Negócio centenário

Jefferson Paccola fala sobre o legado deixado pela Casa Paccola e sobre as alegrias e dificuldades de ser comerciante

Quando se fala em comércio em Lençóis Paulista, é impossível não pensar na Casa Paccola. Funcionando desde 1914, o negócio centenário faz parte da história da cidade e acompanhou cada passo de sua evolução em todos os aspectos, presenciando muitas idas e vindas de pessoas, o surgimento de novas tecnologias, a mudança no modo de vida da população e tudo o que tem ocorrido nesses mais de 100 anos.

Jefferson Paccola, de 65 anos, se orgulha de ser comerciante na cidade e fazer parte da história que foi construída pela Casa Paccola. Antigamente, era ele quem comandava os negócios, mas, atualmente, auxilia seu irmão, Roberval Paccola, que está à frente do estabelecimento, que durante muitas décadas foi conduzido pelos pais, Egydio e Yolanda, falecidos em 1991 e 2017, respectivamente.

“A loja foi de um cunhado do meu avô paterno antes de passar para ele, que passou para a minha mãe, que passou para os filhos”, explica Jefferson, que acrescenta que a Casa Paccola foi se adaptando ao longo do tempo para se manter em atividade. “Ela já passou por diversas fases. Antigamente, era uma loja de secos e molhados, uma das pioneiras na cidade”, completa.

O negócio da família nunca foi uma obrigação para o lençoense, que ama ser comerciante. “É uma profissão a qual nos apegamos, é muito gostosa. E o comércio, muitas vezes, já nasce junto com a pessoa. Está no sangue”, afirma ele, que conta que sua mãe trabalhou na Casa Paccola desde pequena, começando aos oito anos, e passou o amor do negócio para os filhos.

Por capricho do destino, Jefferson nasceu justamente no dia 16 de julho, Dia do Comerciante, data criada para homenagear todos os profissionais que trabalham na área. Para ele, a existência do dia é muito importante para valorizar a profissão. “Já fui a muitos jantares e comemorações do Dia do Comerciante que aconteceram no meu aniversário”, relembra com nostalgia.


De acordo com Jefferson, a Casa Paccola já passou por muitas mudanças e enfrentou grandes dificuldades, como a crise do café, em 1929, que afetou diretamente os cidadãos lençoenses e resultou na diminuição das vendas na loja. No entanto, para ele, a maior dificuldade enfrentada em mais de 100 anos de história tem sido a pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

“Tem sido muito difícil conduzir o negócio na pandemia. A loja ficou muito tempo fechada e, quando abriu, só podia funcionar com uma pessoa por vez. Sempre seguimos os protocolos de saúde recomendados pelas autoridades sanitárias, mas, apesar disso, o comércio foi muito afetado neste período que estamos vivendo”, lamenta o comerciante lençoense.

Apesar das adversidades que fazem parte do dia a dia  de todo mundo que dedica seu tempo ao próprio negócio, Jefferson ressalta que nada se compara ao prazer de interagir com as pessoas, ter o contato direto com os cidadãos e poder oferecer aos clientes o que eles querem e precisam. “Essa é a parte mais gratificante de ser comerciante”, comenta.

Desde 2018, a Casa Paccola deixou de atender no endereço tradicionalmente conhecido pela população lençoenses, na Rua Quinze de Novembro. Por decisão de Jefferson e Roberval, que optaram por levar a loja para um lugar menor, o estabelecimento centenário hoje funciona na Rua Ignácio Anselmo, bem próximo da esquina do antigo prédio.

No início, a mudança de endereço afetou as vendas, mas logo as pessoas começaram a conhecer o novo local e os clientes fiéis voltaram a frequentar o estabelecimento em busca de produtos que apenas a Casa Paccola pode oferecer. “Mudamos apenas de endereço. O nome, o legado e a história da Casa Paccola continuam firmes na cidade”, finaliza Jefferson.


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