Uma história de superação

Depois de perder a visão, Wesley Dutra conta como foi ter aprendido a conviver com a nova condição

As pessoas com deficiência são, muitas vezes, definidas por suas possíveis limitações. Muitos tendem a acreditar que elas não podem viver vidas normais mesmo que, atualmente, isso seja realidade. Neste domingo (13), comemora-se o Dia Nacional do Cego, data criada com o objetivo de conscientizar a população contra o preconceito e a discriminação.

Wesley Toniões Dutra, de 34 anos, sabe muito bem como é vencer as barreiras do preconceito e mostrar que um deficiente visual pode, e deve, ter sucesso. Ele não nasceu cego, e sim com baixa visão, mas uma doença degenerativa fez com que fosse perdendo o sentido aos poucos. Aos 20 anos, deixou de enxergar totalmente e viu sua vida mudar completamente.

“Por volta de 2006, quando procurei um oftalmologista, ele deu o diagnóstico. No início fiquei perdido, mas logo encontrei uma instituição em Bauru, o Lar Santa Luzia, onde encontrei um respaldo”, explica Wesley, que revela que na instituição aprendeu diversas coisas, como ler em braile. Também reaprendeu a andar sozinho, agora sem enxergar.

Wesley acredita que a maior dificuldade de conviver com a deficiência é a maneira que as pessoas o enxergam por isso. “As pessoas perguntam ‘como ele faz as coisas?’, ‘como ele se vira sozinho?’. E a resposta é que não há segredo: é só deixar os outros sentidos tomarem conta. Tato, audição, olfato. Para me locomover, faço um mapeamento mental do local onde estou”, conta.

Ele ressalta que a tecnologia é muito importante para a inclusão nos dias atuais, e uma ferramenta excelente para os deficientes visuais. Foi com o auxílio dela que Wesley se formou na faculdade de Administração e hoje trabalha na Unimed de Lençóis Paulista. “A tecnologia veio para somar. Ela te dá plenas condições de estudar e, se não fosse por isso, eu não teria chegado onde cheguei”, comenta.

A sociedade, segundo ele, pode ser um empecilho na inclusão das pessoas com deficiência, mas os cidadãos lençoenses são muito acolhedores e gentis. Wesley conta que sempre que está no ônibus, sozinho, pessoas se aproximam para tentar ajudá-lo a chegar ao seu destino. Por mais que ele saiba o caminho, é importante ter esse apoio. “O preconceito é algo intrínseco do ser humano, mas sempre há pessoas boas e dispostas a ajudar”, garante.

Ele afirma que gostaria que houvesse mais incentivo educacional, e comenta sobre a importância de se buscar o conhecimento. “Isso é essencial, principalmente para uma pessoa com deficiência: se ela deixar a vida estagnar, não buscar um estudo e o melhoramento constante, ela vai sofrer muito mais do que uma pessoa que não possui nenhuma deficiência”, explica.

Wesley completa afirmando que as pessoas com deficiência devem se erguer e lutar para conquistar seu espaço na sociedade. “A deficiência pode chegar de repente, seja por um acidente ou por consequência de uma doença como a diabetes, que acaba acometendo a pessoa de uma hora para outra. Em um primeiro momento, podemos nos sentir perdidos e achar que a nossa vida acabou, mas nós temos que olhar para a frente e sermos positivos constantemente. Devemos buscar sempre o melhor e, com isso, há uma certeza de que a vida vai mostrar que é possível vencer e ter uma qualidade de vida boa mesmo com a deficiência, que é só uma limitação que não pode te impedir de fazer as coisas que todo mundo faz”, finaliza.

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