Comprar o básico pode custar mais de R$ 1,3 mil em Lençóis

Acompanhamento mensal nos supermercados aponta alta de 16,27% no último ano

O preço dos principais itens básicos de consumo segue em alta nos supermercados de Lençóis Paulista. De acordo com o acompanhamento mensal feito pela reportagem de O ECO, o valor da lista de referência com os 50 produtos mais consumidos pelas famílias locais (entenda abaixo como funciona a pesquisa) sofreu reajuste médio de 1,60% de abril para maio. Os dados foram coletados na última terça-feira (10) nos quatro principais estabelecimentos do município.

O custo total, que variava de R$ 1.213,90 a R$ 1.273,34 em abril, oscila de R$ 1.218,90 a R$ 1.308,46 neste mês. Em ambos os levantamentos, o valor mais baixo foi encontrado no Supermercado 1, que aplicou reajuste de 0,41% no período. Já o valor mais alto foi apurado no Supermercado 3, com aumento de 2,76% no mesmo intervalo.  Nos supermercados 2 e 4, o custo passou de R$ 1.233,49 para R$ 1.264,52 (+2,52%) e de R$ 1.240,68 para R$ 1.248,93 (0,66%), respectivamente.

Com o pico de R$ 1.308,46, a pesquisa alcançou o maior patamar desde o início da série histórica, em março de 2020. O mesmo se aplica ao preço médio dos quatro estabelecimentos que, com a já citada variação de 1,60% sobre os R$ 1.240,35 de abril, chegou a R$ 1.260,20 neste mês. Até mesmo a chamada lista econômica, composta pelos produtos mais baratos de cada local, quebrou recorde de alta, passando de R$ 1.104,91 para R$ 1.135,48, o que indica reajuste de 2,77%.

O aumento de preços do mês novamente ficou bem acima da inflação. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) apurado em abril foi de 1,06%, mais de meio ponto percentual abaixo do reajuste médio indicado pela pesquisa deste mês. Desde abril do ano passado, o custo médio dos produtos da lista de referência já acumula alta de 16,27%. No mesmo período, a inflação oficial do país contabilizou alta de 12,48%.

Estratégias

Consumidores ouvidos pela reportagem de O ECO destacam que a disparada de preços tem comprometido significativamente o orçamento familiar e revelam o que têm feito para driblar os sucessivos aumentos. A lista inclui a boa e velha pesquisa, que pode garantir uma economia considerável; a procura pelas promoções da semana, que ajuda a minimizar o impacto da alta; e a busca por opções mais baratas, que interfere na rotina, mas acaba valendo a pena no fechamento da conta.

A vendedora Anelize Batista é adepta da primeira estratégia. “Costumo me deslocar ao trabalho de ônibus, pois recebo vale-transporte e fica mais barato para mim, porém, pelo menos uma vez por semana, meu esposo vem me buscar no final do expediente para passarmos nos supermercados. Vamos em dois ou três locais diferentes para conferir os preços, não compramos tudo em um único lugar. Isso tem ajudado a economizar um pouco, apesar de estar tudo caro ultimamente”, afirma.

O operador de máquinas Rodiney Machado explica que tem focado nas promoções para gastar menos, mesmo que a economia tenha destino certo. “Em casa, estamos sempre de olho nos jornaizinhos, aplicativos e redes sociais dos supermercados. Temos tentado nos organizar para comprar o mínimo possível fora da promoção. Já chegamos a economizar mais de R$ 200 assim. É um dinheiro que dá para abastecer o carro, pagar uma conta de luz ou outra despesa do mês”, pontua.

Para a costureira Mafalda Cipriano a saída tem sido mais drástica. Com o esposo desempregado, ela comenta que a alternativa tem sido substituir algumas marcas que antes eram constantes no carrinho de compras e até mesmo alguns produtos. “Passamos a variar bastante as marcas, sempre levamos as opções mais em conta. O café, o leite e o açúcar, por exemplo, subiram muito de um ano para cá. No açougue e na feira também damos preferência para o que está com o preço melhor”, diz.

Alta constante

Apesar da alta, as listas de dois setores ficaram mais baratas. Na parte de hortifruti, o custo médio dos produtos baixou 4,43%, de R$ 177,20 para R$ 169,35. Já no setor de higiene e limpeza, a redução foi de 2,28%, de R$ 158,81 para R$ 155,19. Isso não refletiu no valor total por conta dos reajustes aplicados na mercearia e no açougue, onde os produtos ficaram, em média, 4,98% e 2,08% mais caros, de R$ 430,99 para R$ 452,45 e de R$ 473,36 para R$ 483,21, respectivamente.

Mesmo com a baixa registrada em maio, o setor de hortifruti segue acumulando reajustes consideráveis nos últimos meses. Exemplos são o quilo da cenoura, que subiu 203,75% no preço médio desde maio do ano passado, de R$ 2,14 para R$ 6,49. Outros produtos com altas significativas foram os quilos do tomate, cujo preço aumentou de R$ 4,98 para R$ 8,42 (69,08%); da batata, que foi de R$ 4,49 para R$ 6,99 (55,68%); e da banana nanica, de R$ 3,23 para R$ 4,94 (52,94%).

Na mercearia, a maior alta foi do pó de café Tesouro (pacote de 500 g), que subiu 90,39% nos últimos 12 meses, de R$ 10,93 para R$ 20,80. Outros produtos que sofreram reajustes bem acima da inflação foram o biscoito maisena Zabet (pacote de 400 g), com aumento de 50,19%, de R$ 5,14 para R$ 7,72; o açúcar refinado União (pacote de 1 kg), que subiu 43,92%, de R$ 3,29 para R$ 4,74; e a maionese Hellman’s (pote de 500 g), que ficou 49,75% mais cara, de R$ 5,99 para R$ 8,97.

Entenda como funciona a pesquisa mensal

A pesquisa de preços feita pela reportagem de O ECO considera 50 itens básicos encontrados com bastante frequência nos carrinhos de compra dos consumidores locais. A relação, elaborada com a proposta de representar da forma mais fidedigna possível os hábitos de consumo da população, inclui 20 produtos de mercearia, 10 de açougue, 10 do setor de hortifrutigranjeiros e 10 de higiene e limpeza. A lista foi definida a partir de uma enquete realizada com assinantes do jornal.

Para o comparativo são analisadas marcas encontradas em todos os estabelecimentos ou, em caso de indisponibilidade, equiparáveis em qualidade e preço. Todas estão descritas na tabela, que apresenta valores unitários e totais de cada item, considerando como referência o consumo médio mensal de uma família de classe média composta por quatro pessoas adultas. Também estão contabilizados os custos totais por grupo e por lista geral de compras em cada um dos locais visitados.


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