A eterna Terra da cachaça

ENTRE AS MELHORES – Engenhos resistem ao tempo e dão motivos para comemorar o Dia Nacional da Cachaça (Vitor Rodrigues/O ECO)

Lençóis Paulista é reconhecida em todo o Brasil por várias características. Alguns se referem ao município pela indústria de celulose, outros pelo título oficial de Cidade do Livro, mas tem um sabor especial que não deixa enganar quem vive ou já passou por aqui: o da cachaça. Tamanha fama tem justificativa. A cidade já foi considerada a “Terra da cachaça” e hoje, apesar de não possuir mais o título, continua produzindo bebidas premiadas no país e no exterior.
A relação do município com a “branquinha” é antiga. A primeira cachaça oficial produzida por aqui data de 1906, registro encontrado por Sidney Aguiar, autor do livro “Da Cachaça ao Papel”. Anos mais tarde, em 1947, a cidade tinha cerca de 52 engenhos de cachaça em operação e a disputa para produzir a melhor cachaça de todas se destacou no cenário nacional. 
Foi assim, a partir da aguardente, que o município se desenvolveu. “A cachaça foi a responsável pelo início da indústria sucroenergética lençoense e por outros ramos industriais que temos hoje. Ela projetou a cidade para o Brasil”, garante Aguiar. No entanto, a bebida não resistiu a tanta evolução e já na década de 1940 começou a perder força para os demais setores. 
Hoje, com ruínas de engenhos antigos para contar histórias e alguns que resistem ao tempo, com a produção artesanal, Lençóis continua no mercado da cachaça pela sua qualidade, que, segundo Aguiar, pesquisador e apreciador da bebida, está entre as melhores do país. Garantia de um colecionador com 125 marcas de cachaças brasileiras.   
Luiz Gustavo Zillo é um dos responsáveis pelo alto padrão da cachaça local. Proprietário do Engenho São Luiz, ele mantém a tradição que nasceu na família com seu bisavô, em 1906. Com uma produção considerada artesanal, o Engenho tem rótulos premiados no Brasil e no exterior, destaque na participação nacional do Ranking Cúpula da Cachaça de 2018, com colocações nas categorias de cachaças branca e ouro, a envelhecida. No exterior, o sabor da cachaça daqui já foi realçado até em Bruxelas, na Bélgica.
A receita para uma bebida tão apreciada e premiada, Zillo sabe bem qual é. “Nossa produção é pequena comparada a grandes indústrias e isso facilita o controle no processo”, diz. “A nossa forma de produzir é com a moagem da cana-de-açúcar crua, fermentação natural, destilação em alambiques de cobre e, por fim, o envelhecimento em tonéis de madeira”, explica. Para ter uma cachaça diferenciada, é preciso descartar o início e o final da destilação, conhecido como cabeça e calda, deixando apenas o coração.
Apesar do consumo entre os moradores da cidade, a maior parte da produção é distribuída pelo país. Só o Engenho São Luiz tem a capacidade de produzir 50 mil litros de cachaça por ano.
Longe dos mais de 40 alambiques do início do século XX, além do São Luiz o município tem outros engenhos, entre eles o do Paccola, que resiste à história e lançou um rótulo comemorativo pelos 100 anos da empresa, celebrados em 2020.
Com um engenho que começou com o bisavô de Evaldo Luís Paccola, a cachaça do centenário foi redestilada e colocada para envelhecer em janeiro de 2015. Passados quatro anos de envelhecimento a bebida sai dos tonéis para ser apreciada. E essa é das boas, garante Paccola.
Se o passado fez de Lençóis Paulista a “Terra da cachaça”, o presente mantém o sabor vivo em quem não dispensa uma branquinha. “Ah, aqui é a terra da cachaça, sim”, faz questão de dizer Aguiar. Opinião compartilhada por Zillo. “Acho que (o título) ainda é válido, apesar de não existir mais aquela imensa quantidade de alambiques da época, temos uma história bastante rica com a cachaça. Por onde passamos as pessoas ainda perguntam sobre as cachaças de Lençóis e recebemos visitantes de fora devido à fama de tempos atrás”, completa.
No Dia Nacional da Cachaça, comemorado amanhã (13), sobram motivos para apreciar a bebida, mas tem que ser a lençoense, é claro. “A cachaça é a única bebida genuinamente brasileira. Alguns dizem que ela é o Brasil no copo. A história da cachaça se confunde com a de nossa nação e, por isso, nada mais justo que comemorarmos esse dia”, finaliza Zillo.

destaques

Aos 60 anos, morre Maradona

O site do jornal argentino Clarín acaba de informar que o ex-jogador Diego Armando Maradona faleceu nesta quarta-feira (25), após um mal...

Comércio se prepara para a Black Friday

A segunda data mais movimentada para o comércio está prestes a chegar. No dia 27 de novembro tem a Black Friday, ou...

Cidade recebe melhor jogador do mundo

O beach tennis pode ser definido como uma mistura de tênis, vôlei de praia e frescobol. É considerado simples de se praticar,...

Campanha Papai Noel dos Correios será digital

Na última quarta-feira (18), teve início mais uma edição da campanha Papai Noel dos Correios, que terá algumas mudanças em relação aos...

Anaísa Portes Ramos é pioneira na cirurgia robótica no interior

Primeira cirurgiã robótica no interior do estado de São Paulo, a médica Anaísa Portes Ramos, nascida em Lençóis Paulista, é formada em...