Tentando emplacar “terceira via” presidenciáveis vão às ruas contra Bolsonaro

TERCEIRA VIA

As manifestações do domingo foram concebidas justamente dentro deste contexto, tanto para refutar a permanência de Bolsonaro quanto para rejeitar o retorno de Lula. No entanto, os acontecimentos da semana, inevitavelmente, acabaram dando outra tônica aos atos realizados em diversas cidades do país, com destaque para São Paulo, onde a população se concentrou na Avenida Paulista.

COADJUVANTE

Ainda que hostilizado por manifestantes, atacado em inúmeros cartazes e satirizado em um boneco gigante de presidiário, em uma versão 2.0 do famoso “Pixuleco” coladinho como irmão siamês ao presidente, retratado como um louco de camisa de força, o líder petista acabou sendo mero coadjuvante. Naturalmente, diante dos desdobramentos dos últimos dias, o principal alvo foi Bolsonaro.

LADO A LADO

Os atos, organizados pelo MBL (Movimento Brasil Livre) e pelo Vem pra Rua Brasil, grupos que se voltaram contra o governo após ajudarem a pavimentar o caminho de Bolsonaro até o Palácio do Planalto, reuniram figuras como os ex-presidenciáveis Ciro gomes (PDT) e João Amoêdo (NOVO), além de João Doria (PSDB), governador de São Paulo, e Luiz Henrique Mandetta (DEM), ex-ministro da Saúde.

UM POR TODOS?

Seguindo a mesma linha, todos discursaram defendendo a democracia e pregando a mudança pelo desenvolvimento do país. Ainda que indiretamente, cada um se apresentou como a solução, mesmo sabendo que ninguém terá sucesso sem uma composição. Falta uma cara para a tal terceira via. Resta saber quem está disposto a abrir mão dos interesses pessoais pelo projeto de unificação.

PONTOS E…

Há quem avalie que o movimento foi enfraquecido pelo recuo orquestrado na quinta-feira (9) pelo ex-presidente Michel Temer (MDB), que, como todos já sabem, ressurgiu da escuridão para articular a publicação de uma carta oficial pelo Palácio do Planalto, redigida por ele próprio, com 10 tópicos em que Bolsonaro sinaliza uma pacificação após os impropérios da antevéspera.

…CONTRAPONTOS

Abrindo um parêntese, também há quem considere que, apesar da resposta positiva do mercado (que reagiu bem após o agravamento da crise institucional derrubar a Bolsa de Valores e aumentar a cotação do dólar), o episódio serviu apenas para evidenciar o enfraquecimento do próprio Bolsonaro, que acabou até virando alvo de chacota em um jantar com a participação de Temer.

FATOR CPI

Soma-se a isso os desdobramentos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, que, desde o final de abril, investiga possíveis omissões do Governo Federal no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, pressionando o presidente contra a parede. A novidade da vez é um parecer que aponta uma série de crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro desde o ano passado.

RELATÓRIO

O documento foi elaborado por um grupo de juristas coordenado por Miguel Reale Júnior, que, vale destacar, foi um dos responsáveis pelo pedido de impeachment que culminou na queda da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016. O parecer, entregue à CPI nessa terça-feira (14), deve embasar a elaboração do relatório final pelo senador Renan Calheiros (MDB) até o final deste mês.

SETE CRIMES

O relatório do grupo de juristas, que foi divulgado à imprensa, faz diversos apontamentos citando sete possíveis crimes cometidos por Jair Bolsonaro: crime de responsabilidade pela violação de garantias individuais; crime de epidemia, crime de infração de medida sanitária preventiva; charlatanismo; incitação ao crime; prevaricação; e crimes contra a humanidade.

PRESSÃO

Independentemente do desfecho da CPI, a pressão pela abertura de um impeachment, que depende da canetada de Arthur Lira (PP), presidente da Câmara dos Deputados, seguirá nas ruas nas próximas semanas. A próxima manifestação, prevista para o dia 2 de outubro, está sendo convocada pelo PT, que até então não envolveu suas principais lideranças nos atos que defendem a pauta. Seguiremos acompanhando.


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