A história do Papai Noel 2.0

Bom Velhinho da Concha Acústica conta como foi sua trajetória como símbolo do Natal

Ao pensar no Natal, as pessoas automaticamente se lembram das decorações verdes e vermelhas, da árvore ornamentada, da ceia, dos presentes e, claro, do Papai Noel. A figura do Bom Velhinho é símbolo da época natalina e essencial para as crianças, que ainda acreditam na magia e se encantam com os presentes.

Roque Quadrado Filho, de 66 anos, é o Papai Noel ‘oficial’ de Lençóis Paulista desde o ano de 2006. Influenciado por um de seus primos, que se fantasiava nos finais de ano, ele decidiu aproveitar sua aparência peculiar e vestir a famosa roupa vermelha, que já virou parte de seu guarda-roupas.

No início, Roque não tinha um ponto fixo, aparecia em vários lugares da cidade. Quando foi criada a Casinha do Papai Noel, na Praça Comendador José Zillo (Concha Acústica), o local virou um ponto de encontro para as crianças e ele foi convidado para assumir o posto.

“É um trabalho voluntário, eu faço por amor. Para me ocupar e pelo prazer que tenho em ser o Papai Noel”, afirma ele. Há muitos anos no ramo, Roque teve que se adaptar para continuar a alegrar as crianças. Neste ano, a Casinha apresentou uma novidade: o Papai Noel Virtual, que atendeu as crianças de forma remota, através de uma tela.

“Aprendemos a lidar com a pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19) e tivemos essa oportunidade de conscientizar as crianças, porque o Bom Velhinho é do grupo de risco. Os pequenos receberam e aceitaram muito bem a ideia”, aponta. “Todas as noites ficamos on-line na Casinha, recebendo as crianças e as famílias. Até alguns adultos vieram tirar uma foto do Papai Noel Virtual”, se diverte.

Apesar de a iniciativa ser boa, Roque sente falta de ver as crianças pessoalmente, e espera que nos próximos anos a situação se normalize. “Acho que falta calor humano, a alegria da presença, a criança abraçando e cumprimentando pessoalmente. A experiência daquela criança de ficar cara a cara com o Papai Noel marcava a vida dela”, explica.

A melhor parte de ser o Bom Velhinho, para ele, é o retorno e o carinho que recebe das crianças. “Eu vejo a evolução delas através dos anos. Algumas são ativas, todos os anos estão na Casinha, faça chuva ou faça sol”, brinca.

Orgulhoso de seu trabalho voluntário, Roque possui um álbum de lembranças, no qual guarda recortes de todas as suas aparições nos jornais como o Papai Noel desde 2006. É como um livro de memórias, que ele quer mostrar aos seus netos no futuro. Para ele, ser o Bom Velhinho é gratificante.

Além da participação na Casinha, ele visita algumas instituições, como hospitais. A experiência é sempre muito marcante em sua vida. “Já fui para Jaú, Agudos e aqui mesmo, em Lençóis, em diversos hospitais que possuem ala pediátrica. Não existe dinheiro que pague essas visitas. Quando eu vou, me sinto satisfeito”, admite.

Ele acredita que a figura do Papai Noel é importante para despertar, nas crianças, o espírito natalino. “É uma fantasia, mas uma fantasia saudável. Algo que vai ficar na mente da criança de uma maneira boa”, diz.

O Papai Noel Virtual foi muito bem recebido pelos habitantes de Lençóis. Atendendo as crianças desde o início deste mês, Roque encerrou sua jornada na noite de ontem (23). Segundo ele, em uma das noites chegou a conversar com 258 crianças de forma on-line. “O evento foi um grande sucesso”, completa.

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