Ano fecha com alta acumulada abaixo do índice da inflação

Apesar disso, lista com os principais itens de consumo chega a custar R$ 1.137,37 em Lençóis

Depois de revelar a primeira queda simultânea de preço nos principais supermercados de Lençóis Paulista, o acompanhamento mensal feito pela reportagem de O ECO voltou a registrar reajuste no custo total da lista de referência composta por 50 itens de consumo encontrados com frequência nas despensas das famílias lençoenses. A pesquisa de dezembro aponta aumento em dois dos quatro estabelecimentos visitados, com o valor global variando entre R$ 1.066,07 e R$ 1.137,37.

Pela terceira vez consecutiva, a lista mais cara foi encontrada no Supermercado 3, que teve reajuste de 0,73% de novembro para dezembro, de R$ 1.129,14 para 1.137,37. Já o menor preço foi registrado no Supermercado 4, que aplicou redução de 2,75% no mês, baixando o valor total de R$ 1.096,19 para R$ 1.066,07. Como é possível notar, os mesmos produtos podem custar até R$ 71,30 a mais de um local para outro, diferença bastante considerável no contexto atual da economia.

A variação pode ser ainda maior se considerada a chamada lista econômica, composta apenas pelos produtos de menor preço ‘garimpados’ nas prateleiras de cada um dos estabelecimentos. Com o apanhado dos itens mais em conta, o valor da compra ficou em R$ 971,10 em dezembro, 1,34% a menos que no mês anterior: R$ 984,28. Partindo do custo mais alto (Supermercado 3), a economia para o consumidor que optar por pesquisar antes de comprar pode ser de até R$ 166,27 neste mês.

PODERIA SER PIOR

Apesar de o panorama dos últimos meses ser bastante adverso, o impacto no orçamento doméstico poderia ser maior, pois o aumento de preço nas prateleiras está abaixo da inflação. De janeiro para cá, o custo total da lista de referência sofreu reajuste médio de 5,98%. No mesmo período, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumulou alta de 8,90%, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A evolução mensal de todo o ano está na tabela abaixo.

O aumento de preço só não permanece abaixo da inflação no caso do Supermercado 3, com alta acumulada de 9,27% no período, diferentemente dos concorrentes, cujos reajustes somam 7,26% (Supermercado 1), 3,93% (Supermercado 2) e 3,46% (Supermercado 4). O Supermercado 3, inclusive, foi o que mais vezes registrou o maior preço no ano, nove vezes ao todo. Além disso, o local é responsável pelo maior valor da lista na série histórica: R$ 1.165,45, atingido em outubro.

HORTIFRUTI MAIS BARATO

Entre novembro e dezembro, apesar da alta geral em dois supermercados, um setor em particular apresentou redução de preço em todos os estabelecimentos: hortifrutigranjeiros.  A maior queda, de 11,22%., foi registrada no Supermercado 1, onde a lista passou de R$ 122,87 para R$ 109,08. Em seguida aparecem os Supermercados 2, 3 e 4, com baixas de 10,28% (de R$ 121,55 para R$ 109,05), de 5,19% (de R$ 134,90 para R$ 127,90) e de 3,14% (de R$ 117,78 para R$ 114,08).

Em relação a janeiro, o setor também tem baixa significativa de preços, sendo, aliás, o único em que a lista de referência está mais barata do que no início do ano. A ordem de retração é a mesma observada neste mês, começando pelo Supermercado 1, com recuo de 24,60%, de R$ 144,66 para R$ 109,08, seguido pelos supermercados 2, 3 e 4, com quedas de 26,04% (de R$ 147,45 para R$ 109,05), de 17,70% (de R$ 155,40 para R$ 127,90) e de 16,38% (de R$ 136,43 para R$ 114,08).

Entenda como funciona a pesquisa mensal

A pesquisa de preços feita pela reportagem de O ECO considera 50 itens básicos encontrados com bastante frequência nos carrinhos de compra dos consumidores locais. A relação, elaborada com a proposta de representar da forma mais fidedigna possível os hábitos de consumo da população, inclui 20 produtos de mercearia, 10 de açougue, 10 do setor de hortifrutigranjeiros e 10 de higiene e limpeza. A lista foi definida a partir de uma enquete realizada com assinantes do jornal.

Para o comparativo são analisadas marcas encontradas em todos os estabelecimentos ou, em caso de indisponibilidade, equiparáveis em qualidade e preço. Todas estão descritas na tabela, que apresenta preços unitários e totais de cada item, considerando como referência o consumo médio mensal de uma família de classe média composta por quatro pessoas adultas. Também estão contabilizados os custos totais por grupo e por lista geral de compras em cada um dos locais visitados.


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