Comércio registra queda de 8% nas vendas

Levantamento iniciado esta semana pelaAssociação Comercial e Industrial de Lençóis Paulista (Acilpa)junto aos estabelecimentos associados aponta uma queda média de 8% nas vendas de final de ano em relação a 2014. O cenário já era esperado pela maioria dos lojistas devido a retração na economia do país, resultado de fatores como a inflação elevada, os juros altos, as restrições no mercado de trabalho e a própria crise política.
Segundo Anderson Prado de Lima, presidente da Acilpa, o levantamento ainda não foi concluído, o que deve acontecer até o final de semana, mas já é possível fazer uma projeção fiel das perdas. "O que a gente pode apurar, até o momento, é que nós tivemos uma queda entre 7,5% e 8%. Não estamos considerando o varejo ampliado (que inclui também os setores automotivo e de construção civil), estamos nos concentrando no comércio de presentes natalinos, especificamente na última semana (18 a 24), mas os dados mostram o desempenho geral de dezembro, segundo os lojistas associados", explica.
Prado de Lima acrescenta que, segundo os dados prévios do levantamento da Acilpa, algumas lojas superaram as vendas de 2014 e outras conseguiram manter o mesmo patamar, mas a maioria dos comerciantes teve retração nas vendas. Hugo Leonardo Biasi, proprietário de uma loja de telefonia, enfrentou essa situação. Segundo ele, o aumento da carga tributária sobre o setor acabou forçando o repasse dos valores ao consumidor, o que resultou em produtos até 9,5% mais caros e, como consequência, queda de cerca de 30% nas vendas. "A situação só não foi pior por conta dos serviços de assistência técnica, que ajudam a suprir as perdas no varejo", comenta.
LIQUIDAÇÕES
Passada a turbulência, a regra geral no comércio é buscar alternativas para atrair clientes aos estabelecimentos. O ano começou com as lojas oferecendo descontos que chegam a 70%. Nos primeiros dias da semana as ruas do centro comercial de Lençóis não tiveram grande fluxo de pessoas, mas de hoje até o final de semana a expectativa entre os comerciantesé de boa movimentação, principalmente por conta das grandes liquidações tradicionalmente promovidas pelas lojas de móveis e eletro na primeira semana do ano.
Jonas Moghetti, gerente de uma loja de confecções, conta que a queda nas vendas em dezembro foi de cerca de 15% em relação ao ano passado, mas o clima é de otimismo em janeiro. Segundo ele, do dia 30 de dezembro até ontem, impulsionadas pelas promoções que vão de 30% a 70%, as vendas em sua loja registraram crescimento de 10% em relação ao ano passado e a expectativa é que melhorem ainda mais. "O momento é de crise e o consumidor está apreensivo. As pessoas têm mudado seus hábitos, planejado mais seus gastos. Muitos deixam de gastar em dezembro para esperar pelas liquidações de janeiro. Temos que explorar isso", enfatiza.
Portanto, quem, apesar da crise, conseguiu economizar um pouco em dezembro, deve encontrar preços e condições bem atrativas nas próximas semanas em diversos seguimentos.
MAIOR
Com queda média de 8% nas vendas, o comércio local teve desempenho um pouco pior que o indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio – Natal2015, que registrou queda de 6,4% em todo país (pior resultado desde a criação do indicador em 2003, segundo o Serasa).
O desempenho foi melhor quando comparado a média nacional, que registrou queda de 14,8% nas vendas, segundo pesquisa feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio/SP), que levou em conta as projeções das vendas de dezembro no varejo ampliado (que inclui também os setores automotivo e de construção civil), que tiveram queda de 12% em relação a 2014, e considerou também o volume de vendas específicas para o Natal, baseado em uma amostra das consultas realizadas no banco de dados da Boa Vista SCPC, com abrangência nacional, que obtiveram queda de 2,8% em relação ao mesmo período de 2014 (18 a 24 de dezembro).
Entretanto, considerando as mesmas projeções da Fecomercio para as vendas no varejo ampliado (desconsideradas pela Acilpa), o comércio local pode ter registrado até 20% de queda nas vendas no período (-12% no varejo ampliado + 8% nas vendas específicas para o Natal).

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