Campanha alerta para a conscientização sobre doenças inflamatórias intestinais

Portadora da Doença de Crohn fala sobre as dificuldades que enfrenta e explica a importância do diagnóstico precoce

O Maio Roxo é o mês de conscientização sobre as DII (Doenças Inflamatórias Intestinais). Facilmente confundidas com um simples mal-estar, elas podem afetar seriamente a saúde de um paciente quando não diagnosticadas precocemente. Vanessa Biagio Godoy, de 36 anos, sabe muito bem as dificuldades de conviver com uma DII. Portadora da Doença de Crohn, uma enfermidade inflamatória crônica que pode afetar todo o sistema digestivo, ela convive com a síndrome há 16 anos.

Vanessa faz tratamento médico em Botucatu e vive uma vida normal, mas nem sempre foi assim. Quando começou a sentir os primeiros sintomas, com apenas 19 anos, teve que passar por diversos médicos. A doença, ainda pouco conhecida, não foi identificada por nenhum dos profissionais. “Comecei a perceber alterações no intestino. Logo após comer, já tinha diarreia. A situação foi se agravando até o momento em que passei a ir de sete a oito vezes ao banheiro no dia. Tinha muita cólica, febre, e comecei a ter sangramentos ao usar o banheiro”, conta Vanessa.

Em sete meses, entre idas e vindas aos médicos, que passaram a tratar o caso de Vanessa como se fosse uma depressão, ela chegou a emagrecer 25 quilos. Não conseguia mais trabalhar e teve que trancar a faculdade. Seus sonhos foram interrompidos por um tempo, pois sua saúde precisava vir em primeiro lugar. “Fui a um médico por conta de uma anemia. Ele me indicou uma gastroenterologista e, logo ao olhar meus exames, ela já me apresentou algumas suspeitas”, explica. Após mais alguns exames específicos, finalmente veio o diagnóstico: Doença de Crohn.

Vanessa foi uma das primeiras portadoras da doença a ser diagnosticada em Lençóis Paulista. Por ser uma enfermidade recém-nomeada, alguns medicamentos ainda estavam em fase de testes. Mas a médica a tranquilizou, afirmando que, se ela controlasse a alimentação e tomasse os medicamentos, viveria uma vida normal. “Na época, eu não tinha muita informação. Por isso, quando comecei a melhorar e não sentir mais sintomas, parei de tomar os medicamentos por conta própria. Depois de um ano, a doença entrou em atividade novamente”, afirma.

Atualmente, ela entende que os remédios são parte constante de sua vida e que a doença não tem cura, mas as crises podem ser evitadas com medicação. “Existem picos da doença. É como uma bomba relógio, a qualquer momento você pode ter uma crise. Por isso, fazer o tratamento é essencial para chegar ao controle da doença”, reforça. “É normal que a primeira reação de uma pessoa, ao receber o diagnóstico, seja o desespero. Mas depois que você começa a entender a doença, passa a encarar de uma maneira diferente e a fase de aceitação e conhecimento chega”, completa.

Em 2018, os medicamentos pararam de fazer efeito e ela se viu em uma crise severa. Teve que retirar 57 centímetros do intestino. Depois de nove meses utilizando sonda para se alimentar e fazer as necessidades fisiológicas, fez a reconstrução do intestino em 2019. Vanessa ressalta que o diagnóstico precoce é importante. “O Maio Roxo é essencial, porque muitas pessoas acabam tendo um quadro avançado por falta de conhecimento. Temos que divulgar, para que todos fiquem em alerta a qualquer tipo de sintomas e procurem médicos especializados o quanto antes. Não é possível morrer pela Doença de Crohn, mas as consequências dela podem causar uma fatalidade”, finaliza.

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