Prefeitura de Lençóis inicia implantação do Parque Botânico

Dividido em várias etapas, projeto tem investimento inicial de R$ 1,3 milhão com recursos estaduais e municipais

Mais um grande projeto da Prefeitura de Lençóis Paulista está prestes a sair do papel. Criado com o objetivo de fomentar a atividade turística e promover a conscientização ambiental, o Parque Botânico Municipal já tem as duas primeiras etapas licitadas e deve ter a construção iniciada nas próximas semanas na área da antiga Sidelpa, que também já abriga o Teatro Municipal Adélia Lorenzetti.

O Parque Botânico, que começou a ser idealizado no final de 2017, depois que Lençóis Paulista obteve a classificação de MIT (Município de Interesse Turístico) junto ao Governo do Estado de São Paulo, é um projeto de longo prazo, que consiste em um grande aglomerado de ambientes, cuja implantação está prevista para acontecer em diversas etapas executadas ao longo dos próximos anos.

De acordo com o projeto, a estrutura deve ocupar uma área de aproximadamente 60 mil metros quadrados, com orquidário, viveiro de mudas, jardim sensorial, jardim de palmeiras, lago, pomar, Centro de Educação Ambiental, além de área de exposição, área comercial para a venda de souvenirs e produtos artesanais do município, praça de alimentação, sanitários e esculturas ao longo de toda a área.

Entre os destaques do projeto do Parque Botânico estão quatro ambientes temáticos, dois dedicados à reprodução de biomas presentes na região, o “Espaço Cerrado” e o “Espaço Mata Atlântica”, e dois inspirados em duas das principais atividades econômicas locais, o “Espaço Cana” e o “Espaço Eucalipto”, nos quais os visitantes terão a oportunidade de conhecer um pouco sobre cada tema.

A secretária de Turismo Joelma de Andrade Taioque ressalta que o objetivo é que, após a conclusão, também haja ampla integração entre o Parque Botânico, o Parque do Povo e o recinto de exposições da Facilpa (Feira Agropecuária, Comercial e Industrial de Lençóis Paulista), explorando as potencialidades turísticas locais visando consolidar o fluxo de visitantes de diversas localidades.

“Nosso intuito é fazer com que Lençóis Paulista se torne um destino comum aos viajantes. A construção do Parque Botânico contribui para isso, pois se constitui como uma importante política pública para a ampliação da oferta de atrativos turísticos municipais, uma vez que visa proporcionar mais uma opção de lazer, cultura e educação aos nossos visitantes e também para toda a população”, pontua.

Para o prefeito Anderson Prado de Lima (DEM), as pretensões vão além: fazer com que o local se torne um Jardim Botânico futuramente, o que demanda outros investimentos, visto que, para a obtenção da classificação, é obrigatório o cumprimento de alguns requisitos, como desenvolvimento de programas de pesquisa, banco de material genético e sistema de catalogação de espécies.

“É um projeto bem abrangente e concluímos que não era algo para se pensar a curto prazo, por isso, definimos que tudo seria feito em etapas. A construção do orquidário é apenas o começo, pois, em breve, teremos, sim, um Jardim Botânico em Lençóis Paulista.  Sabemos que há um longo caminho pela frente, mas com um passo de cada vez chegaremos ao nosso objetivo”, comenta.

Ao comentar sobre a importância do projeto, o prefeito destaca a possibilidade de explorar outras potencialidades para fomentar o turismo, abrindo novos horizontes além das referências que a cidade já possui, como a BMOL (Biblioteca Municipal Orígenes Lessa), o Teatro Municipal, a Facilpa, além do turismo de negócios, que sempre foi muito aquecido por conta de grandes empresas locais.

“Ao propor a criação de um Jardim Botânico, a Prefeitura Municipal oferece à cidade e aos cidadãos conhecimento sobre a flora, entretenimento familiar, além de potencializar o turismo regional. É um investimento em parceria com o Governo de São Paulo, que se tornou possível pela classificação como MIT, que, mais uma vez, coloca Lençóis Paulista em destaque na região Centro-Oeste do estado”, acrescenta.

Maior parte dos recursos vem do Governo do Estado

Segundo Manoel dos Santos Silva, o Manezinho (PSL), vice-prefeito – prefeito em exercício até a segunda-feira (2) – e secretário de Convênios e Captação de Recursos, a implantação do Parque Botânico também depende de investimento da Prefeitura Municipal, mas a maior parte da verba está sendo viabilizada por meio de convênios firmados com a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo.

“A classificação como MIT, abriu caminho para que pleiteássemos recursos para o turismo e é o que temos feito. Apresentamos os projetos das duas primeiras etapas ao Dadetur (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos) – órgão ligado à Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo – e obtivemos a aprovação. A terceira etapa está seguindo os mesmos trâmites”, explica.

Ainda de acordo com o vice-prefeito, como trata-se de um projeto amplo, a ideia é que a construção do Parque Botânico, que está sendo coordenada pelas secretarias de Turismo e de Agricultura e Meio Ambiente, continue avançando aos poucos, aproveitando os recursos destinados anualmente pelo Governo do Estado para comprometer o mínimo possível do orçamento municipal.

“Existem várias regras para que as cidades que conquistaram o título de MIT mantenham a classificação, entre elas, dar continuidade a ações e projetos que visem fomentar a atividade turística. Investindo os recursos aos quais temos direito no Parque Botânico, unimos o útil ao agradável, pois, além de conseguir viabilizar algo que trará muitos benefícios, atendemos aos requisitos estipulados”, completa.

CUSTO INICIAL

Para as duas primeiras etapas, que consistem na construção do orquidário e do prédio da recepção, o custo da obra estava estimado em R$ 1.750.481,00, valor que foi reduzido para 1.369.547,41 após a licitação, vencida pela empresa DCA Arquitetura e Engenharia. Do total, do investimento, R$ 871.517,84 vieram do Dadetur, o restante, R$ 498.029,57, corresponde à contrapartida do município.

Já a terceira etapa, aprovada no último dia 14 em reunião do Comtur (Conselho Municipal de Turismo) e submetida à análise da Secretaria de Turismo de São Paulo, contempla a construção de um Centro de Educação Ambiental. O custo da obra está estimado em R$ 608.658,00, sendo R$ 361.108,44 provenientes do Dadetur e R$ 247.549,56 de contrapartida, mas o valor pode ser reduzido na licitação.

Primeiras fases contemplam Orquidário e Centro de Educação Ambiental

O primeiro ambiente a ser construído dentro do macroprojeto do Parque Botânico é o Orquidário Municipal. Elaborado pelo arquiteto André Graziano, da Licuri Paisagismo, responsável por projetos similares em diversas cidades, como o Orquidário do Parque Villa Lobos, em São Paulo, o local deve ocupar uma área de 890 metros quadrados, com recepção, centro de exposição, depósito, área de manutenção e sanitários.

Com um projeto arquitetônico arrojado, o bloco principal, localizado ao lado do Tetro Municipal, é destinado a exposições diversas e contempla um conjunto de pilares de concreto e vigas metálicas que compõem um ambiente retangular livre, sem pilares internos e todo recoberto com uma tela metalizada para ampliar o sombreamento, porém, sem impedir iluminação e ventilação naturais no ambiente.

Previsto para a terceira etapa do projeto, que ainda depende de licitação, o Centro de Educação Ambiental deve funcionar em um prédio anexo ao orquidário, utilizado pela Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente para as atividades desenvolvidas junto às escolas do município e população em geral, que, atualmente, se concentram no Jardim Sensorial localizado no Parque do Povo.

Com área total de 201,80 metros quadrados e dois pavimentos, o Centro de Educação Ambiental contará com recepção, sala de educação ambiental, sala de vídeo, administração, copa e sanitários, tendo como diferencial a geração de energia por meio de placas solares. Para o educador ambiental Helton Damacena de Souza, o espaço representa um avanço muito grande no trabalho desenvolvido.

“A educação ambiental é uma ferramenta trabalhada a longo prazo. Por isso, para que tenhamos reflexos positivos no futuro, tudo tem que começar desde a primeira infância, envolvendo vários grupos de profissionais para explorar os conceitos de forma que todos possam colaborar. Esse espaço tem que ser uma referência e acredito que a nova estrutura favorece bastante tudo isso”, diz.

Na mesma linha, segue Claudemir Rocha Mio, o Tupã, secretário de Agricultura e Meio Ambiente. “É um projeto que vem para somar. Além de utilizar um espaço ocioso da cidade, o Parque Botânico, como um todo, contribui para evidenciar a importância da preservação ambiental, pois é um lugar perfeito para promover o conhecimento e a conscientização. É isso que transforma”, complementa.


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