Pesquisas mostram cenários distintos na corrida presidencial

CORRIDA ELEITORAL
A coluna desta semana volta a falar do cenário político nacional, especificamente da corrida eleitoral, que segue bem movimentada, principalmente no que diz respeito à disputa presidencial. Cada vez mais perto da janela destinada à realização das convenções partidárias, que devem acontecer entre 20 de julho e 5 de agosto, os pretensos concorrentes vão ajustando as coordenadas para a campanha.

LULA-ALCKMIN
O destaque recente foi o lançamento oficial da pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que terá como vice um antigo adversário político, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSB). A chapa Lula-Alckmin foi apresentada no último sábado (7), em evento realizado em São Paulo, com a presença de inúmeros apoiadores, entre lideranças políticas e artistas de várias vertentes.

ESTRATÉGIA
Entre os presidenciáveis, Lula foi primeiro a oficializar seu parceiro de chapa, fruto de uma intensa movimentação de bastidores iniciada ainda no final do ano passado, com o advento da saída de Alckmin do PSDB. A união da dupla concretiza uma estratégia muito clara de tentar cativar o eleitorado de centro e romper a resistência antipetista conquistando os que não estão dispostos a votar em Bolsonaro.

OLHA ELA
Do lado oposto, o que chamou atenção no entorno do presidente Jair Bolsonaro (PL), que corre contra o tempo para viabilizar sua reeleição, foi à rara aparição da primeira-dama Michelle Bolsonaro, que entrou em cadeia nacional de rádio e televisão no último domingo (8) para discursar ao lado de Cristiane Britto, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em razão da comemoração do Dia das Mães.

CAMPANHA
Foi tão clara a intenção de buscar aproximação com o público feminino, no qual o presidente tem maior rejeição e menor intenção de voto, que a equipe que assessora o mandatário da República acabou errando a mão, transformado o vídeo de cerca de quatro minutos, produzido com o pretexto de homenagear as mães, em uma escancarada peça publicitária que, não por acaso, já é acusada de campanha antecipada.

APENAS NÚMEROS
Deixando as movimentações de lado, vale comentar sobre duas pesquisas de intenção de voto divulgadas no início desta semana, que demonstram situações um tanto quanto distintas e comprovam que ainda é muito cedo para projetar, com segurança, qualquer resultado nas urnas no primeiro turno. Enquanto que uma delas indica um cenário favorável para Lula, outra demonstra uma oscilação positiva para Bolsonaro.

SOBE E DESCE
A primeira, do Instituto MDA Pesquisa, divulgada na terça-feira (10), sugere que a vantagem do ex-presidente caiu mais de 6 pontos percentuais em relação ao atual chefe do Executivo federal nos últimos 12 meses. De acordo com os dados, Lula, que tinha 14,7 pontos de dianteira em julho de 2021 (41,3% a 26,6%), obteria apenas 8,6 pontos de diferença para Bolsonaro se as eleições fossem neste mês (40,6% a 32%).

NO PRIMEIRO
A segunda, da Quaest Consultoria, divulgada na quarta-feira (11), apresenta Lula com possibilidade de eleição já no primeiro turno, ou seja, com percentual de intenção de voto superior à soma obtida por todos os demais adversários. De acordo com os dados, o petista aparece com 46% na pesquisa, enquanto que os demais contabilizam 44%, com 29% demonstrando interesse em reconduzir Bolsonaro ao cargo.

DIFÍCIL
Em relação ao segundo pelotão de postulantes ao Palácio do Planalto, formado pelos pré-candidatos que lutam para quebrar a polarização e se viabilizar como terceira via, ambas as pesquisas apontam percentuais similares, que, apesar de indicarem ligeira variação positiva, não dão, pelo menos até o momento, sinais de que possa haver uma possível reviravolta capaz de mudar os rumos da corrida eleitoral.

DISTANTES
No levantamento do Instituto MDA Pesquisa Ciro Gomes (PDT) surge com 7,1% das intenções de voto, seguido por João Doria (PSDB), com 3,1%, André Janones (AVA), com 2,5%, Simone Tebet (MDB), com 2,3%, e Felipe D’Ávila (NOVO), com 0,3%. Já na pesquisa da Quaest Consultoria, Ciro Gomes aparece com 7%, seguido por André Janones (3%), João Doria (3%), Simone Tebet (1%) e Felipe D’Ávila (1%).

INTERROGAÇÃO
Ambos os levantamentos apontam índices consideráveis de votos brancos, nulos, indecisos e abstenções. De acordo com os dados apresentados pelo Instituto MDA Pesquisa, 5,1% não pretendem votar ou votarão em branco ou nulo, enquanto que 7% ainda não se decidiram em quem votar. Já a pesquisa da Quaest Consultoria aponta que 6% não pretendem votar ou votarão em branco ou nulo e outros 3% estão indecisos.

REGISTROS
A pesquisa do Instituto MDA, encomendada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) e registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-05757|2022, entrevistou 2.002 pessoas entre 4 e 7 de maio. Já a pesquisa da Quaest Consultoria, contratada pela Genial Investimentos e registrada sob o número BR-01603/2022, ouviu 2.000 pessoas entre os dias 5 a 8. As margens de erro são de 2.2 e 2 pontos percentuais, respectivamente.


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