Movimentações da corrida eleitoral

O FIM

O ex-governador Geraldo Alckmin tem ganhado os holofotes da mídia desde a semana passada, quando tornou oficial a decisão que já era esperada por todos desde que o PSDB, partido que ajudou a fundar em 1988, resolveu lhe dar as costas ao dificultar a concretização de seu desejo de se lançar candidato, pela enésima vez, ao cargo máximo do Palácio dos Bandeirantes.

PULO FORA

Na última quarta-feira (15), o médico anunciou que estava pulando fora do ninho para disputar as eleições de 2022 por outra legenda, visto que as ações internas de seu apadrinhado político, atual governador do estado e agora também pré-candidato à Presidência da República, João Doria, colocaram o vice-governador Rodrigo Garcia como aspirante à sucessão.

DESPEDIDA

Em mensagem de despedida no Twitter, Alckmin falou de traçar um novo caminho.  “É um novo tempo! É tempo de mudança! Nesses mais de 33 anos e meio de trajetória no PSDB procurei dar o melhor de mim. Um soldado sempre pronto para combater o bom combate com entusiasmo e lealdade. Agora, chegou a hora da despedida. Hora de traçar um novo caminho”, afirmou.

ISOLADO

Isolado pelo menos desde o início deste ano, quando Doria começou a articular a migração de Garcia do DEM para o PSDB com a promessa de viabilizar sua candidatura ao governo, Alckmin se recusou a disputar prévias estaduais com o concorrente ‘novato’. A gota d’água foi a definição das regras para a eleição interna, cujo formado beneficiava o vice-governador.

LÁ E CÁ

Preterido no tucanato, Alckmin decidiu esperar para oficializar sua saída. Tentou derrubar Doria ao trabalhar pela vitória de Eduardo Leite, governador do Rio Grande, nas prévias nacionais. Derrotado com o gaúcho, não viu outra saída a não ser seguir o único caminho possível. Com a saída concretizada, o Governo do Estado ainda seria seu objetivo, mas são muitas as possibilidades.

VAI?

Como todos têm acompanhado, sobretudo nos últimos dias, o ex-governador tem sido sondado por diferentes partidos, mas o destino mais provável é o PSB de Márcio França, seu aliado de longa data e companheiro de chapa na era pré-Doria. Mas tudo depende de uma série de negociações que até pouco tempo pareciam impossíveis de se imaginar, muito menos de se ver.

CONCORRIDO

Não é novidade que Márcio França também deseja voltar ao posto de governador que ocupou brevemente em 2018, quando Alckmin renunciou para concorrer à Presidência. Naquele mesmo ano, o peessebista atentou, mas acabou derrotado por Doria em uma das eleições mais apertadas do estado, vencida pelo atual mandatário na base da famigerada onda do Bolso-Doria.

OUTRO RUMO

Portanto, para que não haja conflito de interesses, visto que dificilmente França assumiria novamente o posto de coadjuvante em uma eventual chapa com Alckmin, a concretização da ida do ex-governador para o PSB depende de uma mudança de rumos, no caso, sua desistência da candidatura ao governo. O que lideranças tentam articular uma aliança curiosa com o PT.

QUEM DIRIA

Para alguns, pode parecer até estranho de ouvir, mas o que está em negociação é a participação de Alckmin como vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Existem outras possibilidades no horizonte do ex-tucano de alta plumagem, mas diversos analistas políticos que têm sido consultados pela grande imprensa revelam que as tratativas têm avançado.

JANTAR

Não é por acaso que a corrida eleitoral tem sido protagonizada pela dupla nos últimos dias, principalmente depois do último domingo (19), por conta do bombástico jantar realizado em São Paulo, organizado pelo Grupo Prerrogativas, formado por juristas, advogados, juízes e professores, entre eles alguns líderes políticos que defendem uma eventual chapa Lula/Alckmin.

FIGURINHAS

Entre os convidados do banquete promovido com o intuito de costurar a consolidação de uma aliança ‘indestrutível’ para a guerra declarada contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) estavam algumas figurinhas carimbadas do cenário nacional, como os senadores Renan Calheiros (MDB), Omar Aziz (PSD) e Randolfe Rodrigues (REDE), trio que esteve à frente da CPI da Covid-19.

MOBILIZAÇÃO

O encontro reuniu diversos outros agentes influentes no meio político, como os presidentes do MDB, deputado federal Baleira Rossi, do PSB, Carlos Siqueira, do PSD, Gilberto Kassab, além dos deputados federais Marcelo Freixo e Alessandro Molon, também do PSB, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (sem partido), entre tantos mais.

ESQUECIDA

Mas o jantar também teve muitas ausências. E uma em específico não passou despercebida, a da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que sequer teria sido convidada para o evento. Talvez, até pelo fato de que muitos do que ali estiveram presentes participaram das movimentações que a derrubaram do governo, em 2016. Mas não é isso que vem ao caso neste momento.

TEM CHÃO

O que é prioritário destacar desses últimos desdobramentos é a movimentação para fortalecer o movimento que busca derrubar Bolsonaro nas urnas, capas até mesmo de unir personagens tão distintos. Este, aliás, tem sido o tom dos discursos. Ainda há muito para acontecer nos próximos meses. Outros atores se movimentam para tentar emplacar uma terceira via. Tem muito chão.


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