Após 15 meses, número de demissões volta a superar o de contratações em Lençóis

Cidade perdeu 417 empregos em julho, mas mantém alta de 1.990 vagas

Depois de um longo período, Lençóis Paulista voltou a registrar saldo negativo na geração de emprego. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados na última sexta-feira (27) pelo Ministério da Economia, a cidade fechou julho com mais demissões do que contratações no mercado formal, o que não ocorria há 15 meses, desde  abril de 2020, quando teve início a quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

De acordo com as informações do Caged, o município encerrou o primeiro mês do segundo semestre com déficit de 417 empregos com registro em Carteira de Trabalho (1.048 contratações e 1.465 demissões). O saldo foi comprometido pela construção, que perdeu 351 ocupações (177 contratações e 528 demissões), pela indústria, que fechou 148 vagas (327 contratações e 475 demissões), e pela agropecuária, com baixa de 21 postos (14 contratações e 35 demissões).

O resultado só não foi pior devido ao desempenho do comércio e do setor de serviços, que seguem demonstrando sinais de recuperação com a diminuição das restrições adotadas para frear o avanço do contágio pelo novo coronavírus. O comércio, com a quarta alta seguida, criou 56 empregos (221 contratações e 165 demissões). Já o setor de serviços, que ainda não ficou no vermelho neste ano, registrou superávit de 47 ocupações (309 contratações e 262 demissões).

MOVIMENTO ESPERADO

Paulo Ferrari, secretário de Desenvolvimento Econômico do município, relata que a retração já era esperada, sobretudo em razão da desmobilização das atividades de montagem da nova unidade da Bracell (Projeto Star), mas destaca que as projeções seguem otimistas, já que a própria multinacional do ramo de celulose está começando a contratar trabalhadores para o início das operações de produção, logística e manutenção, o que tende a movimentar o mercado local nos próximos meses.

“Apenas em nosso PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador), estamos com 667 vagas abertas, sendo 450 só da Bracell. Além disso, temos outros projetos que devem ser iniciados em breve no município, tais como a Termelétrica Cidade do Livro, do Grupo IBS Energy, a construção de uma nova termelétrica na Usina Barra Grande, da Zilor Energia e Alimentos, sem contar o início das obras de diversos edifícios verticais e outras novidades que podem se concretizar”, pontua.

Paulo Ferrari também reforça que outro dado que não pode ser deixado de lado é o crescimento do mercado empreendedor, que também contribui muito para a economia local. “Atualmente, temos 8.545 empresas ativas no município e, de janeiro até agora, já foram abertas outras 381, entre microempreendedores, microempreendedores individuais, empresas de pequeno, médio e grande portes. Não tenho dúvida que a economia lençoense continuará a ser pujante”, garante o secretário.

Com inúmeras ofertas de emprego surgindo, algumas com requisitos específicos, Ferrari ressalta a importância de investir na capacitação e qualificação profissional para atender às demandas do mercado. “Não podemos perder as oportunidades para agregar outras qualificações profissionais, seja para o primeiro emprego ou para a reinserção no mercado de trabalho. Para tanto, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico sempre está oferecendo uma gama enorme de cursos” finaliza.

JANEIRO A JULHO

Em junho, o saldo de empregos havia terminado zerado, exatamente com o mesmo número de contratações e demissões (1.355), o que, por si só, já representaria desaceleração. A aparente tendência ganhou mais evidência com a consolidação dos dados, com ajustes feitos a partir de registros atualizados pelas empresas após o fechamento do balanço daquele mês. Com a revisão, foram contabilizadas 1.355 contratações e 1.359 demissões, implicando em déficit de quatro vagas.

Apesar disso, o saldo acumulado neste ano segue positivo, com 1.990 ocupações criadas desde janeiro (11.378 contratações e 9.388 demissões), o que representa alta de 8,41% em relação ao número de empregados formais observado ao final do ano passado (de 23.659 para 25.649). Apenas a agropecuária registra perda, de 27 postos (222 contratações e 249 demissões). Na outra ponta aparece a indústria, com superávit de 838 vagas (3.811 contratações e 2.973 demissões).

Entre os demais setores globais da economia local, todos com bons resultados, o desempenho mais expressivo é do setor de serviços, que acumula alta de 629 empregos (2.309 contratações e 1.680 demissões) no período. Na sequência, aparecem as empresas de construção, que registram superávit de 333 postos de trabalho (3.643 contratações e 3.310 demissões), seguidas pelo comércio, que criou 217 ocupações entre janeiro e junho (1.393 contratações e 1.176 demissões).

Macatuba é a única com desempenho positivo na região

Julho também não foi um bom mês para outras duas cidades da microrregião de cobertura de O ECO. Borebi registrou baixa de 30 empregos (nove contratações e 39 demissões). Sem movimentação na construção, zero de saldo na indústria e no setor de serviços (uma contratação e uma demissão) e uma vaga aberta no comércio (uma contratação e nenhuma demissão), a cidade foi – outra vez – prejudicada pela agropecuária, que perdeu 31 ocupações (seis contratações e 37 demissões).

Areiópolis acumulou déficit de oito vagas no mercado formal (31 contratações e 39 demissões), com o desempenho puxado para baixo pelo setor de serviços e pela agropecuária, que fecharam um (oito contratações e nove demissões) e 13 postos (oito contratações e 21 demissões), respectivamente. Indústria e comércio criaram quatro (sete contratações e três demissões) e dois empregos (oito contratações e seis demissões). Já a construção não teve movimentação no mês.

Macatuba foi a única a contabilizar alta, fechando o mês com 12 vagas abertas (120 contratações e 108 demissões). Os destaques foram a indústria e o setor de serviços, que criaram 17 (48 contratações e 31 demissões) e oito ocupações (37 contratações e 29 demissões). O comércio teve zero de saldo (26 contratações e 26 demissões). Agropecuária e construção perderam um (uma contratação e duas demissões) e 12 empregos (oito contratações e 20 demissões), respectivamente.

ACUMULADO

No ano, Macatuba tem o melhor desempenho entre os três municípios, com alta de 154 ocupações (997 contratações e 843 demissões). A indústria lidera com 99 vagas abertas (448 contratações e 349 demissões), seguida por serviços, com 69 (254 contratações e 185 demissões), comércio, com 28 (213 contratações e 185 demissões), e a agropecuária, com 11 postos criados (16 contratações e cinco demissões). Já a construção aparece com baixa de 53 vagas (66 contratações e 119 demissões).

Areiópolis também registra saldo positivo, com 58 novos empregos (296 contratações e 238 demissões). O melhor resultado é da agropecuária, que criou 37 vagas (169 contratações e 132 demissões). Na sequência aparecem a indústria, com 23 (31 contratações e oito demissões), e o setor de serviços, com cinco ocupações (53 contratações e 48 demissões). Construção e comércio registram baixa de um (nenhuma contratação e uma demissão) e seis postos (43 contratações e 49 demissões).

A pequena Borebi mantém o déficit no ano, com baixa de 68 vagas (105 contratações e 173 demissões), mesma perda da agropecuária (70 contratações e 138 demissões). A construção e o setor de serviços também estão no vermelho, com uma (nenhuma contratação e uma demissão) e duas ocupações encerradas (12 contratações e 14 demissões). A indústria tem zero de saldo (15 contratações e 15 demissões), enquanto que o comércio criou três empregos (oito contratações e cinco demissões).


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