Idoso lençoense conta como é estar sozinho em tempos de pandemia

Com atividades suspensas devido à Covid-19, Ogesmo Dias dos Santos, de 80 anos, teve que se readaptar e lidar com nova rotina

Ogesmo Dias dos Santos sentiu na pele as consequências da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Aos 80 anos, ele não foi infectado, mas teve que parar todas as atividades que realizava ao longo da semana. “O que me prejudica mesmo é a danada da solidão”, afirma.

O idoso sempre foi muito ativo. Nascido em Lençóis Paulista, já morou em São Paulo e no Paraná, antes de retornar à cidade natal. “Gosto da cidade de Lençóis e do povo. O ambiente é tranquilo, diferente da capital, onde morei por 31 anos. Era uma vida agitada de trabalho. Muito barulho, às vezes, violência, inundação, greve. Eu quis mudar de ambiente e fugir um pouco”, explica. “Vivi três anos com meus irmãos no Paraná, que era muito calmo. Pacato. Uma delícia”, acrescenta.

Seo Ogesmo era acostumado a viajar. Seus nove irmãos estavam espalhados por vários cantos do Brasil e seus filhos, um homem e uma mulher, vivem em São Paulo junto com a mãe, sua ex-mulher. “A família é dispersa e hoje só eu estou aqui em Lençóis”, conta. “Éramos em nove irmãos, mas eles foram falecendo. Foi um choque muito grande. Hoje, tenho meu irmão caçula em Curitiba e uma irmã mais nova em Assis. Mas para visitar agora, com essa pandemia, nós ficamos meio receosos. Era para eu estar nesse final de ano com a minha família em São Paulo, mas com o coronavírus é difícil”, diz.

O senhor conta que o mundo parou de uma maneira que ele nunca viu em seus 80 anos de vida. “Mudou o contato com as pessoas, o jeito que saímos de casa, temos que usar máscara. É uma preocupação, mas temos que seguir os decretos e as exigências das autoridades”, afirma.

Seo Ogesmo se ressente de ter que parar as atividades que realizava na semana. Apaixonado por música e membro da Orquestra Boca do Sertão, ele tocava viola em meio a amigos. Também participava da Vida Ativa, um movimento físico para os idosos. “É um movimento bem leve, dois dias na semana. Eu tenho esperança de recomeçar logo, porque é bom para o corpo, faz bem. O idoso não pode ficar parado, ele precisa fazer algum movimento. Aqueles que puderem, devem fazer uma caminhada ou outros exercícios”, complementa.

O senhor pensa em se mudar no futuro, e opção é o que não falta! “Meu irmão de Curitiba gostaria que eu fosse para lá. Também tenho um amigo em Londrina. Mas é complicado vender tudo e ir embora e deixar tudo para trás”, conta ele, que cogita a possibilidade de se mudar para algum lugar em Lençóis Paulista, como um asilo, para ter mais companhia.

“Eu penso em me mudar para outro lugar aqui mesmo, se possível, com mais pessoas para conviver e conversar”, relata. Por enquanto, ele permanece na sua casa porque, no começo de 2021, tem que comprovar seu endereço para renovar a habilitação. “E também tem a pandemia. Nós ficamos um pouco tensos por causa disso. Mas depois, quem sabe? Minha vontade é mudar”, relata.

Sobre a vida, ele não tem o que reclamar. “A vida é uma pérola, um objeto precioso que devemos sempre cuidar. A saúde física e a fé devem sempre ser conservadas e devemos tomar cuidado com as palavras que dizemos e com o coração. Devemos amar as pessoas, ter consideração por todos”, aconselha. “É preciso ter amizades bonitas, puras. Gosto de praticar isso, de ter meus amigos. A vida é muito boa apesar das dificuldades que tem”, finaliza.

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