A força do agronegócio lençoense

Trajetória da Zilor se funde ao desenvolvimento econômico de Lençóis Paulista

O agronegócio sempre foi uma grande força de Lençóis Paulista, que, desde suas origens teve o setor como engrenagem da economia. Ao longo dos anos, desde a formação da Vila de Lenções, em meados do século XIX, a atividade agrícola tem contribuído de forma significativa para a geração de emprego e renda, e, como consequência, para o desenvolvimento da cidade.

Se no final do século XIX foi o cultivo de café que dominou as lavouras do município, o século XX foi marcado pela predominância das plantações de cana-de-açúcar, o que fez com que a cidade recebesse o apelido de ‘Princesinha dos Canaviais’. Nos primórdios da cultura canavieira, a atividade se concentrava na produção de cachaça, com dezenas de engenhos em funcionamento.

Na segunda metade da década de 1940, com forte impulsão dada pelo governo à fabricação de açúcar no período pós Segunda Guerra Mundial, a sociedade das famílias Zillo e Lorenzetti deu origem a Zilor Energia e Alimentos, que se tornou uma das principais empresas do país. A Usina Barra Grande entrou em operação de 1947, um ano após a inauguração da Usina São José, em Macatuba.

Inicialmente focado no açúcar, o grupo (em 1981, também foi adquirida a Açucareira Quatá) também começou a fabricar etanol, registrando grandes saltos de produção. No início dos anos 2000, a empresa passou a focar na geração de energia com termelétricas alimentadas a partir da queima do bagaço de cana, subproduto que passou a desempenhar um importante papel no processo.

No mesmo período, surgiu a Biorigin, que faz o processamento da levedura utilizada na fermentação para a produção de matéria prima para nutrição humana e animal. Em seus 76 anos de história, com a tecnologia cada vez mais presente em suas atividades, a Zilor vem investindo na otimização de seus processos e diversificação de receita, se mostrando cada vez mais consolidada.

“A trajetória da Zilor possui inúmeros marcos que se fundem com a história de Lençóis Paulista; seja pela capacidade empreendedora e de geração de valor, seja pelo desenvolvimento da própria comunidade […] Nossas raízes estão presentes na vida das pessoas: no lugar onde moram, trabalham, convivem e nas nossas indústrias”, destaca Fabiano Zillo, diretor-presidente da Zilor.

Questionado sobre o futuro, o executivo acrescenta que o desafio diário continua sendo alcançar a longevidade empresarial, aprimorando constantemente a capacidade técnica, as habilidades, a eficiência e a produtividade; mantendo equilíbrio entre persistência, profissionalismo e constância; com olhos no futuro e sempre abertos para os aprendizados e as transformações do presente.

“As transformações globais cada vez mais aceleradas nos provocam a fortalecer nossa conexão em prol do desempenho financeiro, da geração constante de valor, da sustentabilidade, da saúde e da vida. A correta interpretação desses cenários nos leva a decisões empresariais que garantem nossa sobrevivência aos desafios impostos e apontam os rumos de crescimento”, completa.

Investimento constante em tecnologia

A tecnologia também tem sido ponto chave para as operações dos fornecedores da Zilor, vinculados à Ascana (Associação dos Plantadores de Cana do Médio Tietê). Fundada em 1959, a entidade, há mais de 20 anos, é a responsável pelo fornecimento exclusivo de cana-de-açúcar às empresas do grupo, por meio do programa de Parcerias Agrícolas que terceirizou toda a parte de produção no início dos anos 2000.

Com um quadro de associados com mais de 480 produtores distribuídos em 16 cidades do Centro-Oeste Paulista, a Ascana conta com uma área de plantio de 130 mil hectares, produzindo anualmente, cerca de 8 milhões de toneladas com praticamente 100% da colheita mecanizada, um grande salto tecnológico que começou há mais de 20 anos, colocando fim à queima da palha, que trouxe grande benefício ambiental.

No início deste mês, por exemplo, a associação lançou um novo sistema de videomonitoramento e monitoramento via satélite que, além de contribuir para identificar rapidamente possíveis focos de incêndio e diminuir o tempo de resposta no combate, é fundamental para mitigar os prejuízos, fornece dados que, entre outras coisas, ajudam a aumentar a produtividade e reduzir os custos das operações.

“Há vários anos, a atividade agrícola emprega uma tecnologia muito grande e buscamos sempre o melhor. Na hora de uma tomada de decisão em várias etapas da produção existem muitos parâmetros que precisam ser levados em conta. Essa inteligência artificial nos dá ferramentas muito interessantes para gerenciar melhor o negócio”, ressalta Pedro Luís Pedro Luís Lorenzetti, diretor-presidente da Ascana.

COLHEITA – Com 130 mil hectares de plantio, Ascana tem praticamente toda a colheita mecanizada (Foto: Divulgação)

Com todo o investimento em tecnologia, é fundamental pensar, também, na qualificação de mão de obra. Esse tem sido um dos pilares da associação, que há vários anos mantém o programa Jovem Aprendiz, que investe na capacitação dos jovens para a atuação na área, com turmas já formadas em Lençóis Paulista, Macatuba e Pederneiras. Para Lorenzetti, a importância da iniciativa vai além da capacitação profissional.

“O programa não tem apenas o objetivo de levar conhecimento da cultura da cana-de-açúcar aos jovens, ele também dissemina princípios e valores como respeito às pessoas, ao meio ambiente e a importância do trabalho em equipe. Formamos não só profissionais, mas cidadãos conscientes do seu papel na sociedade. Após o curso eles estão aptos a trabalhar no setor canavieiro ou em outro qualquer”, pontua o diretor.

Inovação do campo para o campo

Quando o assunto é tecnologia no campo não há como não citar o trabalho desenvolvido pela Grunner, empresa que, apesar de ser relativamente nova (foi fundada em 2019, tem se firmado cada vez mais no mercado com seu sistema de automação e georreferenciamento utilizado em caminhões que atuam, principalmente na colheita de cana-de-açúcar, mas também em outros segmentos, como soja, milho, entre outros.

A Grunner desenvolveu uma tecnologia de controle de tráfego e direção autônoma para equipamentos por meio de geolocalização, que alia o aumento de produtividade e a redução de consumo de combustível, com ganhos para o meio ambiente e maximização de resultados. Por meio de uma parceria com a montadora Mercedes Benz, a empresa lençoense vem ganhando espaço no agronegócio.

Nesta semana, por exemplo, integrantes da companhia participaram da Agrishow, uma das maiores feiras de tecnologia agrícola do mundo, realizada em Ribeirão Preto, no norte de São Paulo. O executivo Denis Arroyo Alves, que assumiu o posto de diretor-presidente da Grunner no final do ano passado, aposta nos benefícios que o equipamento oferece para manter a empresa como destaque no segmento.

FUTURO – Com tecnologia pioneira e parceria com montadora Mercedes Benz, Grunner vem expandindo mercado (Foto: Divulgação)

“O Grunner tem eficiência muito maior do que o trator; consome 50% menos diesel, menos lubrificante; tem uma manutenção 30% mais barata e vida útil muito maior; tem eficiência operacional superior, porque ele é muito mais ágil. Além disso, tem a questão da sustentabilidade, com mais produtividade com menos diesel, o que tem impacto na principal moeda de crédito de carbono, que é o RenovaBio”, diz.

Para o executivo, que assumiu o cargo com a missão de contribuir para a definição das estratégias para o futuro da companhia, o desafio para os próximos anos é fazer com que a Grunner se mantenha na linha de frente, desenvolvendo tecnologias inovadoras sempre olhando para o produtor e com sua validação para não perder a essência representada no slogan: tecnologia do campo para o campo.

“Sabemos que a tendência é que a concorrência comece a se desenvolver nesse sentido, mas a ideia é que, quando ela [a concorrência] chegar no patamar em que estamos atualmente, já estejamos no próximo passo. Abrimos muitas frentes e o Grunner começa a fazer sentido para muitos mercados. Temos que manter o foco, escolher bem caminhos, e isso se faz com muito planejamento estratégico”, finaliza.


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