Geração de emprego despenca e coloca Lençóis no vermelho

Com cinco baixas consecutivas ocasionadas pela construção, cidade perdeu o saldo acumulado no primeiro semestre; dados de novembro apontam déficit de sete vagas

Lençóis Paulista voltou a registrar saldo negativo na geração de emprego em novembro. É o que apontam os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados na última quinta-feira (23) pelo Ministério do Trabalho e Previdência – criado novamente pelo Governo Federal após desvinculação do Ministério da Economia. De acordo com a atualização, o mercado formal lençoense perdeu 405 postos de trabalho no mês passado (1.086 contratações e 1.491 demissões, atingindo a quinta baixa consecutiva e ficando pela primeira vez com déficit acumulado no ano.

Mais uma vez, o desempenho foi prejudicado pela construção, que fechou 557 postos (96 contratações e 653 demissões). Mas o mês também foi ruim para o setor de serviços e a agropecuária, que registraram déficits de 33 (291 contratações e 324 demissões) e 11 (28 contratações e 39 demissões) empregos, respectivamente. O comércio, em período de aquecimento das vendas, contabilizou saldo positivo de 109 ocupações (277 contratações e 168 demissões) e ajudou a minimizar o impacto. O mesmo ocorreu com a indústria, que criou 87 vagas (394 contratações e 307 demissões).

Com as sucessivas baixas dos últimos meses, a cidade rompeu pela primeira vez a barreira deficitária. Entre janeiro e novembro, foram perdidas sete ocupações no mercado formal (16.293 contratações e 16.300 demissões), o que indica ligeira retração em relação a dezembro de 2020: 0,03%. Mesmo considerando os índices positivos do primeiro semestre, a construção registra déficit de 2.071 empregos (4.228 contratações e 6.299 demissões), com recuo de 44,92%. Também em baixa, a agropecuária fechou 36 postos de trabalho (337 contratações e 373 demissões), encolhendo 2,08%.

Por outro lado, o setor de serviços, a indústria e o comércio contabilizam excelentes resultados no ano. O melhor desempenho é do setor de serviços, que criou 948 ocupações (3.827 contratações e 2.879 demissões), avançando 18,79% no número de empregos formais. A indústria gerou 768 postos (5.517 contratações e 4.749 demissões), com alta de 9,51% em relação a dezembro de 2020. Já o comércio, em franca recuperação após um período conturbado, abriu 384 vagas até novembro (2.384 contratações e 2.000 demissões), com aumento de 9,67% no total de empregados.

Construção fechou mais de 2,7 mil vagas desde julho

Apenas nos últimos cinco meses, de julho a novembro, devido à desmobilização de diversas empresas terceirizadas contratadas para as obras de ampliação da multinacional Bracell (Projeto Star), a construção registrou uma retração de 2.741 empregos formais (742 contratações e 3.483 demissões). Mesmo que tal movimentação já fosse esperada em razão da conclusão do megaempreendimento, muitos trabalhadores da cidade têm sido impactados e, novamente na temida fila do desemprego, se mostram muito apreensivos em relação à recolocação no mercado de trabalho.

“Quem tem experiência na minha área não fica parado, pois sempre aparece um serviço ou outro, mas nada se compara à segurança de ter a Carteira de Trabalho assinada, só que isso está bem difícil de conseguir. Já estou sem registro há sete meses e perdi a conta de quantos currículos entreguei e quantas ligações fiz em busca de emprego. E não é apenas comigo, conheço pelo menos mais uns cinco que estão na mesma situação”, lamenta o pedreiro Paulo Sérgio Anacleto, de 49 anos, que revela que trabalha na área há mais de 26 anos, porém, apenas 12 na formalidade.

Em busca de novas oportunidades, alguns trabalhadores têm considerado procurar emprego em outras localidades, aproveitando a experiência adquirida e os contatos estabelecidos com empreiteiras que atuaram na cidade nos últimos anos. É o caso do carpinteiro Olímpio Teixeira, de 43 anos. “Ainda tenho dois meses de seguro-desemprego, mas estou pensando em seguir para uma obra que vai começar no Paraná em janeiro. É uma vaga para apenas seis meses, longe de casa, mas tenho receio de não conseguir arrumar outra coisa por aqui. Não dá para perder”, comenta.

Dados revelam cenários opostos entre homens e mulheres

As estatísticas do Caged revelam dois cenários extremamente opostos entre homens e mulheres. Considerando o sexo na contabilização do saldo de contratações e demissões, elas levam grande vantagem no mercado formal de Lençóis Paulista, apesar de a oferta de emprego ser significativamente menor. De acordo com os dados do Ministério do Trabalho, foram gerados 914 empregos entre as mulheres (3.881 contratações e 2.967 demissões) de janeiro a novembro. No mesmo período, foram perdidos 921 postos entre os homens (12.412 contratações e 13.333 demissões).

O mesmo panorama se mantém em relação à contratação de aprendizes. Neste ano, foram criados 97 postos para jovens sem experiência (249 contratações e 152 demissões). A maioria das vagas é ocupada por mulheres, 61 (106 contratações e 45 demissões), frente a 36 (143 contratações e 107 demissões) preenchidas por homens. Em relação à idade, existe um superávit de 155 postos para aprendizes de até 17 anos (213 contratações e 58 demissões). Já entre os admitidos com idade entre 18 e 24 anos as estatísticas revelam déficit de 58 vagas (36 contratações e 94 demissões).

A jovem Tainara Oliveira, de 17 anos, se enquadra nos três cenários. Mulher, aprendiz e menor de idade, ela conseguiu uma oportunidade de emprego há cinco meses e espera continuar trabalhando em um supermercado da cidade. “É meu primeiro emprego fixo e estou gostando muito, me sentindo mais independente. Tem sido um pouco corrido conciliar com a escola, depois vai ser do mesmo jeito com a faculdade, mas acho importante começar a trabalhar cedo para valorizar as coisas que nós conquistamos”, revela a adolescente, que pretende estudar engenharia química.

Macatuba tem o melhor desempenho da microrregião

Entre as cidades da microrregião, Macatuba foi a que teve o melhor desempenho em novembro, com 45 empregos criados (165 contratações e 120 demissões). O bom resultado foi impulsionado pela construção, que abriu 60 vagas (65 contratações e 60 demissões). O comércio também registrou alta, com 13 novas ocupações (36 contratações e 23 demissões). Indústria, serviços e agropecuária encerraram o mês com baixas de 16 (33 contratações e 49 demissões), sete (31 contratações e 38 demissões) e cinco (nenhuma contratação e cinco demissões) postos, respectivamente.

Com a alta do mês, o acumulado do ano subiu para 208 vagas (1.474 contratações e 1.266 demissões), o que representa aumento de 6,12% no total de empregados formais em relação a dezembro de 2020. Todos os setores contabilizam números positivos. A indústria lidera a lista com 75 empregos (584 contratações e 509 demissões), seguida por comércio, com 62 (357 contratações e 295 demissões), serviços, com 57 (358 contratações e 301 demissões), agropecuária, com oito (20 contratações e 12 demissões) e construção, com seis (155 contratações e 149 demissões) ocupações.

Areiópolis fecha em baixa, mas se mantém no azul

A vizinha Areiópolis, por sua vez, registrou o pior resultado do mês, com 50 vagas encerradas (45 contratações e 95 demissões) e nenhum setor fechando o balanço com saldo positivo. O maior déficit foi observado na agropecuária, que perdeu 28 postos (10 contratações e 38 demissões), seguida por serviços e indústria, que tiveram baixas de 19 (25 contratações e 44 demissões) e três (duas contratações e cinco demissões) empregos, respectivamente. O comércio ficou com zero de saldo (oito contratações e oito demissões). Já a construção não teve movimentação.

Com o recuo, a cidade perdeu boa parte do saldo acumulado no ano, mas se mantém com alta de sete empregos formais (458 contratações e 451 demissões), com avanço de 0,66% em relação a dezembro de 2020. Entre os setores globais, indústria, serviços e comércio têm superávits de 29 (48 contratações e 19 demissões), 11 (136 contratações e 125 demissões) e uma (78 contratações e 77 demissões) ocupações, respectivamente. Já agropecuária e construção contabilizam retrações de 32 (196 contratações e 228 demissões) e duas (nenhuma contratação e duas demissões) vagas.

Mesmo com pequena alta, Borebi acumula déficit

A pequena Borebi registrou um raro momento de alta no nível de emprego em novembro, com quatro novas ocupações com registro em Carteira de Trabalho (16 contratações e 12 demissões), com destaque para o comércio, que criou quatro vagas (cinco contratações e uma demissão). O setor de serviços abriu um posto (duas contratações e uma demissão). A agropecuária foi no caminho inverso e perdeu um emprego (oito contratações e nove demissões). A indústria ficou com zero de saldo (uma contratação e uma demissão). Já a construção não teve movimentação no mês.

Com os dados atualizados, o município agora acumula saldo negativo de 69 postos entre janeiro e novembro (181 contratações e 250 demissões), o que indica retração de 9,18% em relação a dezembro de 2020. O pior desempenho é da agropecuária, que já encerrou 84 ocupações (111 contratações e 195 demissões). A construção tem saldo negativo de um emprego formal (nenhuma contratação e uma demissão). Serviços, indústria e comércio registram altas de seis (24 contratações e 18 demissões), cinco (28 contratações e 23 demissões) e cinco (18 contratações e 13 demissões), vagas, respectivamente.


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