, que tem 40 anos de história e atua há mais de 10 em Lençóis Paulista, sede da Pedreira Diabásio, uma de suas seis unidades. Próxima a Alfredo Guedes, a pedreira tem foco na extração e beneficiamento de basalto, transformado em diversos produtos, entre eles o remineralizador de solo, fruto de investimento constante em pesquisa, que tornou a empresa pioneira no segmento e referência em todo o país.

“Todo solo já foi uma rocha que, ao longo do tempo, com a ação do clima e a atividade de micro-organismos, libera minerais que são absorvidos pelas plantas. Na antiguidade, se percebeu que onde as cinzas vulcânicas caiam as plantas eram mais vigorosas. Hoje, sabemos que os solos mais férteis são os de origem basáltica. O que fazemos, basicamente, é reproduzir o processo natural, extraindo e processando o basalto para remineralizar o solo”, revela Fernando Hiroshi Moriya, gestor de Novos Negócios da companhia.

O Reminer, que atende a produtores de todo o país tem vários benefícios. A técnica é muito útil, principalmente em solos tropicais, como os brasileiros, mais desgastados devido à intensa atividade biológica e climática, com 10 vezes mais micro-organismos e de 30 a 50 vezes menos minerais, em comparação aos solos de clima temperado. O produto devolve a composição mineral inicial, como se um novo solo estivesse sendo criado. Não por acaso, é visto como a principal solução para a atual crise mundial dos fertilizantes.

INOVAÇÃO – Remineralizador de solo é visto como a principal solução para a atual crise mundial dos fertilizante (Foto: Divulgação)

Apesar do produto inovador e do potencial de mercado, como quase todos os setores da economia mundial, a mineração também sentiu os reflexos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e não foi diferente com o Grupo Siqueira. De acordo com o gestor de Novos Negócios, houve grande impacto nas operações da empresa, sobretudo na questão do manejo de mão de obra, no fornecimento de insumos e na redução de demanda nos últimos dois anos, mas as projeções para o futuro a curto e médio prazos são bem favoráveis.

“Tomamos todo o cuidado possível para que nossos colaboradores estivessem protegidos do vírus no ambiente de trabalho, o que custou muito empenho e recursos, mas tudo valeu a pena. Não foi uma época fácil, mas deixou lições valiosas. Quando a pandemia surgiu a construção civil estava em plena ascensão e esperamos que ela volte para o mesmo caminho com o fim desse período se consolidando. A perspectiva para o futuro é promissora. Estamos otimistas com o cenário de retomada do crescimento do setor”, finaliza Moriya.

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