Vereadores sobem o tom sobre festinhas e aglomerações atribuídas aos jovens

ASSUNTANDO
Em mais uma semana com poucos projetos na pauta, ainda em ritmo de início de legislatura, a quarta sessão ordinária da Câmara Municipal de Lençóis Paulista, realizada na noite da última segunda-feira (22), teve como destaque alguns assuntos levados ao plenário pelos vereadores.

FRENTE PARLAMENTAR
Como tem ocorrido ao longo dos últimos meses, o foco se manteve na pandemia do novo coronavírus (Covid-19). O vice-presidente Nardeli da Silva (DEM), por exemplo, revelou que tem mantido contato com vereadores de outras cidades da região para viabilizar a formação de uma frente parlamentar.

AMARRAS
O objetivo é cobrar do Governo do Estado ações mais efetivas de enfrentamento à pandemia, tanto na área da Saúde quanto em relação à Economia. Para ele, a inevitável relação de dependência entre Prefeituras Municipais e Palácio dos Bandeirantes, muitas vezes, deixa os prefeitos de mãos atadas.

FEITO PARA BRIGAR
O vereador disse acreditar que o Poder Legislativo tem mais condições de bater de frente com o governador João Doria (PSDB), afirmado que vereador foi feito para brigar, enquanto que prefeito deve agir de forma mais diplomática, medindo os passos para se prevenir de possíveis retaliações.

BIRRA
Nardeli foi ainda mais adiante nas considerações, reiterando o que já havia dito algumas vezes, dizendo que, para ele, o que tem feito Doria e seu Centro de Contingência manterem a região do DRS (Departamento Regional de Saúde) de Bauru na Fase Vermelha do Plano São Paulo é ‘birra’.

PARTIDO
No caso, ‘birra’ de Suéllen Rosim (PATRI), prefeita bauruense, que, como dito na semana passada, tem ignorando sistematicamente as decisões vindas do Governo do Estado, deixando claro de qual lado está na interminável guerra entre o governador e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

CAÓTICA
O que não se pode desconsiderar é que, enquanto muitos insistem na flexibilização, a situação da rede de atendimento à Covid-19 na região do DRS de Bauru segue caótica, com a taxa de ocupação hospitalar há vários dias acima de 90% para leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

PROTOCOLO
Sem celeridade na implantação dos mais de 200 novos leitos prometidos no início deste mês, Doria e sua equipe têm usado como defesa o argumento de que não basta a ampliação da oferta de vagas nos hospitais se os protocolos recomendados pelas autoridades sanitárias não forem rigorosamente cumpridos.

PERSONA NON GRATA
Certo ou errado, o fato é que o governador se tornou uma ‘persona non grata’ para boa parte dos representantes dos municípios mal classificados no Plano São Paulo, que regula a retomada da economia no estado. Isso sem contar a população em geral e os empresários e profissionais afetados pelas restrições.

REFÉNS
Todos têm sido duramente castigados pelos efeitos secundários da pandemia. Muitos comerciantes e prestadores de serviço estão há quase um ano sem poder trabalhar direito, ficando, na maioria do tempo, reféns das restrições, salvo poucas flexibilizações promovidas pelos municípios.

FESTINHAS
O que tem sido argumentado à exaustão e, inclusive, já foi justificativa para a realização de manifestações em todo o estado, é que o problema não é o comércio, que sempre atuou de acordo com os protocolos sanitários, mas sim as aglomerações promovidas por festinhas clandestinas e reuniões no período noturno.

CONTA SIMPLES
Nardeli foi o primeiro a falar do assunto: “É à noite que o vírus corre e é na madrugada que o levam para matar o pai, a mãe, o avô. Essa é a situação que nós vivemos. É fácil de explicar, porque, quando a gente não tem a noitada, esvazia a UTI, a enfermaria. É uma conta muito simples”, disse.

SEM FIRMEZA
A vereadora Mirna Justo (PSDB), que se colocou à disposição para participar da frente parlamentar, culpou os jovens, dizendo que no final da tarde já é possível ver grupinhos se formando em determinados locais para o consumo de álcool. Para ela, tem faltado firmeza para conter a prática, que se estende até as madrugadas.

FERVO
“Às 17h já estão chegando as mocinhas, os mocinhos. Já estão com o copo cheio [de bebidas alcoólicas] e ali eles sentam e vão sair de lá de madrugada. Aquilo é um ‘fervo’, que ninguém dorme. Uma coisa totalmente desnecessária em um período em que todo mundo está sofrendo”, pontuou a vereadora.

DELIVERY
O vereador Renato da Silva Gois, o Papa (DEM), mais jovem representante da Casa de Leis, também abordou o tema se dirigindo ao público jovem, ao qual, para ele, tem faltando cuidado e respeito com os próprios familiares, que, muitas vezes, mantêm o isolamento, mas veem o vírus ser levado para dentro de casa.

NA BOMBA
“Peço para vocês [os jovens]: não nos façam chegar ao ponto de ter que pedir para a polícia sair espantando todo mundo, jogando bomba, esparramando de uma maneira agressiva e truculenta. Não é nossa intenção, mas está quase chegando nesse ponto, porque não estou vendo respeito”, alertou o vereador.

SINTONIA
Os discursos mais enérgicos dos parlamentares coincidiram justamente com a semana em que o Governo de São Paulo, vendo os índices pandêmicos atingirem os níveis mais altos desde o início da pandemia, anunciou o endurecimento da quarentena em todo o estado a partir dessa sexta-feira (26).

TOQUE DE RESTRIÇÃO
Conforme anunciado na quarta-feira (24), até o dia 14 de março, todo o estado estará sobre Toque de Restrição de Circulação entre 23h e 5h, com proibição de todo tipo de aglomeração em qualquer horário. Uma Força-Tarefa envolvendo a Vigilância Sanitária, Polícia Militar e Procon será responsável pela fiscalização.

NO BOLSO
Segundo o Governo de São Paulo, em todas as cidades do estado serão realizadas blitz para garantir o cumprimento das determinações. Todos que descumprirem as determinações estarão sujeitos à aplicação de multas, além de implicações civis e criminais previstas na legislação vigente.

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