Com construção em alta, Lençóis já criou 1.152 empregos em 2020

EM ALTA – Construção civil segue em bom momento e contribui para a manutenção do emprego em Lençóis (Foto: Divulgação)

O fator Covid-19 segue comprometendo a geração de emprego no mercado formal brasileiro. É o que revela a atualização mais recente do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgada recentemente pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, vinculada ao Ministério da Economia. Os dados, que neste ano passaram a ser compilados em uma nova plataforma que reúne estatísticas de três sistemas (Caged, eSocial e Empregador Web), revelam que o país já fechou mais de 1,1 milhão de postos de trabalho em 2020, 331,9 mil apenas em maio.
A tendência é observada em todos os níveis geográficos, no entanto, Lençóis Paulista caminha na direção oposta. De acordo com informações coletadas pela reportagem de O ECO, a cidade já criou 1.152 empregos neste ano (4.943 contratações e 3.791 demissões). De janeiro a maio, apenas o comércio registra déficit, de 141 vagas (711 contratações e 852 demissões). O destaque até aqui é a construção civil, que responde por quase 75% do superávit, com 855 novas ocupações com Carteira de Trabalho assinada (1.551 contratações e 696 demissões).
Segundo José Henrique Paccola, engenheiro civil com mais de 20 anos de experiência e sócio de uma empresa do setor, a explicação para as estatísticas é bem simples, pois o mercado segue aquecido mesmo com a pandemia. “Para nós, da construção civil, a Covid-19 não trouxe reflexos negativos. Nosso trabalho não parou – a atividade é classificada como essencial pelo Governo Federal – e, por incrível que pareça, está sendo um ano muito bom. Estamos com muitas obras grandes não apenas em Lençóis Paulista, mas em outras cidades”, comenta.
Ainda de acordo com Paccola, 2020 não tem sido o melhor dos últimos anos para a construção civil, mas a demanda atual é mais do que suficiente não apenas para manter os empregos do setor, como também para gerar mais vagas formais, pelo menos em Lençóis Paulista. Além dos grandes empreendimentos, como, por exemplo, as obras de ampliação da Bracell, o que tem contribuído para impulsionar a alta são as construções de médio porte e até as pequenas reformas, que ele garante que têm aumentado bastante na cidade.
“Parece que as pessoas começaram a ficar mais em casa e passaram a dar atenção para pequenos problemas. Tem muita reforma em andamento. Por todo lugar que eu passo vejo materiais de construção na frente das casas. As contratações não param. Admitimos funcionários todo mês e as pessoas com as quais tenho conversado também estão nesta mesma realidade. Inclusive no setor de venda de materiais de construção, que tem registrado um movimento bem alto. Felizmente, apesar da pandemia estar afetando muitos segmentos, alguns têm se mantido bem”, finaliza.
FORA DA FILA DO DESEMPREGO
Por conta do bom momento do setor, alguns trabalhadores que haviam perdido o emprego conseguiram se reinserir no mercado. Claudinei Donizete Ribeiro, de 37 anos, atuava informalmente como lavador de carros, mas perdeu o emprego no final de maio. No primeiro mês, o socorro do auxílio emergencial de R$ 600 concedido pelo Governo Federal ajudou a pagar as contas, mas não foi suficiente. A apreensão acabou em maio, quando surgiu uma oportunidade de trabalhar como servente de pedreiro.
Com a Carteira de Trabalho assinada, ele recebe cerca de R$ 1,8 mil por mês, mais uma boa cesta básica, o que tem sido muito comemorado. “Graças a Deus, enquanto muitas pessoas estão sendo mandadas embora do serviço, consegui um novo emprego. Estou ganhando até mais do que ganhava como lavador e ainda com uma cesta básica que ajuda bastante. Espero que essa crise passe logo, para que outras pessoas consigam ganhar seu pão com dignidade”, frisa Ribeiro.
DESEMPENHO GERAL DE MAIO
Apenas em maio foram gerados 230 novos postos de trabalho em Lençóis Paulista (845 contratações e 615 demissões). O melhor resultado do mês foi a indústria, que criou 145 empregos (263 contratações e 118 demissões). Em seguida vieram o comércio, com 49 vagas (171 contratações e 122 demissões), a construção, com 45 postos (229 contratações e 184 demissões) e a agropecuária, com 26 ocupações (55 contratações e 29 demissões). Apenas o setor de serviços ficou no vermelho, com 35 empregos perdidos (127 contratações e 162 demissões).
Macatuba registra melhora em maio, mas segue no vermelho
Macatuba, que vinha de dois meses ruins, teve uma leve recuperação em maio, com superávit de dois postos de trabalho (48 contratações e 46 demissões). O melhor desempenho foi do comércio, que abriu 11 vagas (19 contratações e oito demissões). Já a indústria teve uma pequena queda, com quatro empregos perdidos (17 contratações e 21 demissões), acompanhada pelo setor de serviços (10 contratações e 14 demissões).
No ano, porém, o resultado segue ruim. Entre janeiro e maio já foram perdidos 91 empregos na cidade (398 contratações e 489 demissões). O setor que leva os números para baixo é a indústria, que sozinha acumula saldo negativo de 92 vagas (134 contratações e 226 demissões). O melhor desempenho é da agropecuária, que criou 14 postos de emprego (17 contratações e três demissões).
O déficit foi contraído entre março e abril. Em março o município teve baixa de 63 ocupações (75 contratações e 138 demissões). Já em abril, foram fechadas 65 vagas (58 contratações e 123 demissões). Apenas janeiro e fevereiro tiveram saldo positivo. Em janeiro foram criados três postos de trabalho (99 contratações e 96 demissões). Já fevereiro fechou com saldo positivo de 29 empregos (105 contratações e 76 demissões).
Areiópolis tem superávit de 119 postos de trabalho
Areiópolis se manteve em alta em maio com sete empregos criados (45 contratações e 38 demissões), com destaque para a agropecuária que fechou o mês com saldo positivo de 14 vagas (34 contratações e 20 demissões). Na contramão, o comércio registrou déficit de cinco ocupações (quatro contratações e nove demissões), o mesmo que a indústria (duas contratações e sete demissões).
No acumulado, a cidade já abriu 119 postos de trabalho em 2020 (295 contratações e 176 demissões), também com a agropecuária puxando a alta com a geração de 99 novos empregos (179 contratações e 80 demissões). O índice só não é melhor devido ao desempenho da indústria, que perdeu 19 vagas no período (quatro contratações e 23 demissões).
O melhor resultado do ano foi observado em abril, que teve saldo de 104 vagas (143 contratações e 39 demissões). Na sequência aparecem os meses de janeiro, com saldo positivo de 12 empregos (36 contratações e 24 demissões), e fevereiro, com dois postos de trabalho criados (44 contratações e 42 demissões). Apenas março registrou déficit, com seis ocupações perdidas (27 contratações e 33 demissões).
Agricultura puxa Borebi para baixo em 2020
Borebi, a menor das quatro cidades da área de cobertura de O ECO, fechou o mês de maio com saldo negativo de três vagas (três contratações e seis demissões), todas registradas na agropecuária. Com mais um desempenho ruim, a cidade ainda não conhece cenário diferente em 2020, chegando a cinco meses consecutivos de déficit na geração de emprego.
Em abril, foram perdidos 20 postos de trabalho (duas contratações e 22 demissões). Em março, o déficit foi de 12 empregos (nove contratações e 21 demissões). O mês de fevereiro fechou com três ocupações a menos (12 contratações e 15 demissões). Já em janeiro foi registrada a perda de uma vaga (17 contratações e 18 demissões).
Com a sequência de baixas, no acumulado do ano, a cidade contabiliza déficit de 39 ocupações (43 contratações e 82 demissões), com a queda impulsionada justamente pela agropecuária, que fechou 45 postos de trabalho entre janeiro e maio (22 contratações e 67 demissões). No período, o melhor desempenho foi do setor de serviços, que teve saldo positivo de cinco empregos (12 contratações e sete demissões).
Agropecuária foi único setor em alta no país em maio
A tendência de queda decorrente da pandemia foi observada em todo o país em maio. A exceção foi a agropecuária, que registrou superávit, gerando 15.993 empregos (69.062 contratações e 53.069 demissões) no mês. O pior índice foi do setor de serviços, que perdeu 143.479 ocupações (305.898 contratações e 449.377 demissões).
No geral, o país recuou 331.901 vagas no índice de emprego formal de maio (703.921 contratações e 1.035.822 demissões). Com isso, o desemprego só aumenta. No ano, o acumulado negativo já chega a 1.144.875 de postos de trabalho (5.766.174 contratações e 6.911.049 demissões).
No Sudeste, foram perdidas 180.466 vagas no mês (369.953 contratações e 550.419 demissões), também só com a agropecuária com saldo positivo, de 18.777 empregos (53.243 contratações e 34.466 demissões), e o setor de serviços com o pior desempenho, déficit de 87.292 ocupações (172.103 contratações e 259.395 demissões).
Já o estado de São Paulo fechou maio com 103.985 empregos a menos (236.123 contratações e 340.108 demissões), igualmente com a agropecuária em alta, com 16.613 novas vagas (44.147 contratações e 27.534 demissões), e com o setor de serviços em baixa, com 51.332 vagas a menos (115.354 contratações e 166.686 demissões).
Com isso, entre janeiro e maio, a região sudeste já contabiliza baixa de 641.154 postos de trabalho (3.043.656 contratações e 3.684.810 demissões). O estado responde por mais da metade das perdas, com saldo negativo de 339.554 ocupações (1.965.761 contratações e 2.305.315 demissões).

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