Após corte no orçamento, IBGE suspende concurso público

Instituto contrataria mais de 200 mil trabalhadores temporários para a coleta de dados do Censo Demográfico 2021, 98 na microrregião

A atualização do Censo Demográfico está se tornando uma grande novela. Depois de adiar a realização no ano passado em decorrência da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) programou o início da coleta de dados para agosto e, para isso, reabriu o concurso público para o preenchimento de mais de 200 mil vagas temporárias. No entanto, após o corte de cerca de 96% no orçamento, confirmado no final de março, o órgão anunciou a suspensão do processo seletivo.

Em comunicado publicado na manhã desta terça-feira (6), o IBGE argumenta que o corte de recursos proposto pelo Governo Federal e aprovado pelo Congresso Nacional na votação do Orçamento 2021, inviabiliza a realização do Censo Demográfico. O recenseamento, que visa apresentar um panorama completo da realidade atual do país, permitindo o desenvolvimento de políticas públicas condizentes com a particularidade de cada município, iria contratar 204.307 pessoas para os cargos de agente censitário municipal, agente censitário supervisor e recenseador (181.898).

“Conforme divulgado no dia 26 de março, a votação do Orçamento no Congresso Nacional para o exercício 2021 reduziu em cerca de 96% o total de recursos destinados à realização do Censo Demográfico. Diante desse cenário, o IBGE comunica que as provas objetivas referentes aos Processos Seletivos Simplificados para os cargos de agente censitário municipal e agente censitário supervisor (edital 01/2021) e recenseador (edital 02/2021) não serão realizadas nas datas previstas de 18/04/2021 e 25/04/2021, respectivamente”.

Na mesma nota, assinada por Eduardo Rios-Neto, diretor de pesquisas, e Susana Cordeiro Guerra, presidente, o IBGE informa que, a partir do corte no orçamento do Censo Demográfico, que era de R$ 2 bilhões e foi reduzido para apenas R$ 71 milhões, […] avaliará com o Cebraspe – Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos, responsável pela realização do concurso -, um novo planejamento para aplicação das provas, a depender de um posicionamento do Ministério da Economia”.

Em outro texto, os diretores do Instituto enfatizam que o recenseamento é crucial para “[…] a geração de dados que permitam solucionar os enormes desafios impostos ao país” e destacam que “Sem o Censo em 2021, as ações governamentais pós-pandemia serão fragilizadas pela ausência das informações que alicerçam as políticas públicas com impactos no território brasileiro, particularmente em seus municípios”. Até o fechamento desta matéria, o Governo Federal não havia se manifestado sobre o comunicado do IBGE.

Concurso ofertava 98 vagas na microrregião

De acordo com a assessoria de imprensa do IBGE, os dois editais reabertos no mês de fevereiro contemplavam 204.307 vagas em praticamente todos os municípios brasileiros. Os cargos de agente censitário municipal (ACM), agente censitário supervisor (ACS) e recenseador, que ofereciam 5.450, 16.959 e 181.898 vagas, respectivamente, seriam preenchidos por meio de processo seletivo simplificado. Nas quatro cidades da área de cobertura de O ECO a oferta era de 98 vagas, duas a menos do que o anunciado no ano passado.

Em Lençóis Paulista, com o maior número de residências a se visitar na microrregião, seriam contratados um ACM, cinco ACS e 57 recenseadores. Macatuba teria uma vaga para ACM, duas para ACS e 14 para recenseador. Em Areiópolis a oferta era de uma vaga para ACM, uma para ACS e 10 para recenseador. Já em Borebi, além de duas vagas para recenseador, exclusivas para a cidade, seriam oferecidas uma vaga para ACM e três para ACS, essas, porém, também contemplavam os vizinhos municípios de Paulistânia e Agudos.

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