Livro retrata vida de Diogo Mulero, o Palmeira

Considerado ícone da música sertaneja, artista nasceu em Lençóis Paulista em 1918

Todo lençoense conhece Orígenes Lessa, grande símbolo da literatura brasileira e responsável por Lençóis Paulista ter recebido o título de “Cidade do Livro”. O que muitos cidadãos não sabem, porém, é que o município também criou outros artistas com obras reconhecidas no mundo todo. Esse é o caso de Diogo Mulero, mais conhecido como Palmeira, que foi um grande nome da música popular brasileira, principalmente no gênero sertanejo.

Seus pais, José Mulero e Assunção Moreno, viajaram da Espanha para o Brasil em busca de melhores condições de vida. Se estabeleceram em uma fazenda em Lençóis Paulista, onde Palmeira nasceu, em 1918. Vivendo na zona rural e sem acesso à escola, se mostrou extremamente inteligente e determinado desde pequeno. Aprendeu a ler, escrever e a tocar violão sozinho, se apaixonando pelo universo da música.

Começou a compor suas próprias canções e se mudou para São Paulo na adolescência, esperando conseguir seguir o sonho de se lançar como artista caipira. Sem esquecer suas raízes, adotou o nome artístico de Palmeira em homenagem à fazenda que vivia, perto do então distrito de Borebi, que era repleta de palmeiras.

Mesmo após ser rejeitado por muitas rádios e gravadoras, Palmeira não desistiu, e viu seus esforços darem resultado ao ser reconhecido por um produtor musical. A partir daí, sua carreira decolou: começou a despontar no cenário da música, tanto como artista solo como atuando em parcerias. Fez dupla com o piracicabano Miguel Lopes Rodrigues, conhecido como Piraci; também cantou ao lado de Luiz Raimundo, na dupla Palmeira & Luizinho; e se destacou como um ‘coronel da música sertaneja’ ao lado de Sebastião Alves da Cunha, o Sabiá, na dupla Palmeira & Biá.

Se sobressaiu como produtor musical, descobrindo talentos escondidos e lançando diversos artistas famosos, como Sérgio Reis e Edith Veiga. Com um ouvido sensível, era capaz de escutar um violino desafinado em meio a toda uma orquestra, e conseguia identificar quais músicas e estilos combinariam mais com as vozes de diferentes artistas.


Além de ser um gênio da música, era um ser humano extraordinário. “Ele era uma pessoa que se preocupava muito com os outros. Uma pessoa humana que sempre ajudou todos que podia. Deu autoria de músicas para colegas, ajudava financeiramente quem precisava e gostava de fazer o bem sem receber os créditos por isso. Em casa, também era um grande pai e amava a minha mãe, que era a musa inspiradora dele”, comenta sua filha e grande fã, Cláudia Fleming Mulero.

Infelizmente, Palmeira faleceu cedo. Aos 49 anos, em decorrência de um câncer, o artista se foi deixando um grande legado para a música brasileira. Alguns de seus maiores sucessos, como “Boneca Cobiçada”, “Disco Voador” e “Peixe Vivo”, mudaram para sempre o cenário da música e estão imortalizados na cultura brasileira.

BIOGRAFIA

Após um longo trabalho de pesquisa coordenado pelo radialista e pesquisador de música caipira Danilo Darós, uma biografia sobre a vida de Palmeira foi produzida pelo escritor Walter de Sousa. O livro “Palmeira – O caipira genial que mudou a música sertaneja” ainda precisa atingir uma meta no Catarse, uma plataforma de financiamento coletivo, para ser comercializado. É possível apoiar o projeto através do site: https://www.catarse.me/palmeira.

“Esperamos atingir a meta pedida no Catarse para poder imprimir 500 exemplares do livro. A obra conta com uma pesquisa de 150 páginas, mais imagens. É um trabalho muito bonito, profundo e feito com carinho, que só vai ser possível ser lançado através do apoio de pessoas que gostam da música sertaneja. Mais do que juntar dinheiro, o financiamento coletivo junta pessoas que gostam de um mesmo assunto”, finaliza Darós.  


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