Consumidor está pagando até 6,71% a mais para abastecer a despensa

SALGADO – Preço de itens básicos dispara em setembro e encarece lista de compras; arroz e óleo de soja são os principais vilões (Foto:Vitor Rodrigues)
Após uma pequena redução, o preço dos itens básicos de consumo voltou a subir em Lençóis Paulista, seguindo uma tendência observada em todo o país. Enquanto que em agosto a pesquisa feita pela reportagem de O ECO apontou queda de até 1,87% no valor total da lista com os 50 principais produtos que abastecem a despensa das famílias locais, a alta pode chegar a 6,71% neste mês.
O aumento foi registrado nos quatro principais supermercados da cidade, visitados na primeira semana de cada mês. A maior alta, de 6,71%, foi observada no supermercado 3, onde o valor total da lista de compras passou de R$ 869,82 para R$ 928,19. Nos supermercados 1, 2 e 4 os preços subiram 2,18% (R$ 870,95 / R$ 889,95), 1,11% (R$ 870,89 / R$ 880,59) e 4,67% (R$ 871,53 / R$ 912,19), respectivamente.
Até a soma dos valores dos itens mais baratos de cada local teve aumento considerável no período, de 5,08% (R$ 781,10 / R$ 820,77). De julho para agosto o levantamento havia registrado queda de 0,49% (R$ 784,95 / R$ 781,10). A diferença de preço dos produtos mais em conta para a lista mais cara, que foi de R$ 90,43 (R$ 781,10 / R$ 871,53) no mês passado, subiu para R$ 107,42 (R$ 820,77 / R$ 928,19).
Com o preço dos produtos subindo, consumidores revelam que têm se amparado na boa e velha pesquisa para economizar. A vendedora Ana Paula Ribeiro, de 37 anos, diz que divide as compras entre dois supermercados. “Como ambos ficam praticamente no caminho entre meu trabalho e minha casa, é mais fácil. Procuro sempre aproveitar as promoções em cada local”, comenta.
O pedreiro José Carlos Alves, de 53 anos, também não se prende a apenas um local na hora de ir às compras, mas diz que nos últimos meses tem sentido pouca diferença no orçamento. “Não sei onde vamos parar com as coisas subindo desse jeito. Em casa somos em seis pessoas e está ficando cada vez mais difícil para manter. Daqui a pouco vamos ter que trabalhar apenas para comer”, reclama.
METODOLOGIA
A pesquisa considera 50 itens básicos encontrados com bastante frequência nos carrinhos de compra dos consumidores locais. A relação, elaborada com a proposta de representar da forma mais fidedigna possível os hábitos de consumo da população, inclui 20 produtos de Mercearia, 10 de Açougue, 10 de Hortifrutigranjeiros e 10 de Higiene e Limpeza. A lista foi definida em enquete com assinantes do jornal.
Para o comparativo são analisadas marcas encontradas em todos os estabelecimentos ou, em caso de indisponibilidade, equiparáveis em qualidade e preço. Todas estão descritas na tabela, que apresenta preços unitários e totais de cada item, considerando como referência o consumo médio mensal de uma família de classe média composta por quatro pessoas adultas.
Arroz e óleo de soja encarecem mais a cesta básica
Na comparação com o mês passado, alguns produtos de primeira necessidade aumentaram consideravelmente. Exemplos foram o pacote de 5 kg de arroz tipo 1 da marca Safrasul, que passou de R$ 17,98 para R$ 23,90 (+32,93%) no supermercado 4, e o óleo de soja de 900 ml da marca Liza, que teve o preço subindo de R$ 4,35 para R$ 5,98 (+37,48%), também no supermercado 4.
Na lista de açougue houve aumento na maioria dos produtos. O que mais disparou foi o preço do kg do pernil suíno, que foi de R$ 12,50 para R$ 18,90 (+51,2%) no supermercado 2. O kg do frango inteiro também teve grande alta de um mês para outro, de R$ 4,99 para R$ 6,99 (+40,09%) no supermercado 3. Já o kg da calabresa da marca Sadia, subiu de R$ 19,90 para R$ 24,98 (+25,53%) no supermercado 4.
No setor de hortifrutigranjeiros a grande vilã foi a banana nanica, com o kg encontrado a R$ 3,99 no supermercado 1, o que representa alta de 61,54% em relação a agosto, quando custava R$ 2,47 no mesmo local. Já o kg da batata baixou em dois locais, com maior queda registrada no supermercado 2, de R$ 2,97 para R$ 1,59, com redução de 46,46% no período.
Entre os produtos de higiene e limpeza, o shampoo de 325 ml da marca Seda sofreu reajuste de 38,52% no supermercado 1, com o valor indo de R$ 6,49 para R$ 8,99. Em contrapartida, o pacote com quatro rolos de papel higiênico da marca Sublime, que no mês passado chegou a custar R$ 7,98 no supermercado 4, ficou 56,26% mais barato no mesmo local, passando a R$ 3,49.
Alta dos alimentos puxa inflação para cima
O preço dos alimentos é apontado como um dos principais fatores para a alta da inflação, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O indicador de agosto, divulgado na quarta-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foi de 0,24%, o que elevou o acumulado do ano para 0,70%. A taxa ficou abaixo da de julho (0,36%), mas foi a maior para o mês desde 2016 (0,44%).
Por conta do aumento, a Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, cobra explicações de supermercados e produtores. O assunto foi tratado em reunião realizada na quarta-feira, com a participação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), integrantes da equipe econômica e membros da ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados).
Em coletiva de imprensa realizada após o encontro, João Sanzovo Neto, presidente da entidade e acionista da rede Jaú Serve, disse que os supermercados não são os vilões. Segundo ele, o setor tem sofrido forte pressão de aumento nos preços por parte das indústrias e fornecedores, mas tem dialogado com o Governo Federal e representantes de todos os elos da cadeia de produção e abastecimento.
Aos jornalistas, ele apontou o que considera como fator desencadeante do cenário atual, principalmente em relação à alta do arroz. “É a lei de mercado, de oferta e procura. Se a demanda se mantém, mas existe menos produtos ofertados, o valor aumenta. Boa parte da produção está sendo exportada. Com o câmbio alto, o produtor prefere exportar porque tem uma valorização maior”, pontuou Neto.

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